PF encontra sala com máquina de contar dinheiro em hangar que seria de Willer Tomaz
Advogado é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro; defesa afirma que estrutura é regular e nega irregularidades
Brasília|Natália Martins, da RECORD Brasília, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Polícia Federal encontrou uma sala secreta em um hangar do Aeroporto de Brasília que seria utilizada pelo advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. No espaço, os investigadores também localizaram uma máquina de contar dinheiro.
A sala estava escondida atrás de uma parede. A defesa de Tomaz negou que tenha havido a descoberta de uma sala secreta e afirmou que o local faz parte da estrutura regular de uma empresa de aviação. Segundo os advogados, as instalações e os equipamentos são necessários para atender empresas de transporte de valores que estão entre os clientes do setor.
Não houve qualquer descoberta de sala-cofre pela Polícia Federal, mas a identificação de instalações regulares, inerentes à atividade desenvolvida pela empresa de aviação. A sala-cofre e os equipamentos localizados no hangar integram a estrutura necessária para atender transportadoras de valores que figuram entre os clientes das empresas de aviação. A movimentação aérea de numerário é submetida a rigorosas exigências de segurança, previstas na legislação federal e em normas da Polícia Federal e da ANAC, que impõem procedimentos específicos de controle, custódia e documentação. Ambientes blindados, malotes e contadoras de cédulas são inerentes a essa operação, e não indícios de irregularidade.
A defesa classificou como “fantasiosa” a hipótese de que o espaço seria utilizado para guardar ou contar recursos de origem não declarada.
“É fantasiosa, e beira o ridículo, a tese de que o espaço serviria para guardar ou contar recursos de origem não declarada. Nenhuma quantia foi encontrada ali, e a corporação que fiscaliza esse mercado conhece, ou deveria conhecer, as regras a que ele se sujeita. Insinuar crime a partir de instalações que o próprio setor é obrigado a manter é desinformação.”

Advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro
Willer Tomaz é alvo de investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes. Uma das apurações envolve o setor de apostas online e a possibilidade de que jogos tenham sido utilizados para simular operações financeiras.
De acordo com uma nota técnica do Ministério da Fazenda, Tomaz foi o apostador que mais depositou recursos em plataformas de apostas no Brasil em 2025. Os depósitos atribuídos a ele somaram R$ 258 milhões, enquanto os saques chegaram a R$ 200 milhões.
A movimentação total registrada foi de R$ 5 bilhões, cifra que inclui valores de prêmios que voltaram a ser apostados.
A investigação da Polícia Federal apura a suspeita de que as apostas tenham sido utilizadas para lavar dinheiro. Tomaz afirma ter problemas com o jogo e recorreu à Justiça para tentar recuperar valores perdidos.
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O advogado também é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Nesse caso, os investigadores suspeitam que ele tenha atuado como uma espécie de intermediário financeiro de outros envolvidos no esquema. Em outra frente, ele é suspeito de ter recebido informações sigilosas obtidas indevidamente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do MPF (Ministério Público Federal).
Flávio Bolsonaro é investigado por relação com advogado
A relação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro também passou a ser investigada pela Polícia Federal. Na semana passada, a corporação encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado.
A apuração teve origem em uma investigação que tramitava na primeira instância, no Rio Grande do Sul, sobre suspeitas envolvendo plataformas de pagamento digital e o mercado de apostas.
Durante as diligências, a PF identificou elementos que, segundo os investigadores, indicariam um vínculo de controle ou propriedade de fato de Tomaz sobre a Rede Loto, apontada como a primeira empresa de apostas esportivas a obter autorização estadual durante o governo do Rio de Janeiro. A corporação também identificou vínculos entre o advogado e os dois sócios formais da empresa.
A partir da análise de dados extraídos da nuvem do celular de Tomaz, os investigadores identificaram relações entre ele e Flávio Bolsonaro. Como o senador tem foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado ao STF.
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