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Indigenista da Funai foi ameaçado em bilhete; buscas continuam na Amazônia

O servidor licenciado da Funai Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips estão desaparecidos desde o domingo (5)

Brasília|Do R7

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O jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo
O jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo

Um bilhete apócrifo com ameaças dirigidas ao servidor licenciado Bruno Araújo Pereira, da Funai (Fundação Nacional do Índio), e a líderes indígenas foi deixado no escritório de advocacia que representa a organização para a qual ele vinha trabalhando voluntariamente, em Tabatinga (AM). Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, desapareceram no domingo (5), quando faziam viagem a trabalho no Vale do Javari.

"Sei quem são vocês e vamos achar para acertar as contas", diz um trecho do bilhete, com a grafia corrigida, endereçado ao advogado Eliesio Marubo. "Sei que quem é contra nós é o Beto Índio, e o Bruno da Funai é quem manda os índios irem prender nossos motores e tomar os nossos peixes. (...) Se querem dar prejuízo, melhor se aprontarem. Está avisado."

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Indigenista, Pereira foi visto pela última vez há três dias, quando voltava da Comunidade São Rafael em direção a Atalaia do Norte, na companhia de Phillips. O Comando Militar da Amazônia e a Marinha enviaram ontem dois helicópteros à região para reforçar as buscas.

O percurso da dupla pelo rio deveria demorar não mais do que duas horas, e Pereira era um exímio conhecedor do trajeto. Ninguém sabe o que houve. "Temos muita esperança de que tenha sido algum acidente com o barco e que eles estejam à espera de socorro", disse Beatriz Matos, mulher do indigenista. "Mesmo que eu não encontre o amor da minha vida vivo, eles têm de ser encontrados", afirmou Alessandra Sampaio, casada com Phillips.

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'Aventura'

Pouco depois de o Itamaraty divulgar nota, ontem, para dizer que o governo havia tomado conhecimento do assunto "com grande preocupação", o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou o que chamou de "aventura" da dupla.

"O que nós sabemos, até o momento, é que, no meio do caminho, [eles] teriam se encontrado com duas pessoas, que já estão detidas pela Polícia Federal, estão sendo investigadas. (...) Duas pessoas apenas num barco, numa região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que eles tenham sido executados. A gente espera e pede a Deus para que sejam encontrados brevemente", afirmou Bolsonaro, em entrevista ao SBT News.

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Pereira estava licenciado de suas atividades na Funai para coordenar um projeto sobre vigilância de terras indígenas na Univaja (União das Organizações Indígenas do Vale do Javari). A medida contraria narcotraficantes, garimpeiros e madeireiros que invadem a Terra Indígena do Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, que tem o tamanho de Portugal.

O advogado Eliesio Marubo, que recebeu o bilhete anônimo há cerca de um mês e meio, é nativo do Vale do Javari. Ele deixou o território aos 16 anos e se tornou um importante ativista nos tribunais. Marubo e Beto, citado no bilhete, também são líderes da Univaja.

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"Não tenho a menor dúvida [que o sumiço de Pereira está relacionado com a ameaça]. Era uma questão de tempo para acontecer. Infelizmente, é dessa maneira, até finalizarem o que eles têm de fazer. O Estado não está presente e deixa um espaço vazio. Onde o Estado não está, o crime está", disse Marubo.

Impune

Outra ameaça recente ocorreu na cidade. Um piloto de embarcações da Univaja e o consultor Orlando Possuelo, filho do sertanista Sydney Possuelo, foram intimidados. "Nosso piloto e o Orlando foram parados por pessoas dizendo que eles tinham de parar o que estavam fazendo, senão ia acontecer o mesmo que aconteceu com Maxciel", contou Marubo. Maxciel Pereira era um colaborador da Funai que atuava nas bases do Vale do Javari e foi assassinado, em 2019. Até hoje, o crime está impune. 

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