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Reciclagem de plástico no Brasil cresce 7,8% em 2024, mostra pesquisa

Ao todo, produção de resina plástica reciclada pós-consumo chegou a 1.012 milhão de toneladas; apesar disso patamar é inferior a 2022

Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A reciclagem de plástico no Brasil cresceu 7,8% em 2024, atingindo 1.012 milhões de toneladas.
  • Apesar do crescimento, o volume ainda é inferior ao de 2022, com uma produção de 1.722 mil toneladas.
  • O setor de reciclagem gerou R$ 4 bilhões e 20.043 postos de trabalho em 2024, representando aumentos de 5,8% e 7,7%, respectivamente.
  • A região Nordeste se destacou com um aumento de 16,6% na reciclagem, enquanto Centro-Oeste e Norte apresentaram quedas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Reciclagem cresceu ano passado, mas não recuperou patamar de 2022 Edmar Chaperman/Funasa - arquivo

A reciclagem de plástico no Brasil cresceu 7,8% comparando o ano passado com 2023. Ao todo, a produção de resina plástica reciclada pós-consumo, que é resultado da reciclagem do material, chegou a 1.012 milhão de toneladas. Apesar dos avanços, o país não conseguiu retomar o patamar alcançado em 2022, quando o consumo de matéria-prima pós-uso chegou a 1.722 mil toneladas.

Os dados são de estudo anual encomendado pelo Movimento Plástico Transforma e publicados na manhã desta quinta-feira (25). A iniciativa é uma parceria da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) com a Braskem.

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Ao todo, o índice geral de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no Brasil foi de 21% e o índice de recuperação de embalagens, que considera todo o resíduo consumido no processo, chegou a 28,7%.

Para Beatriz Geraldes, integrante do Grupo Técnico do Movimento Plástico Transforma, manter o insumo no “círculo produtivo” é fundamental. “A gente precisa que o plástico volte para a cadeia, que seja reintegrado e dê origem a novos materiais”, defendeu.

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O levantamento realizado pela consultoria MaxiQuim revela, além disso, a importância estratégica do Brasil no cenário regional: segundo dados de 2023, Brasil e México foram responsáveis por 76% de todo o volume de plástico reciclado na América Latina.

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O México, no entanto, tem uma vantagem em relação ao Brasil: a extensão territorial. Um dos desafios do nosso país, segundo Maurício Jaroski, diretor executivo da MaxiQuim, é a logística. “É importante para a cadeia de reciclagem que esse processo ocorra onde a matéria-prima esteja sendo processada. A sucata de algumas regiões muitas vezes podem ser transferidas, mas o frete pode inviabilizar o processo [na questão custo-benefício]”, explicou.

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No desempenho da reciclagem por estado, por exemplo, se destacam a região Nordeste, com crescimento de 16,6% ano passado em comparação com 2023; Sudeste (9,5%) e Sul (3,6%). A região Centro-Oeste (-8,1%) e Norte (-6,1%) apresentam queda no volume de produção de plástico reciclado.

“Há cinco anos, o Nordeste também estava em um patamar de pouco crescimento. Ele vem crescendo muito porque se percebeu que a sucata dessa região vinha sempre para o Sudeste, e por isso a indústria investiu em fazer unidades de reciclagem onde havia essa demanda”, observou Maurício.

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Em termos gerais, para Maurício, os resultados de 2024 apresentam uma recuperação tímida da indústria de reciclagem.

“O prolongado ciclo de baixa das commodities petroquímicas seguiu pressionando a competitividade dos reciclados, com os preços das resinas de primeiro uso reduzindo o interesse da indústria de transformação por matéria-prima reciclada e dificultando o repasse de custos”, observou.

Apesar disso, ele analisa que “setores ligados a compromissos ESG e metas de circularidade, como grandes embaladores e marcas de consumo, mantiveram demanda constante para determinadas aplicações, em linha com seus objetivos”.

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Cooperativas e geração de emprego

Em 2024, o setor gerou um faturamento de R$ 4 bilhões, aumento de 5,8% em relação ao ano anterior. Também cresceu a geração de empregos, alcançando 20.043 postos de trabalho diretos, ou seja, 7,7% superior a 2023.

