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Projeto na Câmara dos Deputados quer frear aplicação de leis islâmicas no Brasil

Proposta afirma defender a Constituição e os direitos das mulheres; comunidade islâmica vê risco de discriminação religiosa

Brasília|Deborah Hana Cardoso, da RECORD Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Projeto de lei na Câmara dos Deputados visa impedir a aplicação da lei islâmica, a Sharia, no Brasil.
  • Deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança argumenta que a proposta protege mulheres e crianças, evitando práticas que contrariam a Constituição.
  • A proposta não interfere na prática religiosa, mas proíbe atos que conflitem com a legislação brasileira e restringe vistos para estrangeiros com práticas incompatíveis.
  • Comunidade islâmica vê a proposta como discriminação religiosa, destacando que a Sharia rege aspectos da vida de muçulmanos, não se limitando a punições severas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Deputado diz que leis islâmicas podem obstruir direitos básicos de mulheres e crianças no Brasil Kayo Magalhães/Agência Câmara - Arquivo

Com o argumento de proteger mulheres e crianças e evitar práticas contrárias à Constituição, o deputado federal e presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, apresentou um projeto de lei para impedir qualquer tentativa de aplicação da lei islâmica, conhecida como Sharia, no Brasil.

A Sharia é adotada, em diferentes níveis, por países como Irã, Afeganistão, Brunei e Arábia Saudita. No Ocidente, parte das interpretações dessa legislação é associada a punições severas, como apedrejamentos e casamentos infantis.

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Segundo o parlamentar, a proposta não interfere na prática religiosa, mas busca impedir atos que entrem em conflito com a legislação brasileira.

O que prevê o projeto?

Se aprovado pelo Congresso Nacional, o texto proíbe a celebração, em território brasileiro, de contratos ou atos baseados em normas religiosas que contrariem a Constituição.

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A proposta também altera a Lei de Imigração para vedar a concessão de visto a estrangeiros que defendam práticas incompatíveis com os direitos e garantias previstos na legislação brasileira.

“O exercício pessoal da fé islâmica e a observância voluntária de ritos ou costumes religiosos de caráter privado permanecem protegidos pela liberdade de crença prevista na Constituição Federal”, diz um trecho do projeto.

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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, no Censo de 2010, havia 35.167 praticantes do islamismo no Brasil.

A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil contestou esse número à época e estimou que o total ultrapasse 1,5 milhão de pessoas, concentradas principalmente em São Paulo e Foz do Iguaçu.

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O Censo de 2022 do IBGE não detalhou religiões minoritárias, focando nos maiores grupos religiosos do país.

Leia mais

‘Restrições a direitos básicos’

“O que temos visto em outros países é que a tolerância com a aplicação de normas da Sharia, ainda que de forma paralela, muitas vezes acaba resultando em restrições a direitos básicos de mulheres e crianças”, afirmou o deputado.

Segundo ele, o Brasil “não pode correr esse risco”.

“Respeitamos a liberdade religiosa, mas não aceitaremos qualquer prática que contrarie a Constituição e relativize a dignidade e a igualdade garantidas a todos”, completou.

Um estudo publicado no ano passado pelo Pew Research Center apontou que o cristianismo continua sendo a religião com mais fiéis no mundo, com 2,3 bilhões de adeptos, o equivalente a quase 30% da população global.

O levantamento indica ainda que o islamismo reúne cerca de 2 bilhões de seguidores, ou 25,6% da população mundial, com crescimento de 1,8 ponto percentual na última década.

Liberdade religiosa

O sheikh Jihad Hammadeh, porta-voz da comunidade islâmica no Brasil, afirmou ao R7 que ainda não leu o projeto, mas fez ponderações.

“[O projeto] indica discriminação religiosa e crime contra a liberdade religiosa. A Sharia é o conjunto de leis que regem a vida religiosa de um muçulmano, como rezar, jejuar, fazer caridade, código de ética, entre outros pontos”, declarou.

Na opinião do sheikh, “proibir a Sharia é proibir os muçulmanos de rezarem, de serem honestos, de pagarem impostos, de serem cidadãos brasileiros livres, de terem seus direitos religiosos garantidos”.

Ainda sem relator, o projeto aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara. Depois disso, deverá passar pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias, Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Relações Exteriores e Defesa Nacional e, por fim, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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