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Proposta para taxar fundos de 'super-ricos' prevê cobrança de imposto semestral; entenda

Atualmente, R$ 756 bilhões estão alocados em fundos exclusivos de investimentos; Congresso Nacional ainda é resistente à proposta

Brasília|Hellen Leite, do R7, em Brasília

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Haddad aposta na taxação; Lira avalia discussão
Haddad aposta na taxação; Lira avalia discussão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que pretende enviar ao Congresso Nacional ainda neste ano uma proposta para taxar os chamados "fundos de super-ricos", que são fundos exclusivos de investimento voltados para quem tem, no mínimo, R$ 10 milhões.

O projeto do governo ainda não está detalhado, mas a ideia é criar uma taxação baseada no regime de "come-cotas". Nesse tipo de cobrança, os investidores são taxados uma vez a cada semestre, nos meses de maio e novembro. Atualmente, o pagamento do imposto só ocorre na hora do resgate dos valores.

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Segundo o economista César Bergo, professor de especialização em Mercado Financeiro na Universidade de Brasília (UnB), a princípio, a ideia do governo é antecipar essa cobrança. Nesse modelo, explica, também há maior previsibilidade do montante a ser arrecadado, já que há um monitoramento dos fundos exclusivos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

"Do ponto de vista técnico, existe, sim, uma gordura que pode ser taxada. Essas pessoas realmente pagam menos impostos. No entanto, estamos falando de investidores qualificados e preparados para, de alguma forma, escapar da taxação", afirma. "Por detrás desses investimentos, existem especialistas contratados em gestão tributária, justamente para pagar menos impostos", completa.

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Atualmente, existem 2.568 fundos exclusivos de investimentos no mercado brasileiro. Isso significa R$ 756 bilhões alocados nesses fundos, segundo dados do TradeMap. Esse dinheiro representa 12,3% de tudo o que está aplicado em fundos no Brasil.

Para Bergo, a proposta no Congresso deve ser construída de modo a evitar manobras dos investidores. "A norma tem que prever fechar todas as portas para esses investidores não migrarem para outros investimentos, como, por exemplo, a migração para as criptomoedas", alerta.

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A equipe econômica do governo também defende uma nova regulação para offshore, que são fundos de investimentos feitos por brasileiros no exterior. Esse seria um jeito de fechar o cerco para quem os investidores que queiram fugir da tributação no Brasil.

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Na semana passada, a comissão mista que analisa a medida provisória do reajuste do salário mínimo (MP 1172/23), aprovou o relatório com a inclusão da taxação de aplicações no exterior (offshores) e ampliação da faixa de imposto de renda para pessoa física. Agora, o texto vai ao plenário da Câmara dos Deputados e depois ao Senado.

O tributarista Glauco Hanna também lembra que a ideia de taxar super-ricos não é nova e chegou a ser discutida nos governos dos presidentes Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022).

“Caso o governo queira obrigar os mais ricos a pagarem mais tributos, poderá usar o imposto sobre grandes fortunas, previsto na Constituição desde 1988, que até hoje não foi regulamentado. Como dissemos anteriormente, os fundos em questão são tributados, mas o que está em pauta é antecipar o momento do pagamento do imposto sobre os rendimentos auferidos, sem que tenham sido efetivamente resgatados”, reforça.

O especialista ainda cita que os interesses de grupos políticos e econômicos podem atrapalhar o debate e aprovação da matéria. "Os gargalos estão nos grupos econômicos e interesses políticos envolvidos, considerando se tratar de uma pauta sensível", completa.

Na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) tem medido a temperatura em relação à aceitação das medidas propostas pela equipe econômica antes de pautar projetos. Por outro lado, Haddad tem apostado na taxação dos ricos e na volta do voto de qualidade do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) para fechar as contas sem grandes déficits nos próximos anos.

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