Senadores querem ouvir Vorcaro no Congresso após nova prisão
Banqueiro é esperado em sessões de colegiados que apuram casos ligados a atuação do crime organizado e a supostas fraudes no INSS
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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Mesmo após ser preso novamente, o banqueiro Daniel Vorcaro deve ser ouvido no Congresso Nacional. A expectativa é de que ele preste depoimento na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS e também na CPI do Crime Organizado.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou que vai pedir ao ministro do STF André Mendonça que volte atrás em sua decisão de tornar facultativa a ida de Vorcaro ao colegiado.
Segundo Viana, o banqueiro está preso em Brasília e há autorização judicial para que ele seja conduzido ao Senado. “Diante disso, não há razão para que ele deixe de comparecer também à CPMI, que investiga diretamente os fatos ligados a este escândalo”, considerou.
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Prisão de Vorcaro
Vorcaro foi preso preventivamente na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito considerados falsos. O foco principal das apurações recai sobre operações relacionadas ao Banco Master.
Por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília. Ele chegou à capital do país por volta das 15h30 desta sexta-feira (6).
“A prisão de Daniel Vorcaro não encerra o assunto. Pelo contrário, reforça a necessidade de que ele seja ouvido pela CPMI. Estamos falando de um escândalo que pode ter atingido milhões de aposentados e pensionistas, e o Congresso tem a obrigação de esclarecer toda a verdade”, disse Viana à reportagem.
CAE também na espera
A CAE também mantém a expectativa de ouvir o banqueiro na próxima semana, mesmo após a nova decisão judicial que determinou a prisão preventiva. A informação foi confirmada à reportagem pelo presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Segundo Calheiros, a ideia é insistir na participação de Vorcaro, já que o depoimento havia sido previamente autorizado.
“Foi facultado o depoimento e também a forma como ele deve ocorrer”, afirmou o senador.
O entendimento dentro da comissão é de que, antes mesmo da prisão preventiva decretada na quarta-feira (4), Vorcaro já estava sob responsabilidade do Estado. Até então, o banqueiro cumpria medidas cautelares, o que levaria à interpretação de que a decisão anterior do ministro André Mendonça já abarcava a condição de pessoa sob custódia estatal.
Procurado pela reportagem, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que preside a CPI do Crime Organizado, não se manifestou até a publicação desta matéria.
Em conversa com a reportagem, a defesa de Vorcaro afirmou que ainda avalia o cenário para entender quais serão os próximos passos do processo e se o banqueiro terá condições de prestar os depoimentos previstos.
Prisão e transferência
Até a última quarta-feira (4), a estratégia da Polícia Federal era manter Daniel Vorcaro em um presídio estadual, em uma cela compartilhada com outros detentos, sem privilégios.
Inicialmente, ele foi encaminhado ao presídio 2 de Potim, no interior de São Paulo, unidade que não abriga presos ligados a facções criminosas ou considerados de alta periculosidade.
Nos bastidores, investigadores avaliavam que essa condição poderia pressionar o banqueiro a colaborar com as investigações.
No entanto, na quinta-feira (5), a Polícia Federal solicitou a transferência do investigado para o sistema penitenciário federal.
O ministro André Mendonça acatou o pedido e determinou a remoção de Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília.
Na prática, no sistema federal o banqueiro ficará sob regime mais rígido de isolamento. Investigações apontam que, mesmo durante o período em que esteve em prisão domiciliar desde dezembro, usando tornozeleira eletrônica, Vorcaro teria continuado monitorando adversários e jornalistas, além de tentar influenciar a produção de reportagens e conteúdos em redes sociais.
Uma das linhas de investigação da Polícia Federal aponta para o pagamento de influenciadores digitais para politizar o esquema investigado e direcionar críticas ao Banco Central.
Outra apuração em andamento indica o possível vazamento de contratos e serviços mantidos pelo Banco Master e por outras empresas ligadas ao banqueiro com autoridades públicas, numa tentativa de intimidar essas pessoas.
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