Senador, ex-diretores, número 2 de ministério: PF revela atuação dos alvos em esquema de desvios
Operação prendeu filho do ‘Careca do INSS’ e o ex-número dois do Ministério da Previdência
Brasília|Rafaela Soares, do R7, em Brasília
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O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), detalhou, na decisão que embasou a nova fase da operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), o que a investigação da Polícia Federal descobriu sobre o papel de cada um dos alvos dentro do suposto esquema de desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A nova ação prendeu o filho do empresário conhecido como “Careca do INSS”, o ex-número dois do Ministério da Previdência e cumpriu mandados de busca e apreensão, inclusive na residência do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
O R7 procura as defesas, e o espaço permanece aberto.
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A seguir, veja o papel atribuído pela Polícia Federal a cada um dos investigados:
Romeu Antunes – filho do “Careca do INSS”
Após a prisão do pai, Antônio Carlos Camilo Antunes, em setembro, a PF acredita que Romeu Antunes assumiu o papel de sucessor e se tornou o principal operador administrativo da organização, que estava em fase de reorganização.
Segundo a PF, suas funções incluíam:
- gestão de empresas utilizadas na lavagem de dinheiro;
- criação de novas pessoas jurídicas para substituir empresas vinculadas ao pai;
- intermediação de comunicação entre o “Careca do INSS” e outros investigados, burlando determinações judiciais;
- ocultação de bens, incluindo veículos de luxo, embarcações e imóveis;
- condução de negociações no exterior, especialmente nos Estados Unidos e em Portugal.
A investigação aponta participação ativa em operações de lavagem, como a criação de empresas de fachada e a simulação de operações imobiliárias.
Tiago Schettini – apontado como facilitador do esquema
É descrito como figura relevante do núcleo administrativo-político, com status equivalente ao do “Careca do INSS”, embora atuasse com maior cautela.
Exercia a função de coordenador operacional e articulador financeiro, participando de decisões estruturais e da rotina de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, ele:
- participava da formação de empresas com contratos simulados e participações societárias clandestinas;
- atuava na emissão de notas fiscais frias, repasses e aquisição de participações empresariais com recursos ilícitos;
- integrava estruturas criadas para conferir aparência de legalidade às operações financeiras.
Domingos Sávio de Castro – empresário
Apontado como integrante do núcleo administrativo, mantinha relação próxima com Antônio Camilo Antunes e atuava como parceiro de negócios.
Segundo a PF, ele:
- esteve envolvido na criação e manutenção de empresa usada como base para reinserção de capital ilícito;
- participava de transações fictícias para legitimar recursos;
- contribuía para a sustentação do esquema por meio de empresas sem atividade real.
Adelino Rodrigues Júnior – sócio de empresa investigada
Integrante do núcleo administrativo, era responsável pela operacionalização do fluxo financeiro interno.
Segundo a PF:
- auxiliava lideranças em contratos simulados e ajustes contábeis;
- participava da administração de empresas usadas para circulação de valores ilícitos;
- atuava na ocultação da titularidade real dos recursos;
- guardava dinheiro em espécie em cofres.
Rubens Oliveira Costa – economista
Ocupava posição de destaque no núcleo administrativo-financeiro, atuando como gerente operacional.
De acordo com a PF:
- executava operações ligadas às empresas de fachada;
- viabilizava saques de grandes quantias;
- gerenciava pagamentos vultosos;
- participava da emissão de notas fiscais fictícias;
- atuava na ocultação de bens, inclusive veículos de luxo.
Alexandre Caetano dos Reis – sócio de empresa investigada
Integrante do núcleo administrativo-financeiro, atuava no gerenciamento financeiro e blindagem patrimonial.
Segundo a investigação:
- era contador de empresas ligadas a Antônio Camilo;
- sócio de empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas;
- responsável contábil por empresa usada para contratos simulados;
- atuava na articulação política e distribuição de recursos.
Milton Salvador de Almeida Júnior – apontado como sócio do “Careca do INSS”
Integrante do núcleo administrativo, atuava como gestor operacional subordinado.
Segundo a PF:
- gerenciava operações administrativas e funcionários;
- garantia o funcionamento das estruturas de fachada;
- participava da logística financeira do esquema.
Eric Douglas Martins Fidelis – filho de ex-diretor do INSS
Integrante do núcleo de servidores, exercia funções operacionais dentro do INSS.
