Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Mercosul-UE: início antecipado tem impacto moderado no comércio e acende alerta no agro

Parte comercial pode entrar em vigor antes da aprovação total; para especialistas, abertura será gradual e exige preparo técnico do setor

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A União Europeia autorizou a aplicação provisória da parte comercial do acordo com o Mercosul.
  • O acordo, negociado por mais de 25 anos, visa a criação de uma área de livre comércio entre os blocos.
  • Especialistas alertam para a necessidade de observância de regras ambientais e salvaguardas agrícolas.
  • A aplicabilidade precoce pode gerar incertezas políticas e um fluxo gradual de mercadorias, sem tarifas zero imediatas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Acordo prevê cotas e salvaguardas que demandam adequação técnica do setor agrícola brasileiro Wenderson Araujo/CNA - Arquivo

A União Europeia autorizou a aplicação provisória da parte comercial do acordo com o Mercosul, medida adotada enquanto o tratado ainda passa por processos de ratificação. O anúncio ocorre em meio ao debate no Congresso brasileiro sobre o pacto, negociado por mais de 25 anos e assinado em 17 de janeiro.

O acordo prevê a criação de uma área de livre comércio entre os blocos, com redução gradual de tarifas. Mercosul e União Europeia somam um PIB (Produto Interno Bruto) estimado em R$ 116 trilhões.


Transição gradual

Para Jackson Campos, especialista em comércio exterior, o início antecipado não significa mudança imediata no fluxo de mercadorias. “O que pode entrar em vigor agora é apenas a parte comercial do acordo, por meio de aplicação provisória. Não significa tarifa zero imediata para tudo”, explica.

Ele acrescenta que os cortes seguem cronogramas graduais. “O efeito inicial tende a ser mais de previsibilidade do que de transformação abrupta do comércio”, avalia.


Campos ressalta, ainda, o mecanismo de vigência prévia contido na legislação europeia. “A aplicação provisória é um instrumento legal no direito europeu. Porém, há debate político e análise jurídica em curso, o que mantém algum grau de incerteza.”

Leia mais

Padrões exigidos

No agronegócio, a avaliação é positiva, principalmente pela possibilidade de ampliar o acesso ao mercado europeu. Ainda assim, o especialista faz um alerta: “Muitas concessões são graduais e há cotas e mecanismos de salvaguarda. Se o setor não se preparar tecnicamente e comercialmente, pode perder parte do potencial ganho.”


Jackson Campos também lembra que exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade continuam sendo determinantes para a entrada de produtos brasileiros na Europa.

Cenário no bloco europeu

O internacionalista Vito Villar, coordenador de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, avalia que a principal repercussão da vigência antecipada ocorre dentro do próprio bloco europeu.


“A aplicação provisória de acordos de livre comércio não é prática comum em cenário de dissenso institucional”, salienta, reforçando que a medida gera mais instabilidade política interna na União Europeia do que impacto direto imediato no Brasil.

Villar destaca também que o cronograma de desgravação tarifária está bem definido. “As tarifas serão reduzidas bilateralmente em um período que pode chegar a 15 anos, dependendo do produto. Nesse sentido, não há preocupação com falta de programação.”

O especialista aponta, porém, um ponto de atenção. “A maior preocupação pode surgir caso a União Europeia acione salvaguardas agrícolas para rever concessões, se houver impacto relevante sobre produtores locais”, alerta.

📌Desgravação tarifária é o processo de redução progressiva e programada dos impostos de importação entre os países signatários.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.