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Operação Unha e Carne: como esquema criminoso teria tentado ‘capturar’ órgãos públicos

Suspeitos contavam com ajuda de servidores para conseguir informações privilegiadas e proteger as atividades

Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Operação Unha e Carne investiga esquema criminoso que tentava "capturar" órgãos públicos com ajuda de servidores.
  • Márcio Canella e Marcus Vinicius, presos, são apontados como líderes do esquema, facilitando atividades ilegais e lavagem de dinheiro.
  • Servidores públicos vazavam informações sigilosas para proteger a organização criminosa e minimizar efeitos de fiscalizações.
  • Crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e venda ilegal de combustíveis.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Grupo usava órgãos públicos e estruturas institucionais para facilitar crimes Divulgação/Polícia Federal

O esquema criminoso investigado pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne tentou “capturar” órgãos públicos por meio de uma articulação política e institucional, além de infiltração de agentes públicos de alto escalão. O objetivo era garantir a proteção das atividades ilegais e facilitar a lavagem de dinheiro.

O inquérito, relatado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, foi instaurado para apurar indícios de crimes e investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.

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Além do deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella, e do ex-presidente do Detran-RJ e ex-secretário de Polícia Civil do Estado, Marcus Vinicius Amim Fernandes, presos nesta quinta-feira (15), outros servidores estavam envolvidos para viabilizar o esquema. Pelo menos quatro pessoas eram diretamente responsáveis pelo vazamento de informações.

Canella é apontado como patrono político e articulador de alto escalão da organização criminosa. As investigações indicam que ele teria atuado na indicação de agentes para cargos estratégicos da administração pública.

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Marcus Vinicius Amim, por sua vez, atuava como importante operador institucional da organização criminosa, utilizando-se dos cargos de direção no Detran e na Secretaria de Polícia Civil para conferir proteção às atividades ilícitas.

Vazamento de informações

Segundo a PF, Fábio Henrique Ferreira dos Santos, escrivão da Polícia Federal, mantinha contato com Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo e apontado como integrante do núcleo central da organização criminosa.

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Fábio tinha acesso a sistemas, dados e informações protegidos por sigilo funcional, relacionados a procedimentos investigativos conduzidos pela corporação.

“Os registros telefônicos são apontados como indícios da manutenção de canal direto de comunicação entre o agente público e integrante da organização criminosa, circunstância considerada especialmente sensível em razão do acesso do investigado a informações protegidas por sigilo funcional”, diz a PF.

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Edvaldo Ferreira Borges, chamado de “Biscoito” (servidor ligado ao sistema de defesa do consumidor), Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como “Tchetcheco” (servidor do Procon) e Diogo Pacheco do Couto (advogado) colaboravam com a organização criminosa mediante o repasse indevido de informações reservadas. Segundo a Polícia Federal, eles transmitiam informações relativas a cronogramas, equipes e alvos das operações administrativas.

O relatório explica que os alertas encaminhados permitiam que os investigados adotassem providências antecipadas para minimizar os efeitos das fiscalizações, reorganizar operações empresariais e reduzir riscos decorrentes da atuação dos órgãos de controle.

Entre os crimes investigados pela Polícia Federal estão: organização criminosa, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, corrupção ativa e passiva, violação do sigilo funcional e contratação direta ilegal.

O que dizem as defesas?

Em nota, a defesa de Márcio Canella disse “confiar em Deus, na Justiça e ter certeza de que tudo será esclarecido”.

O advogado de Marcus Vinicius Amin informou que aguarda o acesso ao cliente e à decisão para se manifestar.

O R7 tenta contato com os demais citados na reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

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