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Reestruturação de carreiras no Congresso pode custar R$ 4,3 bilhões por ano, diz entidade

Instituição diz que o valor equivale ao pagamento de um ano de Bolsa Família para 500 mil famílias

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A reestruturação de carreiras na Câmara dos Deputados e no Senado pode custar R$ 4,3 bilhões anualmente.
  • Esse custo é comparável ao pagamento de um ano de Bolsa Família para 500 mil famílias.
  • A medida pode ampliar desigualdades no funcionalismo, aumentando a concentração de benefícios no topo da administração legislativa.
  • A lei também cria mecanismos de indenização e gratificações, que podem pressionar ainda mais o teto de gastos na administração pública.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

DF - ANO LEGISLATIVO/ABERTURA/ALCOLUMBRE/MOTTA/PACIFICAÇÃO - POLÍTICA - O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados,   Hugo Motta (Republicanos- PB), durante a abertura do ano legislativo no plenário da Câmara dos Deputados, em   Brasília, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026. Alcolumbre e Motta fizeram um pedido por pacificação,   diálogo e serenidade entre os Poderes durante os discursos feitos hoje, que ainda reservaram espaço para defender   as emendas parlamentares.   02/02/2026 - Foto: FáTIMA MEIRA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Senado e Câmara aprovaram reajustes a servidores das Casas nesta semana Fátima Meira/Enquadrar/Estadão Conteúdo - 2.2.2026

A reestruturação de carreiras dos servidores da Câmara dos Deputados e do Senado aprovada na terça-feira (3) terá impacto de R$ 4,3 bilhões anuais, segundo cálculos do CLP (Centro de Liderança Pública). Esse valor equivale ao pagamento de um ano de Bolsa Família para 500 mil famílias, competindo, na prática, com outras despesas sociais.

A organização afirma que a medida cria um mecanismo de aumento concentrado no topo da administração legislativa com potencial de pressionar o teto do funcionalismo e ampliar desigualdades dentro do próprio Estado. Além disso, a mudança embaralha o debate sobre a reforma administrativa e a limitação dos chamados de penduricalhos.


“A mensagem é ruim para qualquer agenda de contenção: em vez de enfrentar os penduricalhos onde eles já existem, o Estado amplia o repertório de instrumentos e torna mais difícil construir maioria e legitimidade para uma reforma que feche brechas e reforce o teto como regra efetiva”, afirma nota técnica assinada pelo economista Daniel Duque.

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O CLP lembra que grande parte da controvérsia pública sobre verbas acima do teto do funcionalismo se concentra no Judiciário e no Ministério Público, onde parcelas indenizatórias e pagamentos retroativos costumam aparecer como o principal vetor de distorção.


“Ao adotar um mecanismo semelhante no topo do Legislativo, o Congresso sinaliza que esse tipo de solução é uma prática replicável entre Poderes, o que tende a reduzir o custo político de manter e expandir benefícios desse tipo”, continua a nota.

Licença-compensatória

A entidade alerta ainda que o custo real depende de algumas hipóteses, visto que nem Câmara nem Senado informam no próprio texto da lei “quantos, de fato, converterão dias em dinheiro”, no caso da licença-compensatória.


Pelo texto da Câmara, a regra permite acumular licença e, em caso de necessidade do serviço, transformar os dias não gozados em indenização.

A licença-compensatória vale para servidor efetivo que exerça função comissionada FC-4 ou superior, com concessão limitada a 10 dias por mês (na prática, até 1/3 do mês). O cálculo considera um mês de 30 dias, e a indenização, quando paga, é calculada como 1/30 da remuneração por dia convertido em pecúnia.


No Senado, o projeto também cria uma Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (com percentuais de 40% a 100% do maior vencimento básico do cargo, a depender de regras internas) e prevê a indenização da licença-compensatória com lógica semelhante, de 1/30 da remuneração bruta por dia (excluídas parcelas eventuais/temporárias).

De acordo com o CLP, no Senado, ao menos a distribuição das funções comissionadas é pública e permite calibrar cenários. Atualmente, são 1.677 funções comissionadas, com mais de 1.000 sendo nível 1 e 2 (os de maior remuneração).

Como não está disponível a “remuneração total” de cada servidor por função (que inclui salário do cargo efetivo e outras parcelas), uma forma conservadora de aproximar o custo é usar apenas a remuneração bruta das próprias funções comissionadas.

Custo de ao menos R$ 80 milhões por ano

Nessa base, a folha mensal das funções comissionadas do Senado fica perto de R$ 11,5 milhões. Se a licença paga em dinheiro equivaler, em média, a 10% de um mês (por exemplo, 3 dias convertidos), o custo seria cerca de R$ 1,15 milhão por mês (quase R$ 14 milhões/ano). No cenário máximo, com 33,3% (10 dias/mês convertidos), isso sobe para cerca de R$ 3,84 milhões/mês (cerca de R$ 46 milhões/ano).

Na Câmara, há 1.733 cargos comissionados no total, mas não há tabulação da distribuição de cargos. A lei da Câmara fixa o mecanismo (1/30 por dia; limite de 10 dias/mês), então o custo vai depender essencialmente de quantos entram e de quantos dias serão convertidos em pecúnia em vez de gozados como folga.

No máximo, há cerca de R$ 40 milhões anuais. Junto ao custo do penduricalho no Senado, há pelo menos um custo agregado de R$ 80 milhões por ano.

“Vale notar, ainda, que esse tipo de desenho cria um incentivo permanente para monetizar a dedicação contínua, especialmente nas camadas superiores”, completa a nota, que argumenta que a licença-compensatória e as novas gratificações operam como um mecanismo de aumento concentrado no topo da administração legislativa, com potencial de pressionar o teto e ampliar desigualdades dentro do próprio Estado.

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