Lula volta a defender autonomia comercial e sugere alternativas ao dólar em acordos
Presidente também defendeu a regulamentação da IA, focando na necessidade de leis que limitem os efeitos negativos da tecnologia
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta sexta-feira (20) a substituição do dólar em acordos comerciais com outros países e com blocos econômicos, como o Brics, por exemplo. Segundo o petista, a aposta não seria na criação de uma moeda única, mas, sim, no uso de uma unidade alternativa.
A sugestão já havia gerado, em 2024, uma tensão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou a iniciativa e exigiu um compromisso dos Brics para não criar ou apoiar qualquer outra moeda que substitua o dólar americano.
“O que eu defendo é que podemos usar nossas próprias moedas. É difícil? Sim, é difícil, mas podemos tentar. Ninguém precisa depender do dólar, mas também não se pode desfazer esse sistema da noite para o dia. O que queremos ver é se é possível negociar com a China usando a moeda brasileira e a moeda chinesa”, disse Lula durante uma entrevista para o India Today TB.
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A iniciativa, em discussão desde 2023, foi proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de reduzir a dependência do dólar e amenizar os custos operacionais de transações que envolvem os países do bloco. Apesar de ambiciosa e estratégica, especialistas apontam que a viabilidade da proposta enfrenta desafios estruturais e políticos.
Lula está na Ásia, onde cumpre uma agenda voltada ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com a Índia e Coreia do Sul.
Regulamentação IA
Além da discussão sobre uma opção alternativa ao dólar, o presidente também defendeu a regulamentação da Inteligência Artificial. Para Lula, são necessárias leis focadas em limitar os efeitos negativos da tecnologia.
“Precisamos de regulamentações muito rígidas e acreditamos que essa regulamentação deve ser feita por meio de uma instituição multilateral do porte das Nações Unidas. Ela deve ser regulamentada para proteger, acima de tudo, crianças, adolescentes e mulheres, pois não podemos permitir que a inteligência artificial seja usada para fins negativos, que causem danos e prejuízos à vida íntima das pessoas ou que incitem violência contra elas”, disse.
Como mostrou o R7 Planalto, o governo estuda separar a MP (Medida Provisória) do Redata do PL que regula o uso de IA (Inteligência Artificial) no Brasil.
A expectativa da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), conforme fontes ouvidas pelo R7 Planalto, é aprovar a medida provisória do Redata, que já é um projeto complexo, para depois focar na regulação da inteligência artificial.
A regulamentação das redes digitais também foi um ponto mencionado por Lula, que disse que, em caso de crimes, a plataforma deve ser punida e levada a julgamento pelo órgão regulador.
“E a plataforma, quando divulga algo de violência contra qualquer pessoa, deve ser punida e levada a julgamento pelo órgão regulador. Caso contrário, não conseguiremos lidar com o problema. Então, temos essa forte decisão tomada no Brasil de que queremos que a democracia seja exercida no mundo real e também no mundo digital”, completou.
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