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Venezuela chama Brasil para posse de Maduro, mas não envia convite a Lula

Ditador será reconduzido ao cargo em cerimônia nesta sexta (10); embaixadora em Caracas deve representar Brasil

Brasília|Caroline Aguiar, da RECORD, e Ana Isabel Mansur, do R7 em Brasília

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Maduro e Lula em seu último encontro, em março de 2024 Ricardo Stuckert/Presidência da República - 1º.mar.2024

A Venezuela convidou o Brasil para a posse do ditador Nicolás Maduro, mas o documento não foi enviado especificamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo fontes ouvidas pela RECORD, o convite foi recebido nesta terça-feira (7) — a cerimônia de posse em Caracas está marcada para sexta-feira (10). O texto chama o corpo diplomático brasileiro para o evento, e a tendência é que a embaixadora do Brasil em Caracas, Gilvânia Maria de Oliveira, compareça. No entanto, o convite ainda está em análise.

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Maduro e Lula enfrentam um período de afastamento — o último encontro dos dois foi em março do ano passado, na 8ª Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em São Vicente e Granadinas. O estranhamento começou depois da eleição venezuelana de julho de 2024, quando o ditador diz ter derrotado o candidato da oposição, o liberal Edmundo González.

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Maduro, no entanto, não apresentou as atas eleitorais, que contêm as informações sobre as urnas de cada seção de voto. Sem os dados, o Brasil não reconheceu nem refutou a suposta reeleição do ditador. Devido ao clima entre os dois políticos, Lula já tinha decidido não ir à posse, mesmo antes de o convite ser recebido pelo Brasil.

Nos bastidores, o presidente marcou posição de não ir ao evento. O assessor do petista para assuntos internacionais, Celso Amorim, que atuou em mediações durante as eleições venezuelanas, também não deve comparecer.

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Pouco antes do pleito venezuelano, Lula criticou a fala de Maduro ao ameaçar um “banho de sangue” e pediu respeito à democracia. Na sequência, o venezuelano, sem citar o brasileiro, indagou como o resultado não seria respeitado, se iria vencer.

A vitória do ditador foi confirmada com a apuração dos votos e pelo Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, sob críticas da oposição de falta de transparência. Partidos contrários a Maduro apontaram interferência em candidaturas e rejeitaram a vitória do presidente. Apesar das posições, Maduro seguirá no comando do país por mais seis anos. Ele está no cargo desde 2013.

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Relações estremecidas

Em novembro do ano passado, em meio às tensões entre Brasil e Venezuela, a Polícia Nacional Bolivariana, comandada pelo regime de Maduro, publicou uma imagem com a silhueta de Lula, a bandeira do Brasil e a seguinte frase: “Quem mexe com a Venezuela se dá mal”. Apesar de não mencionar o petista diretamente, a publicação foi apagada.

Mesmo sem reconhecer nem refutar a vitória do ditador, Lula chegou a dizer, poucos dias depois do pleito venezuelano, que não há nada “grave” nem “anormal” no processo eleitoral venezuelano. O brasileiro cobrou publicamente, no entanto, a divulgação das atas eleitorais.

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“Tem uma briga, como que vai resolver essa briga? Apresenta a ata. Se a ata tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com recurso e vai esperar na Justiça tomar o processo, e aí vai ter uma decisão, que a gente tem que acatar. Eu estou convencido de que é um processo normal, tranquilo. O que precisa é que as pessoas que não concordam tem o direito de se expressar e provar que não concordam e o governo tem o direito de provar que está certo. Na hora que tiver apresentado as atas e for consagrada que a ata é verdadeira, todos nós temos a obrigação de reconhecer o resultado eleitoral na Venezuela”, defendeu Lula, à época.

Posição de outros países

No sábado (4), o presidente da Argentina, Javier Milei, reuniu-se com Edmundo González e engrossou a lista de países contrários à posse de Maduro. A visita do opositor ocorreu em meio ao acirramento da tensão entre Argentina e Venezuela.

No início de dezembro, o governo chavista prendeu um policial argentino que tentou ingressar na Venezuela por terra, por meio da Colômbia. O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, informou, na ocasião, que o policial integrava um complô contra Maduro.

A Argentina chamou o caso de “sequestro” e exigiu a libertação imediata do agente de segurança. “Liberte Nahuel Gallo ou enfrente as consequências”, declarou a ministra da Segurança Pública da Argentina, Patricia Bullrich.

González está asilado na Espanha, após deixar a Venezuela às pressas para não ser preso. Perseguido pela ditadura de Maduro, ele tem a cabeça a prêmio por US$ 100 mil para quem ajudar a detê-lo. Depois da Argentina, o político venezuelano vai ao Uruguai para se encontrar com o presidente do país, Luis Lacalle Pou.

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