Para manter o cenário de crescimento, Maurício defende o aumento das cooperativas e o investimento em uma indústria mais tecnológica. “O principal é manter esse setor atrativo para as indústrias consumirem recicláveis. É importante garantir esse interesse nos produtos reciclados, porque a cadeia de reciclagem envolve muitos players, e precisa de investimento para ela acontecer. É uma soma de fatores: melhores condições para se ter mais matéria-prima coletada de maneira mais eficiente e menos onerosa para a gente conseguir ser competitivo”, pontuou.

Segundo Solange Stumpf, sócia executiva da MaxiQuim, o momento atual, de regulamentação e incentivo do setor, é fundamental para esse crescimento nos próximos anos.

“A gente precisa construir um ambiente mais regulado para garantir essa evolução mais consistente e mais sustentável, com melhor desempenho. Por isso, a regulamentação é importante”, explica.

Aliado a regras, é necessário, no entanto, incentivos. “A própria implementação requer incentivos. É necessário criar condições para a indústria de reciclagem ter um apoio para poder operar. O setor tem uma grande oportunidade e muito espaço para crescer. Mas, para isso, a indústria tem que ter condições para poder investir, principalmente devido à exigência tecnológica”, pondera.

Geração e consumo de resíduos plásticos

A pesquisa também mostrou que em 2024 foram gerados 4,82 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós-consumo no Brasil. Desse total, a indústria recicladora consumiu 1,55 milhão de toneladas de resíduos plásticos (incluindo pós-consumo e pós-industrial) para reprocessamento.

Considerando apenas o resíduo pós-consumo (doméstico e não doméstico), o volume consumido pelas recicladoras foi de 1,2 milhão de toneladas. A maior parte desse material (87%) teve origem em embalagens, que somaram 1,037 milhão de toneladas consumidas.

Origem dos resíduos

A origem da matéria-prima para a reciclagem manteve uma distribuição semelhante em relação a anos anteriores, com os comerciantes de resíduos se destacando como a principal fonte, responsáveis por 33% (518 mil toneladas) do volume adquirido pelas recicladoras.

Na sequência, aparecem as aparas industriais (23%), os beneficiadores (recicladores menores, com 19%), as empresas de gestão de resíduos (11%) e as cooperativas (10%).

“Observamos que os catadores informais e as cooperativas perderam participação para os sucateiros, um reflexo da baixa remuneração que tem enfraquecido a força de trabalho das cooperativas”, explica Maurício.

Destaques da produção de PCR

Desde o início da mensuração do índice em 2018, a produção de resina reciclada pós-consumo (PCR) acumulou um crescimento de 33,6%. Em 2024, foram produzidas 1,012 milhão de toneladas de resinas recicladas pós-consumo. Desse total, 39% foram de PET, seguido por PEAD com 20%, PP com 18% e PEBD/PEBDL com 15%.

A resina PCR produzida em 2024 foi destinada a diversos segmentos, com os setores de Alimentos e Bebidas (167 mil toneladas) e Higiene Pessoal, Cosméticos e Limpeza Doméstica (132 mil toneladas), se consolidando como os principais consumidores, impulsionados pela demanda por embalagens com conteúdo reciclado.

O setor de Construção Civil e Infraestrutura, que em 2023 havia aumentado sua participação devido à busca por materiais com menor custo, consumiu 130 mil toneladas em 2024, mantendo-se relevante, porém, com uma queda proporcional em sua representação.

O destaque do ano foi a Agroindústria, que demandou 92 mil toneladas e apresentou um crescimento de mais de 35% em relação a 2023, impulsionado por aplicações como lonas, mangueiras e embalagens de agroquímicos. O setor de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, também aumentou significativamente seu consumo, demandando um total de 54 mil toneladas de resina PCR.

“Se compararmos com 2018, quando o estudo começou, percebemos uma inversão de protagonismo: naquele ano, a construção civil era o principal destino da resina reciclada, enquanto o segmento de alimentos e bebidas tinha uma participação menor. Essa mudança reflete o avanço regulatório e os compromissos de grandes marcas de consumo com a economia circular e o uso de materiais mais sustentáveis”, finaliza Maurício.

Movimento Plástico Transforma

Criado em 2016, o Movimento Plástico Transforma tem o objetivo de promover conteúdo e ações educativas que demonstram que o plástico, aliado à tecnologia, à criatividade e à responsabilidade, traz inúmeras possibilidades para os mais diferentes segmentos.

