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Advogada constrangida por desembargador faz apelo: ‘Olhar as mães com o cuidado que merecem’

Malu Borges Nunes teve a ética questionada pelo magistrado porque sua filha bebê fez barulho durante uma audiência virtual

Cidades|Guilherme Padin, do R7

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Malu Borges Nunes se manifestou em sua conta no Instagram
Malu Borges Nunes se manifestou em sua conta no Instagram

A advogada Malu Borges Nunes, que na segunda-feira (22) foi constrangida pelo desembargador Elci Simões, do Tribunal de Justiça do Amazonas, durante sessão virtual por causa dos resmungos e do choro de sua filha pequena, se posicionou na tarde desta quarta (24) sobre o caso e fez um apelo.

“A reflexão que venho trazer aqui é a gente olhar as mães, não só as mulheres, mas principalmente as mães, com o cuidado que merecem. Porque não é fácil conciliar tudo, sabemos que bebês demandam muita atenção das mães”, disse Nunes em vídeo publicado em sua rede social.


A advogada comentou também que, além disso, há uma dificuldade maior para mulheres que são mães se manterem ativas no mercado de trabalho.

“Essa manutenção no mercado de trabalho é ainda mais dificultosa para mães solo, que cuidam dos filhos sozinhas”, completou.


Acerca da fala de Elci Simões, a qual julgou ser infeliz, Nunes pediu que as pessoas não atacassem o desembargador.

“Peço também que não ofendam ou criem ódio. Ofender os envolvidos não vai levar a discussão à frente. É uma reflexão boa e que todos têm que fazer: todos têm uma mãe, uma tia, uma cunhada. Então que sirva de lição para todos”, afirmou ela.


OAB-AM declara apoio à advogada

A seccional amazonense da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) manifestou apoio à advogada “pelos transtornos e constrangimento vivenciados quando em exercício de seu dever legal”.

Segundo o órgão, Nunes não cometeu infração disciplinar nem violou nenhum preceito do Código de Ética e Disciplina da OAB.


“O que ocorreu no referido julgamento é a realidade da mãe profissional autônoma que também não tem como controlar o choro de uma criança ou exigir dela o silêncio, fato que expõe a necessidade de conscientização sobre a maternidade e a vida profissional”, escreveu a OAB no comunicado. E concluiu:

“A construção de uma sociedade igualitária exige a inclusão e respeito às condições de cada indivíduo e é uma tarefa de todos, sendo objetivo norteador desta Seccional”.

Cena de constrangimento à advogada

Na manhã de segunda-feira (22), durante uma audiência virtual da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas, enquanto Malu Nunes amamentava sua filha, a bebê começou a resmungar e chorar, o que incomodou o desembargador Elci Simões.

O magistrado disse, durante a sessão, que as interferências na sala prejudicavam os colegas e questionou a ética da advogada.

“É uma sessão do tribunal. Não pode ter cachorro latindo e criança chorando. Então, se tiver alguma criança, coloque em um lugar adequado para não atrapalhar a realização das nossas sessões. Se a senhora tiver alguma criança, coloque no modo adequado para não atrapalhar a realização. São barulhos que nos atrapalham, tiram a concentração e eu acho que isso, é preciso ver a ética da advogada”, afirmou Simões.

A advogada respondeu sem se alongar, afirmando que agradecia a compreensão do magistrado.

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