Após acordo com UE, Mercosul quer parcerias com Canadá, México, Vietnã, Japão e China, diz Lula
Pacto entre o bloco sul-americano e o europeu vai ser assinado neste sábado, no Paraguai; Brasil será representado por Mauro Vieira
Brasília|Da Reuters
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (16) que o Mercosul busca abrir outros mercados após concluir o acordo comercial com a União Europeia e fazer parcerias com o mundo todo, em especial com Canadá, México, Vietnã, Japão e China.
“Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e construir novas parcerias no mundo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China”, declarou Lula à imprensa ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. O acordo entre Mercosul e UE será assinado neste sábado, em Assunção, no Paraguai.
Após reunião fechada com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Lula voltou a exaltar o pacto como um exemplo de multilateralismo e afirmou que a medida é boa para os dois blocos e para os defensores da democracia no mundo.
“O acordo que vai ser assinado amanhã em Assunção, no Paraguai. É bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é bom, e muito bom, sobretudo para o mundo democrático e para multilateralismo”, ressaltou o presidente brasileiro.
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Após 25 anos de idas e vindas, o acordo comercial entre os dois blocos será assinado no Paraguai, que detém a presidência temporária do Mercosul, sem a presença de Lula: o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Lula pretendia que o pacto fosse assinado no final do ano passado, durante um encontro de cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR), quando o Brasil estava com a presidência do bloco. Na época, no entanto, a Itália apresentou discordâncias e, como não seria possível aprovar o acordo na UE sem o apoio italiano, a assinatura foi adiada.
No início deste ano, após concessões ao setor agrícola europeu, a Itália voltou a apoiar a parceria e, apesar de uma forte oposição da França — onde o setor agrícola tem grande força política —, os Estados-membros da UE aprovaram na semana passada a assinatura.
O pacto deve impulsionar substancialmente os laços comerciais entre os dois blocos, mas foi alvo de fortes protestos na Europa, principalmente por parte de agricultores franceses.
Pacto ajuda a compensar perdas
Com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abalando o comércio global, a Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha argumentam que o acordo com o Mercosul ajudará a compensar perdas comerciais causadas pelas tarifas de importação dos EUA e reduzirá a dependência da China, garantindo, por exemplo, o acesso a minerais essenciais.
Em nota após a reunião entre Lula e Von der Leyen, o Ministério das Relações Exteriores declarou que o acordo UE-Mercosul “assume especial relevância no atual contexto internacional marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo, ao reafirmar a importância do comércio internacional como vetor de crescimento econômico”.
O pacto comercial reduzirá as tarifas, com o objetivo de expandir o comércio entre os dois blocos, que somou US$ 100,1 bilhões em 2025, com fluxo equilibrado entre os dois lados.
Uma vez assinado, deverá ser votado pelo Parlamento Europeu, o que deve ocorrer em abril ou maio. O resultado provavelmente será apertado. Se a assembleia da UE aprovar o acordo, ele provavelmente entrará em vigor alguns meses depois.
Em entrevista nessa quinta-feira (15) ao programa Bom Dia, Ministro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse esperar que o Congresso brasileiro aprove o acordo no primeiro semestre e que ele entre em vigor no segundo semestre do ano.
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