Brasília Hipster da Federal é enterrado em Brasília sob forte comoção

Hipster da Federal é enterrado em Brasília sob forte comoção

Lucas Valença morreu após levar um tiro no peito dentro de uma fazenda em Goiás; ele sofria de depressão e estaria em surto

  • Brasília | Jéssica Moura e Hellen Leite, do R7, em Brasília

Enterro ocorre nesta sexta-feira (4), em Brasília

Enterro ocorre nesta sexta-feira (4), em Brasília

Jéssica Moura/R7

Amigos e familiares se reuniram na manhã desta sexta-feira (4) para se despedir do agente da Polícia Federal Lucas Valença, 36 anos, conhecido como hipster da Federal. O velório e o enterro ocorreram no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília. 

"Ele merece tudo isso", disse a amiga Deise Menezes, que esteve com o policial horas antes da morte. Agentes da PF lotaram o local. Parte do grupo chegou em viaturas oficiais.

Os policiais fizeram um corredor, por onde os familiares de Lucas passaram e foram aplaudidos. Em posição de sentido, ele acompanharam o transporte do corpo até a sepultura. Do alto de um helicóptero da PF, agentes jogaram pétalas brancas e vermelhas na passagem do caixão.

Lucas morreu na última quarta-feira (2) após levar um tiro de espingarda no peito dentro de uma fazenda em Buritinópolis, em Goiás. A família do agente disse que ele estava tendo um surto psicótico quando invadiu a propriedade aos gritos de que "havia um demônio" no local e desligou a energia da casa. 

De acordo com a advogada Sindd Lópes, o policial estava com depressão e fazia tratamento psicológico. Ele havia passado o Carnaval com a família em uma fazenda de Goiás, onde também comemoraram o aniversário do irmão de Lucas. Durante o período, foi quando o agente teve o surto, na noite da quarta-feira.

No boletim policial registrado como homicídio, o dono da fazenda, um homem de 29 anos, informou que estava em casa com a mulher e a filha quando ouviu barulho do lado de fora e "uma gritaria com diversos xingamentos". Ele também disse que em seguida viu Lucas e que o policial desligou o padrão de energia e arrombou a porta da casa. O proprietário rural teria mandado o policial ir embora.

"A vítima [Lucas] dizia: 'Saiam todos de dentro de casa, senão vou entrar e matar'", detalhou o delegado Adriano Jaime Carneiro, plantonista da Delegacia Regional de Posse (GO).

O fazendeiro relatou que "o homem estava entrando na sua casa e, por medo e para proteger sua família, efetuou um disparo de espingarda na direção do invasor, não sabendo se havia atingido aquela pessoa". Ao religar a energia, o dono da propriedade percebeu que havia atirado no peito de Lucas. O agente da PF morreu no local. O fazendeiro, então, acionou a Polícia Militar de Goiás.

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Valença ganhou projeção nacional depois de escoltar políticos presos pela Operação Lava-Jato. Na época, pelo estilo de cabelo, em coque, e pela barba comprida, foi apelidado na internet de hipster da Federal. 

Em 2016, Lucas viralizou ao aparecer fazendo a escolta do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ), réu na Operação Lava Jato. O sucesso do policial nas redes sociais foi tanto que ele ganhou até um boneco no Carnaval do Recife em 2017.

O último caso emblemático em que Lucas atuou foi a caçada ao criminoso Lázaro Barbosa, em Cocalzinho, em junho de 2021. Ele estava entre os 270 policiais do DF que fizeram parte da megaoperação.

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