Cidades  ‘A recuperação é lenta, mas um lento necessário’, diz secretário de turismo de MG sobre Capitólio

 ‘A recuperação é lenta, mas um lento necessário’, diz secretário de turismo de MG sobre Capitólio

Após tragédia em janeiro, região investiu em segurança para resgatar confiança dos visitantes no turismo local

  • Cidades | Guilherme Padin, enviado do R7 a Capitólio (MG)

Resumindo a Notícia

  • Desde acidente, Capitólio e cidades vizinhas vivem recuperação após queda no turismo
  • Governo e municípios investiram em segurança para turistas e profissionais que ali trabalham
  • Para região se reestruturar, retomada teve de ser lenta, diz secretário de turismo de MG
  • Minas anunciou recentemente rede de proteção ao turismo a cidades do sudoeste mineiro
'A região é fundamental para Minas', afirma Leônidas Oliveira

'A região é fundamental para Minas', afirma Leônidas Oliveira

Reprodução/Prefeitura de Capitólio

“Temos que ter paciência, não poderíamos dizer que estava tudo bem enquanto ainda se consertava as coisas”.

A frase de Leônidas Oliveira, secretário de cultura e turismo de Minas Gerais, indica o caminho para o qual Capitólio (MG) e as cidades vizinhas, de modo geral, têm seguido desde a tragédia que vitimou dez pessoas em janeiro, após a queda de uma rocha dos cânions do Lago de Furnas.

O acidente e suas consequências afetaram sobremaneira a população local, uma vez que os municípios do sudoeste mineiro dependem primordialmente do turismo, sua principal atividade econômica. O início de ano crítico causou prejuízos, desemprego e a incerteza sobre como enfrentar o restante do ano.

Diante da queda expressiva da procura de turistas pelos atrativos, sobretudo no verão, período mais movimentado do ano por ali, o governo do estado anunciou, em 24 de junho, a Rede Integrada de Proteção ao Turismo, como parte de um programa que destinará R$ 5 milhões para o turismo seguro e a retomada das atividades.

Leônidas Oliveira afirma que a região possui grande relevância para o turismo do estado, que, portanto, acabou também afetado pela tragédia.

“São 34 municípios e um fluxo de turistas muito grande, sobretudo no verão, finais de semana e feriados. E o turismo do estado está crescendo em relação à média nacional. Como Capitólio é muito importante e teve essa queda, o acidente impactou a região e o estado como um todo”, comenta Oliveira ao R7.

Ele menciona, além dos passeios com embarcações no Lago de Furnas, outras atividades de turismo de aventura e atrativos gastronômicos, como as cachaças mineiras e o queijo Canastra. “A região é fundamental para Minas, inclusive no que se refere à gastronomia. Temos lá o melhor queijo do mundo, por eleição do [site de gastronomia, em votação popular] Taste Atlas”, diz.

Ante o impacto negativo e a necessidade de se reposicionar a imagem de Capitólio e suas vizinhas, comenta o secretário, a ação mais importante foi garantir os protocolos de segurança necessários para o retorno do passeio nos cânions onde ocorreu o acidente, a fim de resgatar a confiança nos interessados em visitar a cidade, que nunca havia passado por incidentes similares.

Ao povo e empresários capitolinos, o desafio era fazer com que os turistas compreendessem que a tragédia tratava-se de um desastre da natureza, como concluiu a Polícia Civil, e não uma falha de quem trabalhava nos cânions. 

Está lento porque optamos, antes de lançar campanhas, que tivesse um processo de reconstrução para chegar depois a esse reposicionamento do destino

Leônidas Oliveira

Segundo as secretarias de turismo mineira e capitolina, a rede hoteleira teve, em média, ocupação de 20% no início do ano, número baixíssimo em um período de alta temporada. Em maio, houve leve recuperação: 50%. “A recuperação é lenta, mas um lento necessário”, conclui Oliveira.

Rede Integrada de Proteção ao Turismo

No último dia 24, o governo do estado de Minas Gerais anunciou a extensão da Rede Integrada de Proteção ao Turismo para Capitólio e outras duas cidades vizinhas. O objetivo da ação é fortalecer o turismo seguro na região devido ao impacto sofrido no primeiro semestre.

Leônidas Oliveira que a rede faz parte de um processo que começou logo após o incidente em janeiro, com as análises geológicas para avaliar o retorno das atividades em segurança, somado ao reposicionamento de imagem da região e a divulgação de informações sobre segurança nos passeios, além da entrega de uma viatura para a Patrulha Rural no município, que será utilizada para o turismo de aventura e gastronômico.

O plano prevê R$ 2 milhões, que ainda estão sendo tramitados, para infraestrutura em três cidades do sudoeste mineiro: Capitólio, São João Batista do Glória e São José da Barra.

“A Rede Integrada é empresário, a Marinha, a Polícia Militar, turistas, vizinhos... todos integrados para garantir a segurança nas atrações da região”, comenta Leônidas Oliveira.

A rede integra o plano “Reviva Turismo – Viva o Mar de Minas”, que tem como fim o fortalecimento e o fomento do turismo responsável na região, a partir de quatro eixos estratégicos: diagnóstico da tragédia; ordenamento de uso e ocupação dos atrativos; capacitação, formação e informação turística; comunicação e marketing.

O investimento de R$ 5 milhões inclui 80 ações, como a regulamentação dos passeios nos cânions e nas águas, a capacitação dos profissionais que ali atuam e a promoção da segurança de trabalhadores e turistas, entre outras.

“Espera-se o alcance de resultados práticos que posicionem o destino de Capitólio e região a partir de uma retomada visando a sustentabilidade da atividade turística no Estado, gerando assim, emprego, renda, valorização social e cultural”, escreve o governo mineiro, em nota.

Participam do programa a Secretária de Estado de Cultura e Turismo de MG, as Prefeituras de Capitólio, São José da Barra e São João Batista do Glória, a Marinha do Brasil, a Polícia Militar de Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, entre outras associações locais.

Começo de 2022 foi crítico para a região

Os primeiros meses do ano foram especialmente turbulentos para Capitólio, que tem no turismo sua principal atividade econômica.

Ainda em recuperação pelas baixas da pandemia da Covid-19, a cidade viu uma redução abrupta no movimento de visitantes após o acidente em 8 de janeiro.

Isso porque, além da própria tragédia, se espalhou a falsa informação de que todas as atrações da região ficariam fechadas, e não somente o passeio nos cânions - esses, sim, paralisados por dois meses e meio para revisões e adoção de novas medidas de segurança.

O fevereiro chuvoso e até o alto preço nos combustíveis, já que não há aeroportos próximos dali, também influíram no período crítico do sudoeste mineiro.

Leônidas Oliveira explica que, por conta do momento difícil no início do ano, com quedas de faturamento e cortes nos quadros de funcionários das empresas, um dos principais desafios foi reposicionar a imagem da cidade para reaquecer o turismo.

“E realmente trabalhando na segurança, para não vender o que não temos. Está lento porque optamos, antes de lançar campanhas, que tivesse um processo de reconstrução para chegar depois a esse reposicionamento do destino”, afirma o secretário, que prevê uma melhora significativa nos próximos meses:

“Esperamos que em setembro ou outubro comece a ter uma melhora acentuada, e no fim do ano, com o verão, volte à normalidade.”

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