Motta aposta em aliança de 12 partidos para manter comando da Câmara
Presidente da Casa se antecipou ao avanço do PL, que terá a maior bancada em 2027; partidos do Centrão tentam preservar influência sobre a Casa
Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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Com a perspectiva de enfrentar um candidato do PL ou apoiado pelo partido, que elegeu a maior bancada de deputados, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se antecipou ao resultado do segundo turno presidencial e começou a construir sua campanha à reeleição nas últimas semanas. O deputado já contabiliza o apoio anunciado de 12 partidos para tentar a reeleição em fevereiro de 2027.
O movimento começou durante a campanha de segundo turno, quando o partido de Flávio ampliou sua força no Congresso e passou a defender uma candidatura própria para substituir Motta.
O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro. Apesar de não ter votos suficientes para eleger sozinho o presidente da Casa, poderá negociar com outras legendas para disputar o cargo.
Diante desse cenário, Motta se antecipou e buscou apoio do Centrão, grupo que também viu parte de seu espaço político ser ocupado pelo crescimento do PL.
Aliança antes do segundo turno
Em 14 de outubro, dirigentes e líderes de dez partidos anunciaram apoio à reeleição de Motta. O grupo reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD.
Na semana seguinte, PSB e PDT também declararam apoio ao deputado paraibano, elevando para 12 o número de legendas que respaldam sua recondução.
Juntos, os partidos representam mais da metade das cadeiras da próxima legislatura, considerando a composição anunciada após as eleições.
O apoio, porém, não significa que todos os parlamentares votarão em Motta. A eleição para a Presidência da Câmara é secreta, e os compromissos assumidos pelas direções partidárias ainda precisarão ser confirmados pelos deputados.
A Presidência da Câmara tem papel decisivo na definição das propostas que serão votadas, na escolha de prioridades e na negociação com o governo federal.
Para o Centrão, manter Motta no comando também significa preservar influência sobre a pauta legislativa, as comissões e os espaços de negociação dentro da Casa.
PL avalia candidatura própria
O crescimento da bancada bolsonarista provocou discussões sobre o lançamento de um candidato do PL à Presidência da Câmara.
Dois nomes ganharam espaço: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido e ligado à bancada evangélica, e Altineu Côrtes (PL-RJ), atual primeiro-vice-presidente da Casa.
Nas articulações mais recentes, o nome de Altineu passou a ser considerado como alternativa para uma eventual candidatura própria, enquanto Sóstenes ficou associado à coordenação política da bancada.
A definição, porém, ainda depende das negociações internas e de uma decisão da direção partidária.
Durante o segundo turno, o PL chegou a concentrar suas atenções na Presidência do Senado, diante da expectativa de que Flávio vencesse a eleição presidencial.
Com a vitória de Lula, o partido terá de reavaliar sua estratégia para as duas Casas, inclusive se vale a pena enfrentar Motta na Câmara ou negociar espaços na próxima Mesa Diretora.
De 444 votos à nova disputa
Motta foi eleito presidente da Câmara em 1º de fevereiro de 2025, com 444 votos, em primeiro turno.
Na ocasião, recebeu apoio de um bloco de 17 partidos que reunia 494 deputados, incluindo PL e PT.
A ampla aliança permitiu que chegasse à votação praticamente sem enfrentar resistência organizada dos principais partidos.
Agora, o cenário é diferente.
O PL deixou de integrar a articulação pela reeleição e se tornou a maior bancada da Câmara, enquanto partidos de centro e de esquerda passaram a se aproximar para impedir uma mudança no comando.
Motta também manteve uma relação de diálogo com Lula durante a campanha presidencial, apesar de seu partido, o Republicanos, ter anunciado apoio a Flávio no segundo turno.
O que está em jogo
A vitória de Lula reforça a importância da Presidência da Câmara para a governabilidade a partir de 2027.
O presidente reeleito precisará negociar com uma composição parlamentar em que a direita ganhou espaço, enquanto o Centrão seguirá desempenhando papel importante na formação de maiorias.
Para o PL, conquistar a Presidência significaria ampliar sua capacidade de influenciar a agenda legislativa e impor dificuldades ao Executivo.
Para os partidos que apoiam Motta, a recondução pode funcionar como uma forma de preservar o equilíbrio de forças e evitar que a maior bancada também concentre o controle da pauta.
A eleição está prevista para 1º de fevereiro de 2027.
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