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Guedes diz que situação econômica mundial 'vai se agravar bastante'

Ministro da Economia argumentou que há três motivos para piora no quadro; ele comparou cenário a um 'mar turbulento'

Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

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O ministro Paulo Guedes durante fórum de investimentos, em São Paulo
O ministro Paulo Guedes durante fórum de investimentos, em São Paulo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (14) que a economia mundial vai passar por um momento ruim. "É um mar turbulento e acho que não vai melhorar tão cedo. Acho que vai se agravar bastante a situação econômica mundial", disse o titular durante o 5º Fórum de Investimentos Brasil 2022, em São Paulo.

O ministro argumentou que há três razões por essa avaliação. Segundo Guedes, o primeiro motivo é a pressão competitiva feita pela Ásia. "Enquanto o Ocidente desfruta de sua riqueza, dando férias de seis meses, dando aposentadoria generosa antes da hora, o outro lado do mundo trabalha 24 horas por dia, compete, não tem encargos trabalhistas e estão avançando. Depois de 30 anos, essa arbitragem de trabalho barato acaba", disse.

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"Enquanto tem gente para contratar com mão de obra mais barata no outro lado do mundo, não tem a pressão nos salários do lado de cá. Acabou essa arbitragem e os salários estão aumentando no mundo inteiro", completou.

O segundo argumento utilizado por Guedes é a pandemia de Covid-19, e o terceiro, a guerra entre Rússia e Ucrânia. "A parte ruim da crise é que vai lamber lá fora. A inflação vai subir muito, vai ter recessão, o sistema político vai continuar sob pressão. As bolsas caindo, muita crise, muita dificuldade lá fora. Ao mesmo tempo, tem uma oportunidade", relata.

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Congelamento de preços nos supermercados

Guedes disse, ainda, que não solicitou aos empresários da cadeia de abastecimento e donos de supermercados para que reduzam os lucros sobre a cesta básica e congelem os preços dos itens.

"Aprovamos ontem no Senado a redução do ICMS, já tínhamos feito a redução do IPI. Quando você reduz o IPI e o ICMS, você está dando uma margem de folga, mesmo que os custos subam, para não ficar reajustando o preço toda hora, foi nesse sentido que eu falei, não tem nada a ver com tabelamento", argumentou.

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Em evento realizado no início deste mês, Bolsonaro pediu aos donos de supermercados e empresários da cadeia de abastecimento que reduzam o lucro dos produtos que fazem parte da cesta básica dos brasileiros. O ministro da Economia, por sua vez, pediu ajuda do setor para frear a escalada de preços.

Inflação

A inflação brasileira em 2021, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), deve ser a terceira mais alta entre as principais economias do mundo, ficando apenas atrás da Argentina e da Turquia, conforme levantamento da economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, a partir de dados da plataforma Ceic Data.

O IPCA ficou em dois dígitos em 2021, com alta de 10,06%, o maior aumento desde 2015 (10,67%). O índice superou em muito o teto da meta de inflação (5,25%) — o centro era de 3,75%. O desvio em relação à banda superior do objetivo a ser perseguido pelo Banco Central foi o maior em quase 20 anos, uma vez que em 2002 o "estouro" foi de mais de 7 pontos percentuais.

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