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Ministro do STJ acusado de importunação sexual pede afastamento de 90 dias

Documento médico revela uma série de doenças cardíacas de Marco Aurélio Buzzi, além de acompanhamento psiquiátrico

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro do STJ, Marco Aurélio Buzzi, pediu afastamento de 90 dias para tratar de problemas de saúde em meio a uma acusação de importunação sexual.
  • Documentos médicos revelaram que ele tem histórico de doenças cardíacas e acompanhamento psiquiátrico necessário.
  • A denúncia envolve um episódio de contato físico indesejado com uma jovem de 18 anos durante uma viagem a Santa Catarina.
  • A investigação corre no STF, e o advogado da jovem espera rigor na apuração do caso.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Documento médico diz que, por causa da combinação de tratamentos psiquátrico e cardíaco, Buzzi precisa se afastar Rafael Luz/STJ - 03.12.2024

O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marco Aurélio Buzzi, denunciado por importunação sexual contra uma jovem de 18 anos, solicitou afastamento do cargo por 90 dias para tratamento de saúde. O pedido ocorre em meio à investigação sobre o caso, registrado em Santa Catarina.

Segundo documentos médicos apresentados, Buzzi possui histórico de doenças cardíacas, como hipertensão arterial sistêmica, miocardiopatia hipertrófica com implante de cardiodesfibrilador, doença arterial coronariana com angioplastia prévia, episódios de tromboembolismo pulmonar e diabetes.


O texto também aponta necessidade de acompanhamento psiquiátrico, com ajuste gradual de medicação para evitar riscos à saúde cardíaca.

Na noite de segunda-feira (9), o ministro divulgou carta endereçada aos colegas de Corte. No documento, afirmou ter ficado “muito impactado” com as notícias, declarou repúdio às acusações e disse que vai demonstrar a própria inocência.


Segundo ele, há internação em curso, “sob acompanhamento cardíaco e emocional”.

“De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, escreveu.“Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.”


Buzzi acrescentou que esse histórico “não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica”, o que, segundo ele, exige cautela “na apreciação das graves acusações”.

“Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar”, completou, antes de agradecer aos que lhe “franquearam o benefício da dúvida”.


Relato da denunciante

De acordo com o depoimento prestado à polícia, o episódio ocorreu durante uma viagem ao litoral de Santa Catarina. A jovem, os pais e o ministro passavam férias juntos em uma casa do magistrado.

Segundo o relato, durante um banho de mar, Buzzi teria convidado a jovem a caminhar até um ponto mais afastado da praia.

Ainda conforme o depoimento, o ministro teria feito elogios à aparência dela e, em uma área fora do campo de visão das pessoas, conduzido a jovem para uma parte mais funda do mar, onde teria ocorrido o contato físico indesejado.

A jovem relatou que a mãe atua como advogada em tribunais superiores e mantinha relação profissional e de amizade com o ministro, circunstância que aproximou as famílias.

Após o episódio, ela afirmou ter chorado, contado o ocorrido aos pais e passado a enfrentar dificuldades para dormir, com pesadelos frequentes.

Atualmente, a denunciante realiza acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Defesa da jovem

O advogado Daniel Bialski, representante da jovem e da família, declarou esperar a apuração dos fatos pelos órgãos competentes.

“Informamos que, neste momento, o mais importante é preservá-los [a jovem e os parentes] diante do gravíssimo ato praticado. Aguardamos rigor nas apurações”, afirmou.

A investigação criminal tramita no Supremo Tribunal Federal, em razão do cargo ocupado pelo ministro. O caso também deve gerar desdobramentos nas esferas administrativa e disciplinar.

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