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PF descreve ‘estrutura organizada’ ligada a Lira no controle de emendas do Congresso

Embora o nome do deputado não esteja listado como investigado, a petição aponta conexões que o colocam no centro da engrenagem

Brasília|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal enviou uma petição ao STF revelando indícios de um esquema de emenda ligado ao deputado Arthur Lira.
  • A ex-assessora Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", atuava sob ordens diretas de Lira e fazia parte de uma estrutura organizada.
  • Embora Lira não esteja formalmente investigado, seu nome aparece 24 vezes na documentação, sugerindo possíveis envolvimentos.
  • A investigação aponta práticas suspeitas, incluindo o redirecionamento de R$ 90 milhões em emendas para a cidade de Rio Largo (AL).

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O deputado Arthur Lira (PP-AL), relator da proposta, alegou que o projeto não é neutro na arrecadação Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados - 10/07/2025

A petição da Polícia Federal enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), utilizada como base da operação contra a ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, aponta indícios de um esquema de direcionamento de emendas com influência direta do parlamentar.

Procurada pelo R7, a assessoria de Arthur Lira informou que o deputado não pretende se manifestar, sob o argumento de não figurar formalmente como investigado.


Segundo a peça, Mariângela atuava “sob ordens diretas” da antiga Presidência da Câmara dos Deputados. A PF descreve sua atuação como parte de uma “estrutura organizada” voltada ao controle e à operacionalização de emendas parlamentares.

Embora Arthur Lira não conste oficialmente na condição de investigado, o documento registra conexões consideradas relevantes pela corporação e o posiciona no núcleo do mecanismo descrito por parlamentares ouvidos durante a apuração.


O texto também indica possibilidade de aprofundamento das investigações em direção ao entorno político do ex-presidente da Câmara.

Em nome de Lira

A própria Polícia Federal registra que os depoimentos colhidos “direcionaram as apurações à representada” e reforçaram a avaliação de que Mariângela agia em nome de Arthur Lira. O nome do deputado aparece 24 vezes ao longo do documento.


“A representada atua diretamente na operacionalização do encaminhamento de emendas, efetuando-as supostamente em nome do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira”, registra a petição.

A corporação também destaca que, mesmo após a mudança no comando da Câmara, Mariângela permaneceu operando o sistema de distribuição de emendas.


Para os investigadores, esse dado indica continuidade da engrenagem independentemente de quem ocupava formalmente a Presidência da Casa.

O documento aponta ainda indícios de “redirecionamento forçado” de recursos e menciona de forma específica o município de Rio Largo (AL), administrado por aliados históricos de Arthur Lira. Com cerca de 70 mil habitantes, a cidade recebeu aproximadamente R$ 90 milhões provenientes do orçamento secreto entre 2019 e 2022.

A PF utiliza esse caso como exemplo de recorrência de práticas consideradas suspeitas em municípios ligados ao entorno político do deputado.

A investigação aponta que arquivos armazenados em nuvem e anotações manuscritas indicam que Mariângela:

  • controlava a distribuição de emendas;
  • operava “reservas” de valores destinadas a parlamentares específicos;
  • realizava realocações de recursos descritas como similares a “conta de padaria”;
  • coordenava verbas relacionadas à Codevasf, órgão no qual também exerceu a função de conselheira fiscal.

Segundo o relatório, trata-se de uma atuação prolongada na organização desses recursos, com início no período da pandemia e coincidência temporal com o mandato de Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados.

A investigação

A apuração teve início no âmbito da ação conduzida pelo ministro Flávio Dino, responsável por determinar que estados, Distrito Federal e municípios adotassem medidas voltadas à transparên

cia e à rastreabilidade dos recursos distribuídos por emendas parlamentares. Parlamentares passaram a prestar depoimento após manifestações realizadas nas tribunas do Senado e da Câmara.

Durante a investigação, Mariângela Fialek teve o sigilo de dados telemáticos quebrado. De acordo com a Polícia Federal, o material analisado reforça indícios de participação relevante no controle do chamado “orçamento secreto”.

A Procuradoria-Geral da República, favorável à deflagração da operação, afirmou em manifestação encaminhada ao Supremo a existência de indícios de uma organização criminosa voltada a desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.

O órgão sustenta que há sinais de exercício de “controle de indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício” dessa organização.

Defesa de Mariângela

Em nota, a defesa de Mariângela Fialek declarou inexistirem suspeitas de irregularidades atribuídas à ex-assessora. Segundo os advogados Luís Inácio Adams e Maria Claudia Bucchianeri, a atuação dela na Câmara dos Deputados manteve caráter técnico, apartidário e impessoal.

A defesa sustenta que a Polícia Federal buscou apenas acessar informações relacionadas ao trabalho de organização de emendas.

Os dados mencionados, conforme o documento, possuem caráter público, seguem envio rotineiro à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e constam no Portal da Transparência.

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