Mercosul-UE: início antecipado tem impacto moderado no comércio e acende alerta no agro
Parte comercial pode entrar em vigor antes da aprovação total; para especialistas, abertura será gradual e exige preparo técnico do setor
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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A União Europeia autorizou a aplicação provisória da parte comercial do acordo com o Mercosul, medida adotada enquanto o tratado ainda passa por processos de ratificação. O anúncio ocorre em meio ao debate no Congresso brasileiro sobre o pacto, negociado por mais de 25 anos e assinado em 17 de janeiro.
O acordo prevê a criação de uma área de livre comércio entre os blocos, com redução gradual de tarifas. Mercosul e União Europeia somam um PIB (Produto Interno Bruto) estimado em R$ 116 trilhões.
Transição gradual
Para Jackson Campos, especialista em comércio exterior, o início antecipado não significa mudança imediata no fluxo de mercadorias. “O que pode entrar em vigor agora é apenas a parte comercial do acordo, por meio de aplicação provisória. Não significa tarifa zero imediata para tudo”, explica.
Ele acrescenta que os cortes seguem cronogramas graduais. “O efeito inicial tende a ser mais de previsibilidade do que de transformação abrupta do comércio”, avalia.
Campos ressalta, ainda, o mecanismo de vigência prévia contido na legislação europeia. “A aplicação provisória é um instrumento legal no direito europeu. Porém, há debate político e análise jurídica em curso, o que mantém algum grau de incerteza.”
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Padrões exigidos
No agronegócio, a avaliação é positiva, principalmente pela possibilidade de ampliar o acesso ao mercado europeu. Ainda assim, o especialista faz um alerta: “Muitas concessões são graduais e há cotas e mecanismos de salvaguarda. Se o setor não se preparar tecnicamente e comercialmente, pode perder parte do potencial ganho.”
Jackson Campos também lembra que exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade continuam sendo determinantes para a entrada de produtos brasileiros na Europa.
Cenário no bloco europeu
O internacionalista Vito Villar, coordenador de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, avalia que a principal repercussão da vigência antecipada ocorre dentro do próprio bloco europeu.
“A aplicação provisória de acordos de livre comércio não é prática comum em cenário de dissenso institucional”, salienta, reforçando que a medida gera mais instabilidade política interna na União Europeia do que impacto direto imediato no Brasil.
Villar destaca também que o cronograma de desgravação tarifária está bem definido. “As tarifas serão reduzidas bilateralmente em um período que pode chegar a 15 anos, dependendo do produto. Nesse sentido, não há preocupação com falta de programação.”
O especialista aponta, porém, um ponto de atenção. “A maior preocupação pode surgir caso a União Europeia acione salvaguardas agrícolas para rever concessões, se houver impacto relevante sobre produtores locais”, alerta.
📌Desgravação tarifária é o processo de redução progressiva e programada dos impostos de importação entre os países signatários.
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