Brasília Vice do CFM diz que fazer audiência sobre vacina gera incerteza

Vice do CFM diz que fazer audiência sobre vacina gera incerteza

Donizetti Dimer afirma que realizar consulta pública e audiência pode gerar insegurança da população quanto a vacinas

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Donizetti Dimer Giamberardino, 1º vice-presidente do CFM

Donizetti Dimer Giamberardino, 1º vice-presidente do CFM

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O 1º vice-presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Donizetti Dimer Giamberardino Filho, afirmou nesta terça-feira (4) ao R7 que a realização de uma audiência pública sobre vacinação de crianças contra a Covid-19 acaba gerando insegurança na população. Esse cenário, segundo ele, pode ocasionar uma hesitação da população em relação à imunização.

"Essa eventual hesitação pode fazer cair a cobertura e macular a cultura de vacinação que nós temos em nosso povo", disse à reportagem. Em sua fala durante a audiência, o médico pediatra comentou a questão, citando a consulta pública realizada pelo ministério entre 23 de dezembro e 2 de janeiro. "É um movimento muito delicado nesse aspecto, e essa consulta pública reforça uma insegurança eventual. Por mais que seja da melhor forma possível, leva ao questionamento e à insegurança pessoas que nunca pararam para pensar sobre isso", disse.

Dimer frisou que o conselho sempre combateu a hesitação vacinal, explicando que não se tratam de pessoas antivacina, mas pessoas que, por questões de insegurança, questionam a imunização. "Se levarmos um questionamento a tal ponto vamos levar mais insegurança do que benefício", pontuou.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tem se mostrado favorável à exigência de prescrição médica para a vacinação de crianças. A questão foi discutida na audiência pública e na consulta pública aberta pela pasta. Especialistas, no entanto, são contrários à prescrição, apontando que tal medida irá dificultar a imunização de pessoas com dificuldade de acesso à saúde.

A questão foi frisada pelo 1º vice-presidente do CFM, que afirmou que o ministério estaria transferindo aos médicos a responsabilidade sobre a imunização em massa. "A competência de um plano de vacinação é do Estado, na figura ministério da saúde. E o sucesso depende da cobertura. Toda medida que traz dificuldade de acesso atrapalha uma grande meta", afirmou.

Ele ainda pontuou que a desigualdade social tem que ser considerada. "Se vacilar na cobertura estamos rompendo com um pressuposto de sucesso. Cabe ao estado prever a proteção de toda a sua populão e o combate a essa pandemia, a uma crise sanitária dessa ordem", afirmou.

O médico ainda defendeu o imunizante, ressaltando que as informações científicas sobre a vacina afirmam que os benefícios superam os eventuais eventos adversos. "No Brasil, o Ministério da Saúde tem respaldo legal na aplicação de vacinas", afirmou.

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