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Institutos de pesquisa criticam proposta do TSE: ‘confunde ciência com bola de cristal’

Para a associação das empresas, possível criação de selo parte de uma premissa tecnicamente equivocada

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Abep critica a proposta do TSE de criar um selo de premiação para institutos de pesquisa que mais se aproximarem dos resultados das urnas.
  • A entidade afirma que exigir precisão nas pesquisas confunde ciência com adivinhação e pode incentivar práticas metodológicas inadequadas.
  • Seis institutos de pesquisa, incluindo Datafolha e IPEC, se posicionaram contra a proposta, enquanto o DataPovo demonstrou apoio.
  • O TSE está aberto a sugestões para melhorar a proposta até sexta-feira (17).

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

TSE quer criar selo de premiação para os institutos que mais se aproximarem do resultado das urnas Divulgação/TSE - Arquivo

A Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) divulgou uma nota pública na qual manifesta preocupação e contesta a proposta da Justiça Eleitoral de criar um selo de premiação para os institutos de pesquisa que mais se aproximarem do resultado das urnas.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) discutiu, em reunião com representantes de institutos de pesquisa nesta terça-feira (14), a criação de um selo para “reconhecimento e valorização” de empresas cujos resultados dos levantamentos se aproximem da contagem final das urnas.


De acordo com a minuta proposta, a medida, batizada de Selo Acurácia Eleitoral, busca aprimorar e contribuir para a precisão dos dados levantados, trazer visibilidade a empresas com melhor desempenho, estimular a obediência às normas do TSE e fomentar a transparência e a confiabilidade das informações.

Para a entidade, a iniciativa parte de uma premissa tecnicamente equivocada sobre a natureza dos levantamentos de opinião pública.


“Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, diz o texto.

A entidade alerta que a criação de um selo baseado no acerto pode gerar um incentivo perverso no mercado.


De acordo com a nota, institutos sem rigor metodológico poderiam simplesmente monitorar o trabalho de empresas sérias ao longo do processo e, na reta final da campanha, ajustar seus números para convergir ao consenso geral, apenas com o objetivo de garantir a premiação.

“Como o TSE distinguirá quem produziu informação científica de quem apenas copiou ou seguiu a tendência? Não há como”, questiona a entidade.


A associação ressalta que a busca pelo selo mudaria o foco do setor: em vez de se produzir a melhor pesquisa possível, o estímulo passaria a ser a publicação de dados que maximizem a chance de ganhar o prêmio, o que enfraqueceria a qualidade da informação entregue ao eleitorado.

No comunicado, a ABEP defende que a qualidade de um levantamento estatístico deve ser medida por critérios estritamente científicos, tais como:

  • Metodologia aplicada;
  • Desenho amostral;
  • Transparência;
  • Execução do trabalho de campo;
  • Aderência às boas práticas científicas.

Resistência das empresas

Não há consenso entre os envolvidos em relação à possível criação do selo, mas a ideia sofre rejeição de algumas das maiores empresas do setor. O R7 apurou que ao menos seis institutos de pesquisa se posicionaram contrários após tomarem ciência da medida. Foram eles: Datafolha, Quaest, IPEC, IPESPE, PoderData e MDA. O DataPovo, por outro lado, mostrou-se favorável à iniciativa.

Um representante de um dos institutos, que não quis ser identificado, lamentou a proposta, ressaltando que a medida não ocorre em outros países. “É uma lógica muito equivocada entender que a pesquisa tem que bater com o número da urna. Pesquisa é retrato, não projeção”, defendeu.

O TSE informou que aceitará sugestões para reforma e melhoria da proposta até esta sexta-feira (17).

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