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Moraes recua e barra visita de conselheiro de Trump a Bolsonaro

Ministro tomou decisão após Itamaraty alertar que visita poderia configurar ‘indevida ingerência’ no Brasil em ano eleitoral

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro do STF, Alexandre de Moraes, cancelou a visita de Darren Beattie, conselheiro de Trump, a Jair Bolsonaro.
  • A decisão foi tomada após o Itamaraty alertar sobre possível "indevida ingerência" nos assuntos internos do Brasil.
  • O chanceler Mauro Vieira informou que a visita não se enquadrava nos objetivos comunicados pelo Departamento de Estado dos EUA.
  • Moraes enfatizou que a concessão do visto para Beattie foi baseada somente na justificativa oficial do governo americano.

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Darren Beattie é assessor do governo Trump U.S. Department of State

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes voltou atrás e desautorizou a visita de Darren Beattie, conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha.

Moraes tinha permitido que o encontro ocorresse em 18 de março, mas reconsiderou a decisão dele após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertar que a visita poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos” do Brasil em ano eleitoral.


O chanceler também disse a Moraes que o pedido de visita ao ex‑presidente não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado.

Vieira disse ainda que o visto de entrada no Brasil para Beattie foi concedido com base em pedido que indicava a participação do funcionário do Departamento de Estado em evento para promover as relações bilaterais e em reuniões oficiais.


Segundo Vieira, o governo americano informou que Beattie viajaria ao Brasil “para uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro”. De acordo com o chanceler, uma eventual visita de Beattie a Bolsonaro não foi informada previamente.

“A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive, poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, destacou Moraes ao mudar a própria decisão.


“O processamento e a concessão do visto ocorreram, exclusivamente, com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América”, pontuou o ministro.

Bolsonaro queria visita em dia diferente

Após Moraes autorizar a visita de Beattie, a defesa de Bolsonaro pediu que o encontro fosse remarcado para o dia 16 ou 17.


Os advogados do ex-presidente pediram a reconsideração do dia e do horário da conversa em virtude de “agenda diplomática a ser realizada pelo visitante”.

Ao apresentar o pedido para Bolsonaro ser visitado por Beattie, a defesa já tinha pedido para que o encontro acontecesse em 16 ou 17 de março, mas Moraes recusou, lembrando que Bolsonaro só pode receber visitas às quartas-feiras e aos sábados.

“Não há previsão legal ou excepcionalidade para realizar alteração específica de dia de visitação, para segunda (16/3) ou terça (17/3) feiras, conforme solicitado pela Defesa, uma vez que os visitantes devem ser adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário, no sentido de resguardar a organização administrativa e a segurança.”

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