Brasília Paciente da Prevent: 'Cuidado paliativo era para eliminar paciente'

Paciente da Prevent: 'Cuidado paliativo era para eliminar paciente'

À CPI, Tadeu Frederico disse que médica inseriu no prontuário o início dos tratamentos paliativos sem autorização da família

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Paciente da Prevent Senior presta depoimento nesta quinta-feira (primeiro homem à esquerda)

Paciente da Prevent Senior presta depoimento nesta quinta-feira (primeiro homem à esquerda)

Pedro França/Agência Senado

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o advogado Tadeu Frederico de Andrade, paciente da operadora de saúde Prevent Senior, afirmou que a tentativa de impor os tratamentos de cuidados paliativos era uma prática para tentar eliminar pacientes de alto custo. Andrade foi infectado com a Covid-19 no fim do ano passado e buscou tratamento em uma unidade da Prevent, em São Paulo. Segundo ele, ficou 120 dias internado, tendo sido intubado duas vezes.

"Minha família lutou contra essa poderosa corporação chamada Prevent Senior. Eles lutaram para que eu não viesse a óbito. Eles, minha família, não aceitaram a imposição dos chamados cuidados paliativos, que era a prática utilizada pela Prevent Senior para eliminar pacientes de alto custo", afirmou. Ao R7, a Prevent disse "considerar tal afirmação absurda".

Durante a internação, o advogado ficou cerca de 30 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nesse período, uma médica da operadora ligou para uma das filhas do paciente comunicando que ele passaria a ter os cuidados paliativos. "Ou seja, eu sairia da UTI, iria para um chamado leito híbrido e lá teria, segundo as palavras da Dra. Daniella, maior dignidade e conforto, e meu óbito ocorreria em poucos dias. Seria ministrada em mim uma bomba de morfina e todos os meus equipamentos de sobrevivência na UTI seriam desligados. Inclusive, se eu tivesse alguma parada cardíaca, teria recomendação pra não haver reanimação", relatou.

Os cuidados paliativos são uma série de ações em pacientes com diagnóstico de doença crônica grave, que ameaça a vida (incurável), com o intuito de dar conforto e melhorar a vida da pessoa. A família do advogado não concordou e chegou a se reunir com a médica. Ainda assim, no mesmo dia, a médica que o atendia inseriu no seu prontuário o início dos tratamentos paliativos sem autorização da família, segundo o depoimento.

"Recomenda que se desligue, não se faça mais hemodiálise, não se ministrem mais antibióticos, enfim, também não faça a manobra de ressuscitação e que administre a bomba de morfina. E, ao final, ela diz o seguinte, nesse prontuário que já está nas mãos da CPI: 'Em contato com a filha Mayra, a mesma entendeu e concorda'. Isso é mentira, minha família não concordou", contou Tadeu.

Além disso, segundo ele, quando tentaram convencer a sua família a autorizar o tratamento paliativo, usaram o prontuário de outra pessoa, de uma senhora de 75 anos. "Tentaram convencer a minha família de que, pelo prontuário na mão, eu tinha marcapasso, que eu tinha sérias comorbidades arteriais e que, enfim, eu tinha uma idade muito avançada. Só que esse prontuário não era meu, era de uma senhora de 75 anos. Eu não tenho marcapasso, a única coisa que eu tenho hoje é pressão alta, sempre tive pressão alta", afirmou.

Em nota, a empresa refutou a afirmação de que iniciou o tratamento paliativo ao paciente sem autorização da família. "Já tornado público via imprensa, o prontuário do paciente é taxativo: uma médica sugeriu, dada a piora do paciente, a adoção de cuidados paliativos. Conversou com uma de suas filhas por volta de meio-dia do dia 30 de janeiro. No entanto, ele não foi iniciado, por discordância da família, diferentemente do que o sr. Tadeu afirmou à CPI. Frise-se: a médica fez uma sugestão, não determinação. O paciente recebeu e continua recebendo todo o suporte necessário para superar a doença e sequelas", pontuou.

Kit Covid
O paciente relatou que, quando estava com Covid-19, fez uma teleconsulta pela operadora de saúde e um motoboy lhe entregou um ''kit Covid'' — conjunto de medicamentos ineficazes para o tratamento precoce da doença. Após cinco dias de medicação, seu estado de saúde piorou e ele foi internado já com uma pneumonia bacteriana.

"Fiz diversas hemodiálises, traqueostomia, tive arritmia cardíaca e diversas outras intercorrências. No entanto, hoje estou aqui vivo e com saúde. Acho que sou um sobrevivente, graças a Deus, graças a vários profissionais da saúde que estão na linha de frente — são profissionais heroicos — e, principalmente, graças à minha família", afirmou.

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