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Lula faz apelo a governos mundiais: ‘Hora de colocar os pobres no orçamento’

Declaração do presidente brasileiro foi feita durante Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Lula apela a líderes mundiais para alocar recursos contra fome e pobreza.
  • O Brasil saiu do Mapa da Fome devido a políticas de transferência de renda e fortalecimento da agricultura.
  • Na COP30, pretende-se lançar uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima.
  • Enfatiza a urgência da ação e a necessidade de investimentos para combater a pobreza extrema até 2030.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Lula participa de Fórum Mundial Contra a Fome nesta segunda Ricardo Stuckert / PR - 12.10.2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez dois apelos aos líderes mundiais, nesta segunda-feira (13), durante discurso de encerramento na Segunda Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza.

Lula pediu para os bancos multilaterais e os países doadores de recursos contra a fome que os valores disponíveis sejam mobilizados para enfrentar os desafios reais da humanidade. E, falando diretamente aos governantes, afirmou que “é hora de colocar os pobres no orçamento”.

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“A inclusão social não pode ser apenas uma promessa — ela precisa estar refletida na arquitetura fiscal, nos investimentos públicos e nos planos de transformação produtiva", disse.

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No discurso, o petista reforçou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) “por conta de políticas integradas de transferência de renda, fortalecimento da agricultura familiar, merenda escolar, geração de empregos e aumento de salário-mínimo”.

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“Instituímos ainda um Plano Nacional de Cuidados que deve tirar o fardo do trabalho doméstico e não remunerado das mulheres. Neste mês, a Câmara de Deputados aprovou a isenção do imposto de renda para quem ganha até aproximadamente mil dólares mensais, e o aumento de 10% para quem ganha mais de 100 mil dólares por ano”, listou.

Lula está em Roma desde domingo, onde participa, também nesta segunda, do Fórum Mundial da Alimentação da ONU.

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Outros pontos do discurso de Lula

COP30

Lula reforçou o objetivo de adotar, na COP30 que será realizada em novembro, em Belém, uma “Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima”.

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“A segurança alimentar precisa estar no centro da ação climática. As Contribuições Nacionalmente Determinadas precisam incluir proteção social, resiliência do pequeno produtor e soluções que gerem renda e preservem a biodiversidade”, disse.

Segundo o presidente, “somente um novo modelo de desenvolvimento justo e sustentável poderá assegurar um futuro para as próximas gerações”.

“Nesse futuro, nenhuma mulher ou homem terá que trabalhar sem se alimentar; nenhuma criança deve estudar com fome; nenhum agricultor deve sofrer com falta de crédito ou de assistência técnica; e ninguém deve viver sem acesso à água”, defendeu.

Aliança Global

O chefe do Executivo brasileiro também disse que a fome é uma prova dolorosa de que “falhamos como comunidade global”.

“Vivemos em um mundo hiperconectado, com inteligência artificial, avanços científicos e até planos de habitar a lua. Mas a persistência da fome e da pobreza são as provas mais dolorosas de que falhamos como comunidade global”, disse.

“Foi com esse senso de urgência que o Brasil, ao assumir a presidência do G20, propôs a criação desta Aliança Global”, acrescentou.

De acordo com Lula, a fórmula é simples:

1) Reunir políticas públicas que deram certo

2) Articular essas políticas com recursos e conhecimento

3) Apostar em cooperação, sem condicionalidades e

4) Garantir que a adaptação e a implementação de programas seja liderada pelos países receptores.

“O objetivo é dobrar esforços para o cumprimento das Metas 1 e 2 da Agenda 2030. Em apenas um ano de funcionamento da Aliança, alcançamos 200 membros: 103 países, 53 fundações e ONGs, 30 organizações internacionais e 14 instituições financeiras”, comemorou.

Investimento

O chefe do Palácio do Planalto, contudo, foi firme: “Sem recursos financeiros não haverá transformação”.

“Ano passado, a ajuda oficial ao desenvolvimento registrou uma queda de 23% em relação aos níveis pré-pandêmicos. Essa retração atinge em cheio os países mais pobres e endividados, sobretudo na África, onde a insegurança alimentar cresceu de forma alarmante”, citou.

Lula destacou que, “se não agirmos com urgência, em 2030 ainda teremos quase 9% da população mundial vivendo em situação de extrema pobreza”.

Entenda

A Reunião do Conselho de Campeões reuniu ministros, representantes de governos, agências da ONU, bancos multilaterais e organizações da sociedade civil. O encontro avaliou o progresso da iniciativa desde sua criação, em 2024.

O encontro também discutiu os desdobramentos da Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, proposta feita pela Presidência brasileira da COP30, que será lançada em novembro, durante a Cúpula de Líderes na capital paraense.

A Aliança Global prepara, ainda, a Primeira Cúpula de Líderes, marcada para 3 de novembro, em Doha, no Catar, à margem da Segunda Cúpula de Desenvolvimento Social das Nações Unidas. O encontro reunirá chefes de Estado e de Governo para anunciar novos compromissos de financiamento e cooperação internacional no combate à fome e à pobreza.

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