Perguntas e Respostas

Qual foi o crescimento da reciclagem de plástico no Brasil em 2024?

A reciclagem de plástico no Brasil cresceu 7,8% em 2024, com a produção de resina plástica reciclada pós-consumo atingindo 1.012 milhões de toneladas.

Como se compara a produção de 2024 com a de 2022?

Apesar do crescimento, a produção em 2024 ainda é inferior ao patamar de 2022, quando o consumo de matéria-prima pós-uso foi de 1.722 mil toneladas.

Quais são as principais fontes de dados sobre a reciclagem de plástico no Brasil?

Os dados são de um estudo anual encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, em parceria com a Abiplast e a Braskem.

Qual é o índice geral de reciclagem mecânica de plásticos no Brasil?

O índice geral de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no Brasil foi de 21%, enquanto o índice de recuperação de embalagens chegou a 28,7%.

Qual é a importância de manter o plástico na cadeia produtiva?

Beatriz Geraldes, do Movimento Plástico Transforma, destaca que é fundamental reintegrar o plástico na cadeia produtiva para dar origem a novos materiais.

Qual é a posição do Brasil na reciclagem de plástico na América Latina?

Brasil e México foram responsáveis por 76% do volume de plástico reciclado na América Latina, com o México tendo vantagem em relação à extensão territorial.

Quais desafios o Brasil enfrenta na logística de reciclagem?

Um dos desafios é a logística, pois a sucata de algumas regiões pode ser inviabilizada pelo custo do frete, dificultando o processo de reciclagem.

Quais regiões do Brasil se destacaram na reciclagem em 2024?

A região Nordeste teve um crescimento de 16,6%, seguida pelo Sudeste com 9,5% e Sul com 3,6%. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram quedas de 8,1% e 6,1%, respectivamente.

Qual é a perspectiva para a indústria de reciclagem no Brasil?

Os resultados de 2024 mostram uma recuperação tímida da indústria de reciclagem, pressionada pelos preços das resinas de primeiro uso, que reduzem o interesse pela matéria-prima reciclada.

Qual foi o faturamento do setor de reciclagem em 2024?

O setor gerou um faturamento de R$ 4 bilhões, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior, e a geração de empregos alcançou 20.043 postos, 7,7% superior a 2023.

O que é necessário para manter o crescimento do setor de reciclagem?

É necessário aumentar as cooperativas e investir em uma indústria mais tecnológica, além de garantir condições atrativas para o consumo de recicláveis.

Qual é a importância da regulamentação e incentivos para o setor de reciclagem?

Solange Stumpf, da MaxiQuim, afirma que um ambiente regulado e incentivos são fundamentais para garantir um crescimento consistente e sustentável no setor.

Quantas toneladas de resíduos plásticos foram geradas em 2024?

Em 2024, foram geradas 4,82 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós-consumo no Brasil, dos quais 1,55 milhão de toneladas foram consumidas pela indústria recicladora.

Qual foi a principal fonte de matéria-prima para a reciclagem?

Os comerciantes de resíduos foram a principal fonte, responsáveis por 33% do volume adquirido pelas recicladoras, seguidos por aparas industriais e beneficiadores.

Como a participação dos catadores e cooperativas mudou ao longo dos anos?

Os catadores informais e cooperativas perderam participação para os sucateiros, refletindo a baixa remuneração que enfraqueceu a força de trabalho das cooperativas.

Quais segmentos foram os principais consumidores de resina reciclada em 2024?

Os setores de Alimentos e Bebidas e Higiene Pessoal, Cosméticos e Limpeza Doméstica foram os principais consumidores, seguidos pela Agroindústria e Eletrodomésticos.

Como a demanda por resina reciclada mudou desde 2018?

Desde 2018, houve uma inversão de protagonismo, com o setor de Alimentos e Bebidas ganhando destaque em relação à Construção Civil, refletindo avanços regulatórios e compromissos com a economia circular.

Qual é o objetivo do Movimento Plástico Transforma?

O Movimento Plástico Transforma visa promover conteúdo e ações educativas que demonstrem as possibilidades do plástico aliado à tecnologia e responsabilidade.

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