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Relator vota contra marco temporal das terras indígenas

Para Fachin, povos tradicionais foram vítimas de violência ao longo da história e não se pode fixar uma data para garantir direito à propriedade

Brasília|Renato Souza, do R7, em Brasília

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Indígenas protestam em Brasília contra a confirmação de um marco temporal para a delimitação de reservas.
Indígenas protestam em Brasília contra a confirmação de um marco temporal para a delimitação de reservas.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quinta-feira (9) contra a criação de um marco temporal para demarcação das terras indígenas. A Corte discute se os povos tradicionais têm ou não direito às áreas ocupadas após a promulgação da Constituição de 1988. O Tribunal entrou na quinta sessão utilizada para discutir o tema que tem impacto direto na vida dos indígenas, proteção do meio ambiente e expansão do agronegócio no país.

O ministro Fachin destacou que os povos tradicionais foram alvos de inúmeras violências ao longo da história, e que essas violações de direitos fundamentais ocorreu no passado e permanece no presente, Entre as agressões, estão atos de violência que geraram expulsão das terras, mesmo as ocupadas antes mesmo da chegada das primeiras embarcações portuguesas no Brasil, em 1500

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"É certo que, a despeito da proteção constitucional e legislativa, os índios foram, efetivamente, desapossados de grande parte de seu território tradicional, num primeiro momento, para utilização como mão de-obra, depois para tomada das áreas para ampliação do território nacional habitado e utilização no agronegócio", afirmou o magistrado.

O magistrado destacou que não se pode legitimar a violência como forma de perda de direito à terra. "Esta Corte já decidiu que o abandono involuntário das terras tradicionais, perpetradas por meios violentos, não se presta a desconfigurar a tradicionalidade da ocupação", completou Fachin.

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O relator apontou diversos episódios históricos de comunidades tradicionalmente ocupadas, mas que foram tomadas por meios violentos e ilegais. "Para analisar somente o período republicano, e são por demais conhecidas as atrocidades causadas aos índios desde 1500, práticas como a atração indígena para liberação das terras ocupadas, como a que ocorreu com a etnia Xokleng, por meios violentos e obscuros, a chamada “Marcha para o Oeste” que incentivou a abertura de terras para ocupação do interior do País, tornando à força terras indígenas, e portanto públicas, em terras privadas, e o período da Ditadura Militar, com a consideração dos índios como inimigos da política desenvolvimentista, promoção de remoções forçadas, políticas de aculturação e aumento da intervenção nas áreas até então isoladas da Amazônia, na qual viviam diversas etnias", destacou o ministro.

Durante seu voto, Fachin entendeu que as tradições e modo de vida dos indígenas estão intimamente ligados às regiões onde vivem, e, portanto, devem ter esse direito respeitado. “Os direitos territoriais indígenas consistem em direito fundamental dos povos indígenas e se concretizam no direito originário sobre as terras que tradicionalmente ocupam", concluiu.

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