Brasília Viagem de Lula em jatinho de empresário compromete a moralidade, diz Mourão

Viagem de Lula em jatinho de empresário compromete a moralidade, diz Mourão

Presidente eleito pegou 'carona' na aeronave de José Seripieri, detido em 2020 em um desdobramento da Operação Lava Jato

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Vice-presidente da República, Hamilton Mourão

Vice-presidente da República, Hamilton Mourão

Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) criticou, nesta terça-feira (15), o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ter embarcado para o Egito em um jatinho do empresário José Seripieri Junior, fundador e ex-presidente da administradora de planos de saúde Qualicorp. Seripieri foi preso em julho de 2020 durante desdobramento da Operação Lava Jato.

Para Mourão, a viagem de Lula em jatinho de Seripieri compromete "os princípios da impessoalidade e da moralidade". Lula foi ao Egito participar da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP27)

Pelas redes sociais, políticos comentaram o caso e criticaram a decisão de Lula de embarcar na aeronave. No voo também estavam a futura primeira-dama, a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). 

Político que declarou apoio a Lula no segundo turno, João Amoêdo definiu a viagem como "um absurdo".  "Aqueles que admiram o presidente eleito e têm esperanças de que ele faça um bom governo deveriam criticar os seus erros, e não ignorá-los", escreveu.

O deputado federal Ubiratan Sanderson (RS) afirmou que o aluguel do jatinho gira em torno de US$ 10 mil a hora. "Trata-se de um fretamento milionário cujas circunstâncias merecem urgente apuração, notadamente por ambos possuírem passagem criminal justamente pela prática de corrupção ativa e passiva", disse, ao anunciar que enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede apuração do caso

Em 2020, Seripieri foi detido após suspeitas de ter fraudado contratos para dissimular repasses à campanha de José Serra (PSDB-SP) ao Senado Federal em 2014. Seripieri ficou apenas três dias preso. Em novembro de 2020, ele fechou um acordo de delação premiada com a PGR.

O empresário foi acusado de ter montado uma estrutura financeira e societária para ocultar da Justiça Eleitoral a transferência de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, as doações eleitorais não contabilizadas chegaram a R$ 5 milhões.

Já nestas eleições de 2022, Seripieri realizou doações ao então candidato Lula de pelo menos R$ 1,3 milhão. O empresário foi uma das figuras públicas recebidas por Lula para ouvir propostas de governo. Eles são amigos há pelo menos uma década. 

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