Líderes europeus informam que França sozinha não impedirá acordo Mercosul-UE, diz Lula
Petista afirmou ter conversado também por telefone com primeira-ministra italiana, que estaria pronta para assinar texto em janeiro
Brasília|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou neste sábado (20) que líderes europeus destacaram a ele a impossibilidade de a França, sozinha, impedir a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A parceria é discutida há mais de 25 anos, e havia a expectativa de conclusão neste sábado.
No entanto, França e Itália voltaram atrás de última hora e “frustraram” o desejo de Lula de oficializar o pacto ainda na presidência brasileira do Mercosul.
A liderança do bloco é rotativa e será assumida pelo Paraguai neste fim de semana.
“Se ela [primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni estiver pronta para assinar e faltar só a França, segundo a [presidente da Comissão Europeia] Ursula von der Leyen e o [presidente do Conselho Europeu] António Costa, não haverá a possibilidade de a França, sozinha, não permitir o acordo“, afirmou Lula durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR).
O petista destacou que a data inicial de assinatura foi prevista pelos próprios europeus. “Um comunicado aos companheiros. A data de 20 de dezembro para esta reunião foi marcada a pedido da União Europeia. Tanto a Ursula quanto o Costa pediram para que a gente fizesse a reunião no dia 20, porque gostariam de participar desta reunião aqui no Brasil”, informou.
Segundo o brasileiro, a parceria não foi firmada neste sábado na cidade paranaense por um entrave interno entre as nações europeias.
“Pois bem, tudo estava certo, todos sabíamos a posição da França, histórica, não era novidade. Na última semana, surgiu um problema com a primeira-ministra Meloni, não um problema com o acordo entre Mercosul e União Europeia, mas um acordo firmado entre a própria União Europeia”, argumentou Lula.
“A Meloni dizia que a distribuição de verba para a agricultura na União Europeia estava prejudicando a Itália e ela, então, estava com problema com os produtores agrícolas, que ela não poderia assinar neste momento o acordo [com o Mercosul]. Então, eu tive uma conversa por telefone com ela, ela disse textualmente que, no começo de janeiro, ela estará pronta para assinar”, completou o petista.
Lula reforçou a expectativa de oficialização da parceria em janeiro de 2026. “O acordo será firmado, e eu espero que seja assinado, quem sabe, no primeiro mês da presidência do Paraguai, pelo companheiro Santiago Peña. Vamos torcer que as coisas aconteçam para o bem do nosso Mercosul, do multilateralismo e para o desenvolvimento dos nossos países”, concluiu.
Entenda
As negociações formais da parceria foram concluídas em dezembro do ano passado e, em setembro de 2025, o acordo recebeu validação da União Europeia. A implementação, no entanto, ainda depende da aprovação dos países-membros, processo que enfrenta resistência principalmente da França e da Itália.
As dificuldades têm origem, sobretudo, em setores agrícolas europeus e em divergências sobre normas ambientais. O agronegócio francês classifica a parceria como “inaceitável”, por temer concorrência considerada desleal com produtos sul-americanos.
Autoridades francesas também criticam a diferença de padrões ambientais e sanitários, ao alegar que a importação de mercadorias sem exigências equivalentes às europeias criaria competição desigual.
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