Brasília Pfizer confirma entrega de vacinas para crianças em janeiro

Pfizer confirma entrega de vacinas para crianças em janeiro

Ministro da Saúde disse nesta segunda-feira que previsão é começar a vacinar crianças de 5 a 11 anos na segunda quinzena 

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Vacina da Pfizer para criança em Israel

Vacina da Pfizer para criança em Israel

Jack Guez/AFP - 23.12.2021

A farmacêutica Pfizer confirmou nesta segunda-feira (3) a entrega ao Brasil de imunizantes contra Covid-19 para crianças neste mês de janeiro. "A Pfizer está atuando junto ao governo para definir as etapas do fornecimento das vacinas contra a Covid-19 para imunização da faixa etária de 5 a 11 anos, com estimativa de entregas a partir de janeiro de 2022", informou em nota.

O Ministério da Saúde havia informado a previsão de recebimento das doses até o dia 10 de janeiro e início da imunização ainda na primeira quinzena do mês. Nesta segunda-feira (3), entretanto, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que os imunizantes começarão a chegar ao país na segunda quinzena de janeiro. 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso da vacina Comirnaty, da Pfizer, em crianças em 16 de dezembro e, desde então, há muita resistência por parte do governo federal, com falas do presidente que questionam a segurança do imunizante. O governo abriu uma consulta pública sobre a vacinação em 23 de dezembro e foi encerrada no último domingo (2).

Na próxima terça-feira (4), a pasta fará uma audiência pública para discutir a vacinação nessa faixa etária. O ministro Queiroga já afirmou que pretende anunciar uma decisão no dia seguinte, 5 de janeiro.

Essa é a data-limite para o governo se manifestar sobre a inclusão de crianças no Plano Nacional de Imunização (PNI), conforme decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski no último dia 20. Na ocasião, o ministro acatou um recurso da AGU (Advocacia-Geral da União) sobre o prazo para que a União informe sobre a imunização de crianças. Anteriormente, ele havia concedido até 48 horas para manifestação do governo.

Antes disso, na última sexta-feira (31), a ministra do STF Cármen Lúcia estabeleceu o prazo de cinco dias para que o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se manifestem sobre o ato que determinou a realização de consulta pública para vacinação contra a Covid-19 em crianças. A decisão foi no âmbito de uma ação que questiona a intenção da consulta, que afirma que o governo pretende adiar a vacinação dessa população.

O presidente Bolsonaro e o ministro Queiroga já se manifestaram favoráveis à exigência de prescrição médica para que as crianças sejam vacinadas. A medida é questionada por especialistas, que dizem que a ação pode retardar e dificultar a vacinação de parte da população que tem dificuldade de acesso a médicos. O ministro da Saúde chegou a criticar prefeitos e governadores contrários à exigência, com o argumento de que a maioria não é da área da medicina.

No último dia 27, Bolsonaro afirmou que não vai vacinar a filha, Laura, que tem 11 anos, contra a Covid-19. "Espero que não haja interferência do Judiciário, porque a minha filha não vai se vacinar, [quero] deixar bem claro", afirmou, referindo-se ao STF (Supremo Tribunal Federal). Ele está desde a data no litoral de Santa Catarina, em São Francisco do Sul, onde passa alguns dias de férias com a família. A previsão de retorno é terça-feira (4).

Em pronunciamento no último dia 31, o presidente voltou a falar no assunto. “Também, como anunciado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendemos que as vacinas para crianças entre 5 e 11 anos sejam aplicadas somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada”, afirmou.

A postura é amplamente criticada pela sociedade científica, tendo em vista que a vacinação foi autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A SBC (Sociedade Brasileira de Pediatria) já defendeu publicamente a vacinação de crianças contra a Covid-19. Outros órgãos e entidades também já se manifestaram em defesa da segurança da vacina em crianças, como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que produz vacinas no Brasil.

A própria secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid do Ministério da Saúde, Rosana de Melo, já informou em nota enviada ao STF que a vacinação em crianças de 5 a 11 anos é segura.

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