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Moraes relaciona morte de Marielle à infiltração criminosa nos parlamentos: ‘Democracias enfrentam desafios’

Entre as requisições, os advogados pediam a análise clínica de Ronnie Lessa

Brasília|Bruna Pauxis e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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A turma que julga o caso Marielle é a mesma que julgou Bolsonaro sobre o 8 de Janeiro Antonio Augusto/ STF - 24.02.2026

Durante o julgamento dos acusados no caso dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, nesta quarta-feira (25), ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes relacionou a morte da vereadora, em 2018, à infiltração criminosa nos parlamentos.

“A questão das mortes na democracia vem sendo muito estudada. Em recente estudo, de janeiro de 2026, é citado o número de crimes políticos com a infiltração do crime organizado nos Parlamentos”, afirmou. “Um desses casos é o caso de Marielle Franco. As democracias enfrentam desafios crescentes, ascensão da direita e infiltração do crime organizado”, completou.


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De acordo com Moraes, durante seu voto, as ações de Marielle, na época, estavam “peitando” os interesses de milicianos.

“Na cabeça misógina, preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? (assassinato de Marielle) É uma cabeça de 100 anos, 50 anos atrás: ‘Vamos eliminá-la. Isso não terá grande repercussão”, defendeu o ministro.


Milícias

Em sua fala, o magistrado frisou a relação dos assassinatos com a questão das milícias no estado do Rio de Janeiro e apresentou argumentos para comprovar a relação dos irmãos Brazão com os criminosos da região desde o início dos anos 2000.

“A instrução processual, ao meu ver, comprovou a real interação da família Brazão com os chamados grupos milicianos notadamente das regiões de Jacuarepaguá, Largo do Tanque, Gardênia Azul, Oswaldo Cruz e arredores. Domingos Brazão, originário de Jacarepaguá inclusive fez dessa região, e depois seu irmão também, seu principal reduto eleitoral”, disse Moraes.


O ministro apresentou, inclusive, uma imagem de Domingos Brazão acompanhado do miliciano condenado Fininho, na região de Rio das Pedras, durante campanha eleitoral.

Durante seu voto, Moraes mostrou uma foto de Domingos Brazão com o miliciano Fininho Reprodução/ YouTube/ STF - 25.02.2026

“Só entra em local dominado pela milícia para fazer campanha quem a milícia apoia ou quem faz parte da milícia”, ressaltou Moraes, que dsse “não existir dúvida” da relação dos réus com a milícia carioca.


“Há um vínculo estável e consciente. Há uma relação direta, mas a inserção de condutas de atuação do grupo. Não tinham só contato, eles eram a milícia”, enfatizou.

Denúncia e acusação

Segundo a PGR, Marielle foi morta por ter se tornado um obstáculo político aos interesses econômicos e eleitorais dos irmãos Brazão, especialmente no que diz respeito à exploração imobiliária ilegal e ao controle territorial por milícias na Zona Oeste.

“Por questões ideológicas, Marielle pretendia impulsionar projetos habitacionais voltados aos segmentos populacionais de menor renda, de forma sustentável, o que contrariava os interesses dos irmãos Domingos e João Francisco”, afirmou o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand.

Respondem por homicídio qualificado e organização criminosa:

  • Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ;
  • Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, major da PM;
  • Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos no TCE-RJ.

A denúncia foi aceita pelo STF em 2024, quando os acusados se tornaram réus na Corte. A acusação tem como um dos principais pilares a colaboração premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que foi condenado a cumprir 78 anos e 9 meses de prisão pela execução do crime.

Pedidos das defesas foram negados

Antes mesmo de iniciar seu voto, Moraes começou sua fala negando os pedidos preliminares das defesas dos acusados. Esses pedidos, em julgamentos, são feitos como uma tentativa de contestar o prosseguimento da ação antes mesmo de ser discutida.

Em suas solicitações, os advogados questionavam a incompetência do STF para julgar o crime, a inexistência de justa causa, a invalidade da delação premiada e também pediam a análise clínica de Ronnie Lessa.

“Não houve comprovação da necessidade (de exame clínico), simplesmente foi uma alegação feita pela defesa e também foi indeferida”, afirmou o ministro.

Julgamento

O segundo e último dia do julgamento sobre o assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro e de seu motorista, em março de começou nesta manhã, às 9h. Durante a terça-feira (24), foi feita a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e a sustentação de defesa dos acusados.

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