Brasília PM que reagiu a assalto no dentista registrou o momento: veja fotos

PM que reagiu a assalto no dentista registrou o momento: veja fotos

Ao R7, o policial militar relatou os momentos de tensão e, também, o que sentiu e pensou quando conseguiu prender os criminosos

  • Brasília | Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

Em entrevista, policial militar falou sobre os momentos de tensão em assalto

Em entrevista, policial militar falou sobre os momentos de tensão em assalto

Divulgação/PMDF

Depois que sentou novamente na cadeira de dentista e pôde pensar no que havia acontecido, o subtenente Thenyson, da Polícia Militar do Distrito Federal, lembrou-se da família e, também, do livro que ainda não tinha terminado de ler. O policial, que pediu para não ter o sobrenome revelado, reagiu a um assalto em uma clínica ortodôntica no centro de Ceilândia, na última quinta-feira (11), lutou contra dois homens armados com facas e conseguiu desarmá-los e prendê-los antes que uma tragédia acontecesse.

Thenyson conversou com o R7 sobre os momentos de tensão que viveu e ressaltou a importância de não reagir a assaltos. Nesse caso, o policial militar contou que não teve escolha. Um dos criminosos viu a arma quando ele se deitou no chão após o anúncio do assalto e começou a gritar, questionando se ele era policial militar.

“Eu tive receio de ele me matar, de tirar a minha vida. Quando acontecem essas coisas, o nível de estresse aumenta exponencialmente. Ele poderia ter me matado e matado outras pessoas. Faço tratamento nessa clínica há muito tempo. Tenho intimidade com as pessoas. Sabia que a dentista que me atendeu estava grávida, por exemplo”, recordou.

O militar contou que não percebeu de imediato que se tratava de um assalto. No vídeo (veja abaixo), é possível ver que ele demora a se levantar. “Ali, naquele momento, eu não tinha entendido bem o que estava acontecendo. Só entendi quando o indivíduo falou ‘passa o celular’. Nossa preparação [na Polícia Militar] é para manter a calma em situações de crise e, dessa forma, resolver o problema. E os treinamentos militares fizeram a diferença”, relatou.

Enquanto pôde, o militar pensou em como poderia resolver a situação. Uma das formas seria, justamente, não reagir e deixar que os criminosos fossem embora. Mas isso foi antes de um dos agressores ver que ele estava armado. O policial sacou a arma no momento entre levantar da cadeira e deitar no chão. Ele sabia que seria revistado.

“Quando ele veio me revistar, viu a arma e me senti obrigado a fazer alguma coisa. Ele viu a arma e começou a gritar. Ficou gritando e o desespero foi geral. Quando eu comecei a reagir, a atendente tentou correr. E o outro indivíduo a empurrou. Foi uma sorte, pois ele estava com uma faca e poderia ter ferido ela”, explicou.

Foi no momento que o criminoso começou a gritar que Thenyson compreendeu que não teria outra alternativa senão reagir. Ele lutou e desarmou o primeiro assaltante dentro do consultório do dentista. Em seguida, tentou deixar o local, mas deparou com o segundo assaltante na porta.

“Por que eu decidi reagir? Ele viu a arma. Se eu não reagisse, ele poderia pegar a arma e o desfecho poderia ser uma tragédia. Ele poderia até fugir. Mas, com a arma, poderia cometer outros crimes. Foi uma proteção e uma forma de tentar resolver a situação. No momento em que eu rendi o primeiro elemento, ele ficou de forma passiva e obediente. Uma das técnicas que temos é conter a crise e buscar a segurança do perímetro. E eu fui atrás dessa segurança”, narrou o policial.

Quando encontrou o segundo agressor, Thenyson contou que não teve tempo de pedir que ele se rendesse, pois o criminoso partiu para cima do policial com a faca em punho, na posição de ataque. “Não houve como ser menos ofensivo, verbalizar. O tiro era o meio que eu disponibilizava”, explicou.

O militar disparou e acertou o criminoso no braço, mas ele não percebeu que estava ferido e continuou a avançar contra Thenyson que, mais uma vez sem alternativa, se viu obrigado a lutar. “Acertei ele no braço. Houve o disparo, e ele ainda tentou tomar a arma da minha mão.”

“E quando, no chão, ele percebeu que estava ferido, existe uma questão fisiológica entre o tiro e o estímulo de dor. Então, quando ele percebeu que tinha sido atingido, finalmente ele se rendeu e a situação ficou controlada, com ele deitado. Eu não sabia a dimensão da lesão [no braço do criminoso]”, completou o PM.

Uma equipe da Polícia Militar e socorristas do Corpo de Bombeiros chegaram logo em seguida, enquanto o policial revistava e algemava a dupla. O assaltante ferido foi levado para o HRC (Hospital Regional de Ceilândia). Antes de ir à delegacia, o PM ainda permitiu que a dentista finalizasse o atendimento. Foi nesse momento que pôde refletir sobre tudo o que havia acontecido durante a tentativa de assalto.

“Durante a ação, não deu tempo de pensar em nada. Tudo acontece em uma linha de tempo com os acontecimentos e ações muito interligadas. Mas, depois, quando tudo se acalmou, um dos criminosos foi preso e o outro socorrido, eu voltei para a cadeira de dentista para ela terminar o procedimento. Nesse término, chegou o dono da clínica e foi recuperar as imagens. Quando terminou o procedimento, naquele momento eu pensei na família, no livro que não terminei de ler”, recordou.

Thenyson está lendo A Roda da Vida, autobiografia da médica polonesa Elisabeth Kübler-Ross, que tratou de pacientes terminais e fala da própria experiência em lidar com a morte de forma franca, mas também leve.

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