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Narcoterrorismo x facção criminosa: por que Rio e governo federal usam termos diferentes?

Direita tem usado a primeira expressão em alinhamento ao discurso de Donald Trump, que levantou guerra aos traficantes

Brasília|Thays Martins, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A discussão sobre segurança pública no Rio de Janeiro é dominada pelo uso do termo "narcoterrorismo" pelo governador Cláudio Castro após uma megaoperação contra o Comando Vermelho.
  • O governo federal, representado pelo ministro Ricardo Lewandowski, não apoia o uso do termo, afirmando que facções criminosas e terrorismo são conceitos diferentes.
  • Estuda-se um projeto de lei para incluir o tráfico de drogas na definição de terrorismo, que atualmente não abrange atividades narcotraficantes.
  • O termo "narcoterrorismo" é defendido por setores da direita, alinhados ao discurso de Donald Trump, que critica essa classificação como justificativa para intervenções militares.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ricardo Lewandowski e Cláudio Castro divergem do uso do termo Fernando Frazão/Agência Brasil - 29/10/2025

As facções criminosas voltaram a ocupar o centro das discussões sobre segurança pública após a megaoperação contra o Comando Vermelho, conduzida pelas polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro. A ação deixou 121 mortos e levou o governador Cláudio Castro (PL) a classificar os integrantes da organização como “narcoterroristas”.

O termo, entretanto, não recebe respaldo do governo federal. “Uma coisa é terrorismo, outra são facções criminosas”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ao comentar o assunto.

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O conceito de narcoterrorismo, utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não consta no ordenamento jurídico brasileiro. Ele descreve uma intersecção entre narcotráfico e terrorismo.

No Brasil, há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que propõe ampliar a definição de terrorismo prevista na Lei Antiterrorismo para incluir o tráfico de drogas ilícitas.

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Atualmente, terrorismo abrange atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, cometidos para gerar terror social ou generalizado, expondo pessoas, patrimônio ou a ordem pública a risco.

Facções criminosas, por outro lado, consistem em grupos organizados, com hierarquia e divisão de tarefas, que se unem para cometer crimes visando lucro ou controle territorial.

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“Terrorismo envolve sempre uma motivação ideológica, atuação política e repercussão social. Facções criminosas são formadas por pessoas que praticam sistematicamente crimes previstos no Código Penal. Por isso, identificar uma facção criminosa é simples”, explicou Lewandowski.

Organizações criminosas no Brasil

Levantamento da Secretaria Nacional de Políticas Penais de 2024 indica existência de pelo menos 88 organizações criminosas no Brasil. Entre elas, Comando Vermelho e PCC (Primeiro Comando da Capital) se destacam por atuação quase nacional.

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Adilson Paes de Souza, pós-doutorando em psicologia social pela USP e pesquisador em letalidade policial, afirma que não é possível classificar facções como terroristas.

“Toda organização terrorista é criminosa, mas nem toda organização criminosa é terrorista. Grupos terroristas buscam derrubar governos ou regimes, ou possuem raízes ideológicas ou religiosas, como o Talibã. Comando Vermelho e PCC buscam controle territorial e lucro, com tráfico de drogas e armas, roubos e lavagem de dinheiro”, detalha.

A mesma opinião é compartilhada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, Azor Lopes da Silva Júnior.

“O que o governador chama de ‘narcoterrorismo’ não se enquadra no conceito jurídico de terrorismo, ainda que os métodos empregados sejam semelhantes, pois a motivação é diferente”, destacou.

Narcoterrorismo e política internacional

Adilson Paes de Souza observa que setores mais à direita têm adotado o termo narcoterrorismo alinhados ao discurso de Trump, que utiliza a expressão para justificar ações das forças de segurança no Caribe — operação criticada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Se a moda pega, cada país invadiria o território do outro à vontade. Onde fica o respeito à soberania?”, questionou Lula, defendendo a integridade territorial dos países.

Segundo Adilson, o objetivo de Trump é levar a OEA a classificar facções sul-americanas como terroristas, abrindo caminho para intervenção militar dos EUA. “Se o Brasil aceitar essa classificação, forças estrangeiras poderiam agir em nosso território”, alertou.

Nesse contexto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sugeriu em redes sociais que Trump deveria bombardear navios no Brasil.

“Ouvi dizer que há barcos como esse na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, inundando o país de drogas. Não gostariam de passar alguns meses aqui ajudando a combater essas organizações terroristas?”, escreveu.

Na quinta-feira (30), o governo argentino de Javier Milei também classificou integrantes do Comando Vermelho como “narcoterroristas” e anunciou reforço nas fronteiras para impedir fugas pelo país.

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