Operação Unha e Carne: como esquema criminoso teria tentado ‘capturar’ órgãos públicos
Suspeitos contavam com ajuda de servidores para conseguir informações privilegiadas e proteger as atividades
Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília
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O esquema criminoso investigado pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne tentou “capturar” órgãos públicos por meio de uma articulação política e institucional, além de infiltração de agentes públicos de alto escalão. O objetivo era garantir a proteção das atividades ilegais e facilitar a lavagem de dinheiro.
O inquérito, relatado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, foi instaurado para apurar indícios de crimes e investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.
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Além do deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella, e do ex-presidente do Detran-RJ e ex-secretário de Polícia Civil do Estado, Marcus Vinicius Amim Fernandes, presos nesta quinta-feira (15), outros servidores estavam envolvidos para viabilizar o esquema. Pelo menos quatro pessoas eram diretamente responsáveis pelo vazamento de informações.
Canella é apontado como patrono político e articulador de alto escalão da organização criminosa. As investigações indicam que ele teria atuado na indicação de agentes para cargos estratégicos da administração pública.
Marcus Vinicius Amim, por sua vez, atuava como importante operador institucional da organização criminosa, utilizando-se dos cargos de direção no Detran e na Secretaria de Polícia Civil para conferir proteção às atividades ilícitas.
Vazamento de informações
Segundo a PF, Fábio Henrique Ferreira dos Santos, escrivão da Polícia Federal, mantinha contato com Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo e apontado como integrante do núcleo central da organização criminosa.
Fábio tinha acesso a sistemas, dados e informações protegidos por sigilo funcional, relacionados a procedimentos investigativos conduzidos pela corporação.
“Os registros telefônicos são apontados como indícios da manutenção de canal direto de comunicação entre o agente público e integrante da organização criminosa, circunstância considerada especialmente sensível em razão do acesso do investigado a informações protegidas por sigilo funcional”, diz a PF.
Edvaldo Ferreira Borges, chamado de “Biscoito” (servidor ligado ao sistema de defesa do consumidor), Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como “Tchetcheco” (servidor do Procon) e Diogo Pacheco do Couto (advogado) colaboravam com a organização criminosa mediante o repasse indevido de informações reservadas. Segundo a Polícia Federal, eles transmitiam informações relativas a cronogramas, equipes e alvos das operações administrativas.
O relatório explica que os alertas encaminhados permitiam que os investigados adotassem providências antecipadas para minimizar os efeitos das fiscalizações, reorganizar operações empresariais e reduzir riscos decorrentes da atuação dos órgãos de controle.
Entre os crimes investigados pela Polícia Federal estão: organização criminosa, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, corrupção ativa e passiva, violação do sigilo funcional e contratação direta ilegal.
O que dizem as defesas?
Em nota, a defesa de Márcio Canella disse “confiar em Deus, na Justiça e ter certeza de que tudo será esclarecido”.
O advogado de Marcus Vinicius Amin informou que aguarda o acesso ao cliente e à decisão para se manifestar.
O R7 tenta contato com os demais citados na reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
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