Brasília 'Sugestões das Forças Armadas não serão jogadas no lixo', diz Bolsonaro

'Sugestões das Forças Armadas não serão jogadas no lixo', diz Bolsonaro

Presidente voltou a defender participação dos militares nas eleições e afirmou que pleito não pode ter 'sombra da suspeição'

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro

Anderson Riedel / PR

O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta quinta-feira (19), que não podemos ter um sistema eleitoral com a "sombra da suspeição" e contou que passa mais da metade do tempo se defendendo de "interferências indevidas" do Judiciário. O chefe do Executivo voltou a defender a participação das Forças Armadas no pleito deste ano. Ele afirmou que as sugestões feitas pelos militares não serão "jogadas no lixo".

"Não podemos enfrentar um sistema eleitoral onde paire a sombra da suspeição", disse. Na sequência, Bolsonaro voltou a defender a participação das Forças Armadas no pleito deste ano. Os militares realizaram uma série de sugestões no âmbito da Comissão de Transparência das Eleições, mas elas foram rejeitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. 

Em relatório técnico, a corte aponta erros de cálculo no documento enviado pelos militares para questionar a segurança das urnas e afirma que várias das medidas indicadas como necessárias para ampliar a integridade do pleito já são adotadas.

"As Forças Armadas, das quais sou chefe supremo, foram convidadas a participar do processo eleitoral e não vão ser jogadas no lixo suas sugestões e observações. Quem porventura votar no outro lado, queremos que seja respeitado, e quem votar para o lado de cá também", disse.

As declarações foram dadas por Bolsonaro durante almoço oferecido pelo Congresso sobre mercado de carbono, no Rio de Janeiro. O presidente relatou ainda que seus ministros "sofreram muito com interferências explícitas do Judiciário, o que é muito lamentável", e voltou a defender o voto auditado.

"O voto é a alma da democracia, e, por isso, tem que ser contado publicamente e auditado. Não serão duas ou três pessoas que vão bater no peito, dizer que vai ser desse jeito e que vão cassar registro e prender. Isso não é democracia."

Mais cedo, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a Justiça Eleitoral tem "vontade de democracia" e coragem para combater "aqueles que são contrários aos ideais constitucionais e republicanos".

"A vontade de democracia e a coragem de combater aqueles que são contrários aos ideais constitucionais, contrários aos ideais republicanos, permanecem na Justiça Eleitoral, que foi se aperfeiçoando ano a ano", disse Moraes, em sessão plenária comemorativa dos 90 anos da Justiça Eleitoral.

Na última terça-feira (17), o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, disse que os ataques às instituições mundiais servem de "alerta" neste ano eleitoral, em que Bolsonaro busca a reeleição, e que a possibilidade de regressão já ocorreu no ambiente nacional. O magistrado destacou, ainda, que o Brasil "não admite mais aventuras autoritárias".

Petrobras

Como o R7 mostrou, o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, participou também do almoço. A estatal é alvo de críticas feitas por Bolsonaro, que se recusou a comentar no fim de semana eventual troca no comando da empresa. 

Em um vídeo publicado nas redes sociais por um de seus assessores, Bolsonaro discursava sobre o país ser uma potência agrícola, cujos trabalhadores "se empenharam e produziram", e fez uma provocação ao dirigente da estatal, pressionado para conter a alta no preço dos combustíveis, durante o almoço.

"Vamos continuar mantendo essa política, porque não foi fácil encontrar um Brasil, em 2019, com graves problemas éticos, morais e econômicos. E deixo bem claro, já que está aqui o presidente da Petrobras", disse.

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