PM agredida durante invasões e ex-subsecretária de Inteligência do DF depõem na CPMI do 8/1 nesta terça
Marcela Pinno foi empurrada e caiu de uma altura de cerca de 3 m; Marília Alencar era responsável por planejar e executar operações
Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do 8 de Janeiro, no Congresso Nacional, ouve nesta terça-feira (12) a cabo da Polícia Militar do Distrito Federal Marcela Pinno, agredida por manifestantes enquanto atuava no controle da invasão dos prédios dos Três Poderes, e a ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) Marília Alencar.
Marília foi convocada para esclarecer a atuação das forças de segurança do DF no dia da invasão dos prédios dos Três Poderes. Ela era responsável pelo planejamento e pela execução das operações de inteligência da SSPDF, órgão ao qual compete a produção e a difusão de conhecimentos de ameaças reais ou potenciais, além de ações de prevenção e repressão nos níveis estratégico, tático e operacional.
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A ex-subsecretária também foi diretora de Inteligência do Ministério da Justiça na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e é apontada como a responsável por elaborar um mapa das regiões onde havia a concentração de votos no primeiro turno da eleição de 2022 para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mapa teria sido usado pelo ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, preso por suspeita de uso da máquina pública para interferir no processo eleitoral do ano passado.
Ela deve ser questionada pelos parlamentares pela atuação tanto à frente da Inteligência do DF quanto no Ministério da Justiça.
Em março, Marília prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal e afirmou que as forças de segurança da capital foram informadas sobre a vinda de manifestantes para Brasília às vésperas do 8 de janeiro. Na ocasião, ela afirmou que o trabalho de inteligência feito às vésperas e no próprio dia 8 foi bem executado e defendeu a inteligência da Polícia Militar.
Já à Polícia Federal, Marília prestou depoimento para esclarecer informações sobre a interdição nas rodovias durante o segundo turno das eleições do ano passado. Ela disse aos investigadores que o levantamento que mostra onde Bolsonaro e Lula tiveram mais votos no 1º turno da eleição foi feito para analisar supostos indícios de compra de votos.
Outro depoimento
Na segunda parte da CPMI, a cabo Marcela Pinno será ouvida como testemunha pela atuação no Batalhão de Choque no 8 de Janeiro. Marcela foi empurrada de uma das cúpulas do prédio e caiu de uma altura de aproximadamente 3 metros. Depois, foi agredida por manifestantes — teve o capacete à prova de balas amassado por uma barra de ferro e precisou ser resgatada por outros policiais.
"Há de se frisar a agressividade dos manifestantes e a quantidade de vândalos que se encontrava ali. [...] Fui jogada da cúpula, consegui retornar para a linha e, quando estava praticamente chegando, fui atacada novamente, jogada ao chão, agredida várias vezes com pedaço de pau e com o próprio gradil que servia para contenção", detalhou em depoimento ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
Em um dos requerimentos que garantiram a convocação de Marcela, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e o deputado Rubens Pereira (PT-MA) afirmam que "a iniciativa tem caráter fundamental e destaca a importância na transparência e efetividade das investigações, colaborando para que sejam adotadas medidas de responsabilização e prevenção a ataques futuros".















