Violência contra lideranças políticas e seus familiares cresce desde 2019; irmão de deputada foi morto no Rio
Segundo o Grupo de Investigação Eleitoral, 40 assassinatos foram registrados somente no primeiro semestre de 2023
Brasília|Rafaela Soares e Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

Dados do Grupo de Investigação Eleitoral (Giel) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) mostram que o número de casos de violência política cresce no país desde 2019. O levantamento também revelou que 26 lideranças políticas foram assassinadas e 14 familiares dessas pessoas foram mortos só no primeiro semestre de 2023. O assassinato do irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), no Rio de Janeiro, junto a outros dois médicos, na madrugada desta quinta-feira (5), reforça a estatística.
Dos 40 assassinatos de lideranças políticas e seus parentes registrados pelo estudo, cinco foram cometidos na Bahia, estado que lidera a lista. Em seguida estão Piauí e Rio de Janeiro, com quatro casos cada um.
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O levantamento do grupo considera como lideranças políticas cidadãos com cargos eletivos — como presidente, senadores, governadores, deputados estaduais e federais, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores —, funcionários da administração federal e municipal, ex-políticos e pré-candidatos.
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Quando falamos de familiares, as principais vítimas são os filhos dos parlamentares. O estudo do Giel mostra que, entre abril e junho de 2023, foram notificados dez casos de violência contra familiares de lideranças políticas, dos quais sete foram homicídios (três filhos, uma irmã, dois irmãos e um sobrinho).
"As lideranças políticas locais continuam sendo as vítimas mais atingidas pela violência no país", destacou o coordenador do Giel, o cientista político Felipe Borba, no último balanço divulgado pelo grupo. Entre janeiro e junho, 96 vereadores, 22 prefeitos e dois vice-prefeitos sofreram algum tipo de violência.
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O Giel começou a acompanhar os casos de violência política no Brasil em janeiro de 2019. De lá para cá, até junho deste ano, foram contabilizadas 1.775 ocorrências gerais.
Assassinatos no Rio de Janeiro
Três médicos foram mortos a tiros na madrugada desta quinta-feira em um quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Conforme informações da Polícia Civil local, uma quarta vítima foi socorrida e levada para uma unidade de saúde da região. Seu estado é grave. Os profissionais de saúde assassinados são Marcos de Andrade Corsato, Perseu Ribeiro Almeida e Diego Ralf de Souza Bomfim. Os disparos de arma de fogo foram efetuados pelos ocupantes de um automóvel.
Três médicos foram assassinados na madrugada desta quinta-feira (5) em um quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. A quarta vítima conseguiu sobreviver ao ataque e está internada em um hospital da cidade. Saiba quem são os médicos ...
Três médicos foram assassinados na madrugada desta quinta-feira (5) em um quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. A quarta vítima conseguiu sobreviver ao ataque e está internada em um hospital da cidade. Saiba quem são os médicos executados
Diego Bomfim é irmão da deputada federal Sâmia Bomfim. Em um comunicado feito pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS), a pedido de Sâmia, a parlamentar agradeceu as mensagens de solidariedade e apoio recebidas após a morte de seu irmão. "Queremos agradecer todas as mensagens de solidariedade e apoio, que vieram de todos os lugares. Evidentemente, Sâmia está devastada nesse momento terrível de perda e dor, assim como o seu companheiro Glauber Braga, que a acompanha neste momento", diz o texto. A deputada foi para São Paulo, onde a família dela reside.




















