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Projeto que criminaliza a misoginia vai ao plenário do Senado nesta terça-feira

Proposta é o reconhecimento de que é preciso responsabilizar quem odeia as mulheres, dizem especialistas

Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Projeto de lei que criminaliza a misoginia será votado no plenário do Senado.
  • Texto estabelece penas de até dois anos de prisão para injúria relacionada à misoginia.
  • Especialistas destacam a necessidade de responsabilização de atitudes misóginas enraizadas na cultura patriarcal.
  • Outra proposta tramita na Câmara visando combater o discurso de ódio contra mulheres na internet.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Texto prevê pena mínima de um ano para discriminação ou incitação à misoginia Rovena Rosa/Agência Brasil - Arquivo

O projeto de lei que criminaliza a misoginia — o ódio ou preconceito enraizado contra mulheres — e insere esse delito na Lei do Racismo pode ser votado nesta terça-feira (24) pelo plenário do Senado. Se aprovada, a proposta segue para a Câmara.

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o texto prevê pena mínima de dois anos de prisão para a injúria e de um ano para a discriminação ou incitação à misoginia.

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A professora do Departamento de Estudo de Gênero e Feminismo da UFBA (Universidade Federal da Bahia) Darlane Andrade explica que misoginia significa o ódio às mulheres e que esse sentimento provém de uma cultura patriarcal, que coloca homens e mulheres em posições desiguais nas relações, principalmente de poder.

“Esse ódio pode se relacionar a comportamentos, a uma violência também simbólica ou física, pode estar relacionado a discursos de ódio presentes em piadas, em letras de músicas, nos filmes e nas novelas em que as mulheres sempre aparecem em uma posição de subordinação”, analisa.

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Segundo Janaína Penalva, professora da Faculdade de Direito da UnB (Universidade de Brasília), a necessidade de uma lei para o problema não é algo novo.

“O que temos nesse momento é o reconhecimento de que é preciso responsabilizar quem odeia as mulheres. De alguma forma, uma nova lei, embora seja uma lei penal, não permite ações individuais, coletivas, públicas ou privadas de ódio às mulheres”, pontua.

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Leia mais

Para diferenciar misoginia de atitudes machistas, Janaína explica que a primeira pode estar articulada de diversas formas que não envolvem o homem diretamente. “Já o machismo é uma concepção de mundo que afirma a existência de hierarquia entre homens e mulheres”, esclarece.

Apesar de ser um conceito que pode parecer subjetivo, para ela, a aplicação da lei não enfrentará problemas de interpretação ampla. “Leis que proíbem o ódio nunca são interpretadas de forma excessiva. Ao contrário, em regra geral, são descumpridas e afastadas”, observa.

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Desafios

De acordo com Janaína Penalva, as dificuldades enfrentadas após a implementação da lei serão as mesmas que existem hoje em relação à injúria racial, por exemplo. Ela considera fundamental o entendimento de todo o sistema de Justiça e segurança pública sobre o que é um crime de ódio.

Já para Darlene Andrade, a sociedade avançou muito, mas a cultura não mudou. Ela ressalta que, com as redes sociais, esse tipo de violência tem ganhado uma outra forma.

“Os espaços virtuais têm uma vantagem, que é a possibilidade de espalhar o discurso de ódio contra as mulheres a partir da invisibilidade das pessoas que fazem isso. Elas ficam escondidas atrás da tela e isso facilita expor esse ódio, criar trends”, observa a professora.

Na mesma linha do projeto de Ana Paula Lobato, tramita na Casa uma proposta do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) que estabelece uma política nacional para combater o discurso de ódio contra mulheres na internet. O texto é analisado pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.

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