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Polilaminina: Congresso se movimenta para impedir que Brasil perca novas patentes

Projeto de lei prevê fundo para evitar bloqueios de orçamento e ampliar prazo de proteção quando houver demora do Estado

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Congresso Nacional discute o PLC 32/2026 para proteger patentes estratégicas no Brasil, após falhas administrativas que levaram à perda de direitos internacionais sobre a polilaminina.
  • A patente da polilaminina, descoberta por uma pesquisadora da UFRJ, foi concedida somente 16 anos após o pedido, restando poucos anos de exclusividade no país.
  • Cortes orçamentários afetaram a manutenção da proteção internacional, permitindo que empresas estrangeiras utilizem a tecnologia sem compensação ao Brasil.
  • A deputada Renata Abreu propõe que parte dos recursos obtidos com patentes seja reinvestida em pesquisa, buscando transformar o caso em uma política pública estruturante.

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Substância contribui para a recuperação de funções motoras comprometidas após lesões na medula Paulo Pinto/Agência Brasil - Arquivo

A discussão sobre a polilaminina pôs em evidência o potencial dessa substância no tratamento de lesões medulares e revelou um problema estrutural: o risco de o Brasil perder direitos sobre descobertas científicas devido a falhas administrativas e escassez de recursos.

Embora a patente da polilaminina tenha sido garantida no Brasil, a proteção internacional não foi mantida. Por isso, uma articulação se inicia no Congresso para a elaboração de proposta que impeça que casos semelhantes se repitam.


O PLC (Projeto de Lei Complementar) 32/2026 altera a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Propriedade Industrial para criar mecanismos permanentes de proteção às patentes consideradas estratégicas.

Desenvolvido pela bióloga Tatiana Coelho Sampaio, pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o medicamento ganhou projeção nacional e internacional após relatos de pacientes que apresentaram melhora em quadros de lesão medular aguda. O trabalho é conduzido há mais de duas décadas.


Entraves financeiros

O debate, porém, extrapolou o campo científico e avançou para o jurídico, especialmente pelo fato de a patente no exterior não ter sido garantida por falta de pagamento da UFRJ.

Durante o longo período de análise, era preciso arcar com taxas para manter a proteção internacional ativa. Entre 2015 e 2016, cortes orçamentários atingiram universidades e projetos de pesquisa, inviabilizando os recursos necessários para sustentar esses repasses ao exterior.


Assim, o Brasil perdeu a exclusividade fora do território nacional, abrindo espaço para que empresas estrangeiras utilizem a tecnologia sem compensação financeira ao país.

Outra questão que acende um alerta refere-se à patente nacional. O pedido de registro foi feito em 2007. A concessão, no entanto, só ocorreu no ano passado — um intervalo de mais de 16 anos. Como a validade da patente é de 20 anos contados a partir do depósito, restam apenas dois anos de exclusividade no país.


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Mecanismos de proteção

Esse cenário motivou a deputada federal Renata Abreu (Podemos) a protocolar o PLC 32/2026. Entre as principais medidas contidas no texto, estão:

  • Proibição de bloqueio orçamentário das despesas do órgão responsável pelo registro de patentes em períodos de contingenciamento;
  • Criação do Fundo Nacional de Manutenção de Patentes Estratégicas, destinado a custear taxas no Brasil e no exterior;
  • Possibilidade de ampliação do prazo de vigência de patentes em até cinco anos quando a demora na análise for atribuída ao próprio Estado.

O projeto também prevê que parte dos recursos obtidos com patentes de universidades federais seja reinvestida em pesquisa. Segundo a deputada, o objetivo é transformar um caso específico em política pública estruturante. “O Brasil fez a parte mais difícil, que é pesquisar e descobrir. Mas, sem proteção adequada, o retorno econômico pode ficar fora do país”, constata.

Renata sublinha que o Congresso “precisa assumir responsabilidade” sobre o caso. “Vou dialogar pessoalmente com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com os líderes partidários para garantir prioridade ao PLC 32/2026. Essa votação não pode esperar. O Congresso precisa assumir sua responsabilidade. O Brasil não pode continuar perdendo suas próprias descobertas por entraves que temos o dever de corrigir”, enfatiza.

Países como Estados Unidos, Japão e membros da União Europeia já adotam mecanismos para compensar atrasos administrativos na concessão de patentes e mantêm políticas contínuas de proteção à propriedade intelectual.

Como funciona o medicamento

Produzida em laboratório a partir da laminina, proteína presente naturalmente no organismo e ligada à organização dos tecidos, a polilaminina foi desenvolvida para estimular a regeneração nervosa.

A proposta é que, aplicada diretamente na região lesionada da medula espinhal, a substância funcione como suporte para a formação de novas conexões nervosas, contribuindo para a recuperação de funções motoras comprometidas.

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