Brasília PCDF investiga suposta venda de autotestes de Covid-19 falsificados

PCDF investiga suposta venda de autotestes de Covid-19 falsificados

Empresa autorizada a comercializar o produto 'Novel Coronavírus' denunciou que testes irregulares são vendidos por WhatsApp

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Autoteste de Covid-19

Autoteste de Covid-19

ADRIANO ISHIBASHI/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO-28/02/2022

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um esquema de venda de autotestes de Covid-19 falsificados. A denúncia foi apresentada pela empresa CPMHH Produtos Hospitalares, primeira empresa no Brasil a ter autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para vender os produtos.

De acordo com a fabricante, os autotestes fraudulentos são comercializados por trocas de mensagens pelo WhatsApp, antes mesmo do início das vendas nas farmácias. A empresa alega que os golpistas dizem ter no estoque unidades do "Novel Coronavírus", nome do produto original.

Print de venda de suposto autoteste falso

Print de venda de suposto autoteste falso

Reprodução

A DRCC (Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos) faz as diligências investigativas iniciais do caso. Segundo a Polícia Civil, a Corf (Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Material e a Fraudes) também deve participar da apuração.

Antes mesmo da disponibilização dos autotestes, que são importados, nas farmácias, os produtos já estariam sendo vendidos pelas redes sociais, o que é proibido. De acordo com a CPMH, a empresa recebeu 40 reclamações de clientes de todo o páis pelo SAC com questionamentos sobre a autenticidade teste. De acordo com o responsável técnico da empresa, Rander Avelar, até mesmo uma farmácia em Jundiaí (SP) chegou a adquirir os produtos falsificados.

"Era uma falsificação muito grosseira no início, vinha em um saquinho plástico. Mas, houve um aperfeiçoamento do delito, fizeram uma caixa muito parecida com a nossa, com diferenças muito pequenas", ressaltou Avelar.

Uma das diferença é na caixa do produto: apesar de a frente ser semelhante, a parte de trás é difernete: na caixa original, não há uma sequência de imagens que orientam o uso. Na fraudulenta, sim. "Isso a própria Anvisa pediu para não ter, para que os consumidores lessem a bula". Outra diferença é o (Swab). "O cotonete falsificado é longo, chegaram a quebrar o cotonete para que tivesse dimensões compatíveis com a caixa", assinala. 

Autotestes de Covid-19
Autotestes de Covid-19

"Isso é um risco para a população, a gente não sabe em quais condições foram acondicionados, as condições sanitárias, se seguiram critérios de segurança e eficácia", reforça Avelar. Ele alerta que apenas a venda dos autoteste só é permitida nas lojas físicas das farmácias, ou no e-commerce desses estabelecimentos. Mesmo outras revendendoras on-line não podem vender o produto, dadas as exigências do controle de qualidade.

Autorização

A CPMH, sediada em Brasília, foi a primeira empresa a obter autorização da Anvisa para vender os autotestes no país. O aval foi oficializado em 17 fevereiro, e a previsão é de que as primeiras unidades do teste estejam nas prateleiras de farmácias e lojas de artigos médicos a partir deste fim de semana.

O produto é feito pela empresa chinesa Bioscience (Tianjin) Diagnostic Technology. O Ministério da Saúde defendeu a autotestagem como estratégia para ampliar e agilizar o diagnóstico da Covid-19 no Brasil. Até então, todos os tipos de teste precisavam ser feitos em ambiente controlado, como em unidades de saúde básicas, postos volantes, farmácias, clínicas, laboratórios e hospitais. 

Nessa primeira leva, 20 milhões de testes foram adquiridos pela CPMH. O autoteste de antígeno utiliza o Swab (cotonete nasal) na coleta do material biológico. O resultado fica pronto em 15 minutos, e serve como orientação para a conduta de possíveis infectados. O exame pode ser feito entre o 1º e o 7º dia desde o início dos sintomas, e o índice de acerto é de 98%.

O autoteste não tem caráter de diagnóstico, mas auxilia no processo de triagem dos novos casos. Um teste RT-PCR ou de antígeno complementar é necessário para validar o resultado. 

A Anvisa já aprovou a comercialização de quatro autotestes no Brasil. "Para obterem o registro, os produtos foram avaliados quanto à segurança, ao desempenho e ao atendimento dos requisitos legais exigidos aos autotestes", informou a reguladora. Procurada sobre o caso de falsificação dos testes, a agência ainda não se manifestou.

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