Mãe de Marielle após julgamento: ‘Saímos hoje de cabeça erguida’
Familiares da vereadora assassinada passaram mal durante sessão; as penas dos cinco condenados variam de 9 a 76 anos
Brasília|Gabriela Coelho e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A família de Marielle Franco comemorou, nesta quarta-feira (25), o desfecho do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre os mandantes dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018.
Para Marinete Silva, mãe de Marielle, as penas dadas no julgamento são um “alívio”.
“É um dia histórico, com mais um dever cumprido. Hoje tivemos a resposta e é um alívio. Porque pergunta ‘quem mandou matar Marielle’ ecoava no mundo, e saímos hoje de cabeça erguida. Saímos com o coração acalentado”, afirmou.
A mãe da vereadora lembrou da luta “incansável” para mostrar ao mundo quem foram Marielle e Anderson. “Agradeço por estar viva e digo que é possível acreditar numa instituição séria numa democracia. A gente não pode mais passar por isso”, continuou.
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Nas palavras de Mônica Benício, viúva de Marielle, chamou atenção também para o recado político e social. “O que nós perdemos é irreparável, mas a democracia precisa ser reparada. Que o caso da Marielle possa servir como um recado que não haverá impunidade. O STF quebra um ciclo de punitivismo seletivo”, apontou.
Familiares sentem-se mal
Durante a sessão, Marinete passou mal e, aos prantos, foi atendida por brigadistas da Corte. Ela estava com a pressão arterial em 17 x 12. Após cerca de meia hora, voltou à sala para acompanhar o restante do julgamento.
Pouco depois, no mesmo local, Luyara, filha de Marielle, passou mal e foi levada de cadeira de rodas a uma tenda de atendimento em saúde.
O pai da vereadora, Antônio Francisco da Silva Neto, também passou mal e agradeceu à cobertura da morte de sua filha. “Tive um pico de pressão e não estou me sentindo bem. Quero agradecer a cobertura nesses quase 8 anos de angústia e chegamos hoje numa decisão.”
“Recado para uma parcela da sociedade”
Ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco comentou a decisão do Supremo. Emocionada, a ministra disse que a violência política de gênero precisa acabar.
“Meus pais e minha sobrinha não se sentiram bem. Tem sido um peso, mas queria tirar do meu peito uma fala que ecoa no meu coração: isso também é um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. A Marielle foi tirada da gente em uma quarta-feira, que nem hoje. Todas as vezes que falamos de justiça, as pessoas debochavam. Eu jurei que ia honrar a minha irmã. A violência política de gênero precisa ser aniquilada”, declarou.
Fernanda Chaves, ex-assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, também apontou a decisão histórica tomada pelo STF. “O recado é que isso não vai ser mais tolerado. Depois de quase uma década, tivemos a resposta”, apontou.
Penas e indenização de R$ 7 milhões
Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão foram condenados como mandantes do crime. Cada um recebeu pena de 76 anos e 3 meses de prisão, sendo:
O major da PM Ronald Paulo de Alves Pereira também foi condenado pelos homicídios e recebeu pena de 56 anos de prisão em regime fechado.
Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução à Justiça e corrupção passiva, com pena de 18 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado, e 360 dias-multa (1 salário-mínimo).
Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ, foi condenado por participação em organização criminosa e recebeu 9 anos de reclusão e 200 dias-multa.
Além dessas penas, os condenados deverão pagar indenização às famílias de Marielle e Anderson e à vítima Fernanda, em valor fixado em R$ 7 milhões pelo Supremo.
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