Segundo a PF:
- recebia pagamentos por meio de empresa de advocacia;
- contribuía para a manutenção dos lançamentos fraudulentos que beneficiavam associações controladas pelo esquema.
Paulo Gabriel Negreiros – tesoureiro de ONG
Atuava como braço operacional na gestão de entidades usadas para dar aparência legal às movimentações ilícitas.
Segundo a PF:
- representava entidade em contratos de transferência de recursos;
- atuava como dono de fato de confederação ligada ao esquema.
Alexandre Guimarães – ex-diretor do INSS
Ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do INSS.
Segundo a PF:
- tornou-se sócio majoritário de empresa de fachada enquanto ainda exercia cargo público;
- atuava para conferir aparência de legitimidade e cobertura institucional à lavagem de dinheiro.
Marcos de Brito Campos Júnior – diretor do DNIT
Servidor de carreira do INSS, associado ao núcleo de servidores.
Segundo a investigação:
- integrava a cadeia administrativa do esquema;
- recebeu vantagens pessoais, incluindo passagens aéreas e dinheiro em espécie;
- atuava como facilitador operacional.
Rodrigo Moraes – operador financeiro
Integrante do núcleo financeiro.
Segundo a PF:
- gerenciava empresa destinatária de valores ilícitos;
- facilitava o fluxo financeiro por meio de estruturas societárias;
- atuava na simulação de investimentos para ocultar recursos.
Gustavo Marques Gaspar – articulador político
Integrante do núcleo político-institucional.
Segundo a PF:
- facilitava contatos políticos e blindagens;
- sua empresa constava como parceira do esquema;
- há registro de pagamento de propina;
- atuava na ocultação de bens.
Adroaldo da Cunha Portal – secretário-executivo do Ministério da Previdência
Segundo a PF:
- apresenta movimentações suspeitas de depósitos em espécie;
- há registros de pagamento de propina em planilhas apreendidas.
Hélio Marcelino Loreno – articulador institucional
Integrante do núcleo administrativo/servidores.
Segundo a PF:
- recebeu valores expressivos;
- tornou-se sócio majoritário de empresas de fachada;
- participou da concepção de esquema semelhante envolvendo a Caixa Econômica Federal.
Roberta Moreira Luchsinger – integrante do núcleo político
Segundo a PF:
- atuava na ocultação patrimonial e gestão de estruturas financeiras;
- recebeu pagamentos vultosos por contratos simulados;
- mantinha sociedade de fato com Antônio Camilo.
Danielle Miranda Fonteneles – empresária
Responsável pelas operações do grupo em Portugal.
Segundo a PF:
- recebeu mais de R$ 13 milhões;
- utilizava empresa portuguesa para recebimento de recursos;
- atuava como intermediária em aquisições internacionais.
Aldo Luiz Ferreira – colaborador financeiro
Segundo a PF:
- disponibilizava dinheiro em espécie;
- sócio administrador de empresa usada no esquema;
- responsável pela circulação de numerário.
Weverton Rocha – senador (PDT-MA)
A PF aponta posição de liderança política e possível comando.
Segundo a investigação:
- teria se beneficiado de valores ilícitos;
- apontado como possível beneficiário final de operações estruturadas.
Cristiana Alcântara Alves Zago – integrante do núcleo administrativo
Segundo a PF:
- tornou-se sócia de Antônio Camilo em SPEs;
- recebeu créditos bancários de empresas investigadas;
- articulou parceria com operador financeiro do esquema.
Erick Janson Vieira Monteiro Marinho – suplente de senador
Segundo a PF:
- mantinha relação direta com empresas do núcleo político;
- empresas ligadas à família tinham características de ocultação patrimonial.
Alexandre Moreira da Silva – integrante do núcleo financeiro
Segundo a investigação:
- sócio administrador de empresa usada no esquema;
- atuava na dissimulação patrimonial e intermediação de negócios ilícitos.
Heitor Souza Cunha – diretor da Caixa DTVM
Integrante do núcleo administrativo/servidores.
Segundo a PF:
- solicitou adiantamento financeiro;
- participou da concepção de esquema semelhante à fraude previdenciária.
Sílvio Roberto Machado Feitoza – assessor financeiro
Segundo a PF:
- atuava no fechamento de negócios e gestão de contas;
- exercia funções de diretor financeiro do esquema;
- participava da ocultação patrimonial.
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