Brasília Horas antes de ser recebido por Lula, Campos Neto é criticado por governista na Câmara

Horas antes de ser recebido por Lula, Campos Neto é criticado por governista na Câmara

Deputado Lindbergh Farias questionou as taxas de juros e acusou o presidente do Banco Central de politizar a instituição

  • Brasília | Bruna Lima e Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

Campos Neto na Comissão de Finanças e Tributação

Campos Neto na Comissão de Finanças e Tributação

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi acusado nesta quarta-feira (27) de levar viés ideológico para a instituição financeira. A crítica veio durante a participação dele na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Autor do requerimento de convite a Campos Neto, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) falou em "politização do Banco Central" e um "alinhamento do líder do BC com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)". Os questionamentos ocorreram horas antes do primeiro encontro marcado entre Campos Neto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

"O senhor é presidente do Banco Central e todo mundo sabe que foi votar com a camisa da seleção brasileira. Mais que isso: o senhor, o presidente de um Banco Central autônomo, desenvolveu um modelo de pesquisa que abastecia as informações do presidente Bolsonaro", afirmou Farias, ao justificar a fala de que Campos Neto estaria alinhado com o ex-presidente.

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O deputado petista também contextualizou que será a primeira vez que o presidente do BC vai se reunir presencialmente com Lula desde que foi eleito a Presidência da República. "No ano passado, o senhor encontrou 11 vezes Bolsonaro oficialmente. Mas o tenente-coronel Mauro Cid [ex-ajudante de ordens de Bolsonaro] disse que já teve vários outros encontros informais. Espero que não tenha participado da minuta do golpe", disse Farias, acusando, ainda, Campos Neto de ser um "agregador de pesquisa para ajudar nas eleições", o que declarou ser "inconcebível". 

Farias também criticou as altas taxas de juros e uma "excessiva aproximação apenas com o mercado financeiro", citando a realização de reuniões a portas fechadas com instituições da área. O deputado questionou se Campos Neto seria detentor de offshores e fundos exclusivos. 

Em resposta, o economista disse ser favorável à taxação de fundos exclusivos e de investimentos no exterior. Sobre as offshores, Campos Neto disse que todas as empresas estavam devidamente declaradas. "Eu tenho offshore há 15, 20 anos. Eu tenho três irmãos que são americanos, que moram lá e eu não sabia se eu ia morar lá ou morar aqui. Eu já mostrei todo o certificado, que eu nunca movimentei. Isso já foi resolvido no STF, já foi resolvido em todas as instâncias", disse. 

O convidado também rebateu as críticas, afirmando que o Banco Central é parceiro do governo e "trabalha para melhorar a situação do país". "Vamos pegar as coisas que comemoramos recentemente. A confiança do consumidor subindo, PIB do Brasil crescendo... Relatórios apontam que parte da melhoria se deve à política monetária do BC", afirmou. 

Apesar das críticas pelas altas taxas de juros, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu na semana passada reduzir em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros. Com isso, a Selic passou de 13,25% para 12,75% ao ano. É o segundo corte consecutivo da taxa, que começou a recuar em agosto, após três anos, e atingiu o menor nível em 16 meses, desde maio de 2022.

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