Brasília Sargento ligou para avisar que mataria a família, diz PMDF

Sargento ligou para avisar que mataria a família, diz PMDF

Policial do batalhão ouviu disparos por telefone; caso de Planaltina é investigado pela Polícia Civil como homicídio seguido de suicídio

  • Brasília | Pedro Canguçu, da Record TV, e Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Reprodução

O sargento da Polícia Militar Nilson Cosme Batista dos Santos, um dos quatro mortos na chacina que ocorreu na região de Planaltina, no Distrito Federal, na tarde desta quinta-feira (10), ligou para o batalhão onde trabalhava e disse aos policiais que iria matar a família. A Polícia Civil investiga a hipótese de homicídio seguido de suicídio.

A ligação aconteceu por volta das 18h. Sargento Cosme, como era conhecido, aparentava estar bastante nervoso ao dizer que mataria todos da casa, informou a PM. O policial que atendeu o telefonema chegou a ouvir os disparos de arma de fogo. A corporação enviou uma equipe ao local imediatamente. O imóvel onde morava a família fica na avenida Maranhão.

Do portão, os policiais chamaram por Nilson assim que chegaram à casa. Como não houve resposta e era possível ver fumaça saindo da residência, os PMs arrombaram a entrada e continuaram a chamar pelos moradores a partir do quintal e da garagem.

Pelas janelas, eles viram que o interior do imóvel estava em chamas e acionaram o Corpo de Bombeiros. As portas e janelas estavam lacradas, por isso tiveram de arrombar novamente as entradas na tentativa de resgatar possíveis sobreviventes.

Ao entrarem pela sala da casa, os policiais se depararam incialmente com um corpo caído no chão. Ali, havia também um galão vazio, mas que cheirava a um combustível, como álcool. Em seguida, 12 bombeiros chegaram e se dividiram em duas equipes, para combater as chamas e retirar os corpos, um a um. 

O incêndio atingiu apenas um dos quartos da casa e consumiu um guarda-roupa, uma cômoda, uma TV e duas camas. O trabalho para conter as chamas durou cerca de uma hora.

Todos os corpos tinham perfurações de arma de fogo e estavam carbonizados. Perto de uma das vítimas estava a pistola CZ 9mm, que pertence à Polícia Militar. As vítimas foram reconhecidas e foi constatado que todas eram da mesma família: o sargento, a mulher dele, de 50 anos, e os dois filhos, de 21 e 16 anos.

O Instituto de Criminalística esteve na cena do crime para fazer a perícia ainda no fim da tarde de quinta, em caráter de urgência. A 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) apura o caso.

Vítimas

Por meio de nota, a Polícia Militar lamentou a morte do sargento. "O sargento Cosme trabalhava regularmente no 14º Batalhão e tinha duas condecorações e vários elogios em seus assentamentos." A PM declarou que não foi procurada nem recebeu nenhuma informação do comportamento do policial para que pudesse adotar medidas imediatas como a suspensão do porte e o recolhimento da arma de fogo, o afastamento da atividade operacional e o atendimento médico-psiquiátrico.

"A PMDF possui rede credenciada do sistema de saúde da Polícia Militar, dispondo atualmente de clínicas de psiquiatria e de psicoterapia para atendimento. Além disso, a PMDF, por meio da Capelania Militar e do Centro de Promoção e Qualidade de Vida, vem promovendo cursos para a saúde mental do policial militar."

O filho mais velho, Isaac, foi aprovado no PAS (Programa de Avaliação Seriada) da UnB (Universidade de Brasília), em 2019, para cursar engenharia química. Vizinhos falaram à Record TV sobre o comportamento da família. "Os filhos, normal como qualquer família tradicional. Normal. Não via nenhuma ação descontrolada por parte do militar. Era normal. Como uma família normal", disse uma moradora.

"Eu estive conversando com um amigo dele, que é soldado aposentado, tirou serviço junto com ele, que ele não era muito de entrosamento com ninguém, falava pouco e tinha um sorriso meio abafado, meio amarelo. Conversava muito pouco com os colegas, não era muito de entrosamento", disse outro morador. 

Últimas