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Impeachment de Toffoli depende do que for apurado sobre o Master, avaliam especialistas

Ministro deixou relatoria dos processos envolvendo o Banco Master e foi substituído por André Mendonça

Brasília|Mariana Saraiva e Débora Sobreira*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A possibilidade de impeachment do ministro Dias Toffoli depende das investigações sobre o caso Banco Master.
  • Mensagens no celular de Daniel Vorcaro mencionam Toffoli, levando à tensão no STF.
  • Especialistas alertam que envolvimento ilícito de um ministro pode afetar a credibilidade do STF.
  • A abertura de processo de impeachment no Senado só ocorrerá se surgirem elementos concretos nas investigações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dias Toffoli deixou relatoria do caso Master no STF Marcelo Camargo/Agência Brasil - 02.02.2026

A possibilidade de impeachment do ministro Dias Toffoli dependerá diretamente do que vier a ser comprovado nas investigações sobre o caso Banco Master, avaliam especialistas ouvidos pelo R7. Para juristas, a simples menção ao nome de um integrante do STF (Supremo Tribunal Federal) já provoca desgaste institucional, mas a abertura de um processo de responsabilização no Senado só ganharia força diante de elementos concretos que indiquem irregularidades.

O STF voltou ao centro dos holofotes após a Polícia Federal apontar que documentos encontrados no celular do dono do Master, Daniel Vorcaro, mencionam Toffoli e outros ministros. A repercussão levou a uma reunião tensa entre os integrantes da corte na quinta-feira (12), na qual Toffoli pediu para deixar o caso, mesmo a contragosto — ele foi substituído pelo ministro André Mendonça.

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Para o advogado constitucionalista Luiz Gustavo Cunha, a situação exige distinção entre desgaste político e responsabilidade jurídica.

“É evidente que ninguém pode ser condenado previamente. No entanto, ministros do Supremo Tribunal Federal não ocupam cargos comuns. Ainda que não haja desdobramento jurídico imediato, o desgaste político e institucional é praticamente inevitável. O STF não pode conviver com sombras prolongadas sobre a conduta de seus membros. A corte exige não apenas legalidade, mas também a aparência de imparcialidade e integridade”, enfatiza.

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“A confirmação de envolvimento ilícito por um de seus ministros afetaria diretamente a credibilidade da instituição e abriria espaço para questionamentos sobre decisões passadas e futuras”, acrescenta Cunha.

Segundo o advogado, caso as investigações avancem com elementos consistentes, o cenário pode evoluir para pedidos formais de responsabilização no Senado, como prevê a Constituição e a Lei nº 1.079/1950, a lei do impeachment.

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Cunha ressalta que, desde 1988, nenhum ministro do STF foi destituído por impeachment. Ele lembra que, em 1969, durante a ditadura militar, três ministros foram aposentados compulsoriamente por ato do regime — episódio que não seguiu o devido processo constitucional.

“O modelo brasileiro garante independência ao Supremo, mas ainda precisa demonstrar, na prática, que também garante responsabilização institucional quando necessário”, analisa.

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Deixar relatoria foi decisão adequada, diz advogado

Na avaliação do advogado criminalista Fábio Souto, que atua em tribunais superiores, a decisão de Toffoli de deixar a relatoria foi adequada do ponto de vista institucional, visto que a condução do ministro no processo estava “ostensivamente contaminada”.

Souto destaca que eventuais crimes comuns atribuídos a ministros do STF são julgados pela própria Corte, enquanto crimes de responsabilidade são analisados pelo Senado.

“Não há precedentes recentes. No entanto, é preciso aguardar o desfecho do inquérito e verificar se a Polícia Federal vai indiciar o ministro em algum evento criminoso. Independentemente da conclusão da investigação, na esfera política o Senado deverá sofrer forte pressão para abrir um processo de impeachment contra Toffoli”, afirma.

*Sob supervisão de Augusto Fernandes

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