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Especialistas veem risco de judicialização em PEC paralela sobre maioridade penal

Redução da maioridade penal será discutida em proposta paralela; medida pode facilitar aprovação da PEC

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília e Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Especialistas alertam para risco de judicialização na PEC da maioridade penal, propondo redução de 18 para 16 anos.
  • Separação do tema da proposta de segurança pública pode aumentar questionamentos sobre a constitucionalidade no STF.
  • Trecho sobre a redução da maioridade foi retirado da PEC principal, seguindo para uma proposta paralela.
  • Uma nova comissão especial será criada para debater a questão, com expectativa de avanço ainda neste semestre.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tema sai da PEC e passa a tramitar separadamente para evitar impasses Lula Marques/Agência Brasil- 04.03.2026

Especialistas ouvidos pelo R7 veem risco elevado de judicialização caso avance no Congresso Nacional uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos.

Na avaliação deles, a separação do tema da PEC da Segurança Pública pode até ter facilitado a aprovação da matéria pela Câmara dos Deputados nessa quarta-feira (4), mas tende a concentrar o embate jurídico e aumentar a probabilidade de questionamentos no STF (Supremo Tribunal Federal).


Para o advogado Berlinque Cantelmo, ao deixar o “guarda-chuva” de um pacote mais amplo, a redução da maioridade penal ganha contornos próprios e mais ideológicos. “Isso pode reduzir a contaminação política da PEC principal, mas tende a intensificar o embate específico sobre a constitucionalidade da medida”, avalia.

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Ele afirma que, caso aprovada, a medida poderá ser alvo de ações diretas de inconstitucionalidade, diante de divergências sobre a possibilidade de alteração da idade penal por emenda à Constituição.


O cientista político Gabriel Amaral também aponta alta probabilidade de contestação no STF. Segundo ele, parte da doutrina entende que a impossibilidade de responsabilizar criminalmente menores de 18 anos integra o rol de direitos e garantias fundamentais, protegidos por cláusulas pétreas — o que impediria sua modificação por PEC.

Outra corrente, no entanto, sustenta que a mudança é juridicamente possível. “A ausência de consenso indica que, se aprovada, a proposta provavelmente será questionada no Supremo”, afirma.


“PEC Paralela”

Por acordo entre governo e relator, o trecho sobre redução da maioridade penal saiu do texto da PEC da Segurança Pública.

A proposta, sob relatoria do deputado Mendonça Filho (União-PE), incluía a diminuição da idade penal e a realização de referendo em 2028. Com a retirada, o tema seguirá em uma PEC paralela.


Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a medida buscou preservar o foco em mudanças estruturais para reorganização do sistema de segurança pública.

Em entrevista ao R7, o deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA), presidente da comissão especial da PEC da Segurança Pública, disse que o debate sobre reduzir a maioridade penal é relevante e merecedor de aprofundamento.

“O presidente da Casa já se comprometeu a instalar, muito em breve, uma comissão especial específica para tratar da redução da maioridade penal. Estamos confiantes de que esse assunto não será esquecido e será debatido ainda neste semestre”, afirmou.

Mendonça Filho também apoiou a divisão. Para ele, a discussão é “intensa e, muitas vezes, apaixonada”, cenário capaz de afetar o andamento da PEC da Segurança Pública.

“Reconhecemos que essa discussão poderia contaminar o trabalho construído até aqui. Ao tratar o tema em uma proposta paralela, evitamos que todo o esforço de reorganização da estrutura de segurança pública seja prejudicado por um debate que, embora relevante, é extremamente polarizado”, afirmou.

O relator disse que o tema pode avançar a partir de uma proposta que já está em curso na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A nova comissão especial deve ter a presidência de Aluísio Mendes, e a PEC será relatada por Mendonça Filho.

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