Brasília PF deve pedir ajuda da Interpol para apreender celular de Anderson Torres

PF deve pedir ajuda da Interpol para apreender celular de Anderson Torres

O ex-secretário chegou a Brasília sem o aparelho; para diligências fora do país, é preciso uma nova determinação judicial

  • Brasília | Renato Souza e Bruna Lima, do R7, em Brasília

Anderson Torres foi preso pela PF ao chegar dos Estados Unidos

Anderson Torres foi preso pela PF ao chegar dos Estados Unidos

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO - 1.10.2022

A Polícia Federal deve solicitar nos próximos dias a colaboração da Interpol para apreender o celular usado pelo ex-ministro Anderson Torres, preso em Brasília. De acordo com fontes na corporação, ele chegou ao Brasil sem o aparelho. Torres estava na Flórida, nos Estados Unidos, quando ocorreram os ataques contra as sedes dos Três Poderes.

A PF pretende alegar que a apreensão do celular faz parte da investigação e pedir ajuda à corporação internacional a fim de localizar o aparelho em solo americano. A diligência precisa de autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para ocorrer.

Caso o aparelho estivesse com Torres, seria apreendido e periciado junto aos mais de mil celulares pertencentes aos extremistas presos no Distrito Federal por relação aos atos de vandalismo e invasão ao Congresso, ao Planalto e ao prédio do STF, no último dia 8. 

Ataques

O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal não estava na capital no dia dos ataques. No dia 10, Moraes emitiu um mandado de prisão contra Torres, por suposta omissão no comando das forças de segurança para coibir os atos. No mesmo dia, o ex-ministro usou as redes sociais para comunicar que o celular havia sido clonado. "Olá, clonaram meu WhatsApp, não aceitem nenhuma mensagem ou ligação", escreveu.

Apesar de não configurar crime a não entrega do celular às autoridades investigadoras, caso o aparelho seja encontrado com dados apagados, Torres pode ser indiciado também por tentativa de destruição de provas. A reportagem acionou a defesa de Torres, mas ainda não obteve retorno.

Depoimento

Os esclarecimentos acerca da omissão do celular devem ser prestados no primeiro depoimento de Torres à Justiça depois de sua prisão. Moraes ainda precisa determinar uma data e, enquanto isso, o ex-ministro ficará detido no 4º Batalhão da Polícia Militar. A expectativa é que ele seja transferido para a Papudinha, ala no Complexo da Papuda reservada a militares e policiais. 

Torres é advogado e delegado da Polícia Federal (PF). No mesmo dia em que teve a prisão decretada, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa dele, onde encontrou uma minuta (espécie de rascunho) de um decreto que tentaria mudar o resultado das eleições presidenciais de 2022.

Pelas redes sociais, o ex-secretário confirmou a existência da minuta, mas disse que o documento foi vazado fora de contexto e que ajuda a alimentar "narrativas falaciosas" contra ele. Na justificativa, ele não detalhou de quem seria a autoria da minuta. "No cargo de ministro da Justiça, nos deparamos com audiências, sugestões e propostas dos mais diversos tipos. Cabe a quem ocupa tal posição o discernimento de entender o que efetivamente contribui para o Brasil", disse. 

Torres entregou-se à polícia, tendo interrompido a viagem de férias para se apresentar à Justiça. O ex-ministro desembarcou, passou pelo exame de corpo de delito ainda no aeroporto e foi escoltado pela PF até o batalhão da PM, onde continua preso. "Sempre pautei minhas ações pela ética e pela legalidade. Acredito na justiça brasileira e na força das instituições. Estou certo de que a verdade prevalecerá", escreveu nas redes sociais ao anunciar que se entregaria. 

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