Brasília Homem tenta comprar celular e leva golpe de R$ 4,5 mil

Homem tenta comprar celular e leva golpe de R$ 4,5 mil

A vítima chegou a falar diretamente com a proprietária do aparelho, mas, ludibriada, fez a transferência para outra pessoa

  • Brasília | Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

As investigações estão a cargo da 1ª DP (Asa Sul)

As investigações estão a cargo da 1ª DP (Asa Sul)

Divulgação / PCDF

Um homem perdeu R$ 4,5 mil em um golpe aplicado por usuários em um site de anúncio de vendas na internet. Nilo Gonçalves Martins tentava comprar um celular, mas a pessoa que intermediou a venda se apresentou como suposto advogado da vendedora e ficou com o dinheiro. A vítima queria comprar um Iphone 12.

O aparelho existia e a dona realmente queria vendê-lo, mas por R$ 7 mil. Ela foi acionada pelo mesmo golpista. Na troca de mensagens, ele se apresentou como intermediador de Nilo e negociou com a enfermeira e empresária Nayara Cerqueira Andrade um valor diferente do que tinha oferecido ao comprador, de R$ 6,9 mil.

O golpista disse a ela que era advogado do comprador e estava apenas ajudando na transação. Já a Nilo, ele afirmou que o Iphone seria o pagamento de honorários, e pediu que ele não falasse com a mulher sobre o valor, para que ela não desistisse da venda, pois tudo estaria acertado entre os dois e, supostamente, Eduardo não se importaria de receber um valor um pouco menor.

Depois de fazer o papel de intermediário para a vendedora e para a vítima, o estelionatário ainda ajudou os dois a se encontrarem. Nayara conta que levou o aparelho, a nota fiscal, e deixou que Nilo testasse o equipamento. Ela contou que estranhou, pois ele passava muito tempo no WhatsApp e a venda começou a demorar.

Transação

Depois de quase uma hora e meia, ela pensou em desistir. “Eu perguntei se ele ia querer, pois ia dar 20h e tive receio que ele não conseguisse mais fazer um pix. Ele disse que ia querer. Fomos até um caixa eletrônico. Eu imaginei que ele fosse me pedir meu pix para fazer a transferência, mas ele não falou nada comigo. Ele foi ao caixa, eu sentei em uma poltrona, ele voltou e perguntou se estava tudo ok”, contou.

Nayara disse que “não estava ok”, e que não tinha caído nenhum valor na conta. “Ele disse que pagou para o meu advogado. Na hora que eu abri meu celular, o WhatsApp desse suposto Eduardo mandou uma mensagem pedindo para avisar que ele tinha caído em um golpe. Eu mostrei pra ele. Ele ficou desesperado”, lembrou. Após a transferência, o golpista deletou a foto que usava no perfil.

A mulher acredita que o suposto advogado fez um anúncio falso para atrair as vítimas e usou o perfil dela para dar veracidade à própria história. “Eu fiquei chateada, pois me coloquei no lugar dele. Hoje em dia, perder R$ 100 para golpista é muita coisa. Imagina R$ 4,5 mil. Eu estava com o aparelho limpo, tudo correto. Ele poderia ter falado comigo do advogado. Mas o cara manipulou ele. Um iphone 12 Pró Max não estava menor que R$ 7 mil, e fechei a negociação por R$ 6,9 mil”, disse.

Desamparo

O golpe aconteceu nessa terça (14). Nilo registrou ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), e teme não recuperar o dinheiro perdido. Ele também tentou reverter a transação junto à instituição bancária, e se queixou da demora do banco em respondê-lo. “Se você tiver problemas com pagamentos em pix depois das 16h, você entra na lei da selva. Não tem a quem recorrer de forma prática e objetiva. Foi o que aconteceu comigo”, desabafou.

Ele tentou que o banco bloqueasse a senha da conta para a qual ele tinha transferido os valores antes que fosse possível o saque, mas não obteve resposta. “Eu tive que esperar até o dia seguinte, às 11h, para solicitar ao banco que fizesse isso. Posso ter perdido o dinheiro, pois eles não agiram rápido e não impediram que o criminoso sacasse logo depois que eu fiz a transferência”, reclamou.

A vítima destacou que tem as provas e o boletim de ocorrência e, mesmo assim, não conseguiu nenhuma resposta do banco. “As pessoas têm que ficar atentas. O pix não tem nenhum comprovante, nada que garanta que elas possam fazer uma transação com segurança, e os bancos não fazem questão nenhuma de oferecer essa segurança. Na hora de criar a forma de pagamento, eles inovam. Mas, na hora de proteger os direitos de quem honestamente usou a ferramenta, eles não defendem”, disse.

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