Agentes prisionais ameaçam greve após denúncias de tortura em SC
Categoria diz que 1.600 profissionais são responsáveis por 17 mil presos
Cidades|Da Agência Brasil
Agentes prisionais de Santa Catarina ameaçam entrar em greve em resposta às denúncias de tortura de detentos, que estão sendo investigadas pela polícia e por representantes de instituições públicas e da sociedade civil ligadas aos direitos humanos.
Segundo o Sintespe (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual), que representa parte da categoria, uma assembleia está prevista para o fim desta semana, quando devem ser decididos os rumos do movimento.
O secretário-geral do Sintespe, Mário Antônio da Silva, informou que a categoria iniciou na segunda-feira (19) uma operação-padrão nos presídios e penitenciárias do estado, suspendendo banhos de sol, liberação para oficinas de trabalho, além de visitas de advogados e de parentes.
Silva acrescentou que ainda não há um balanço da adesão à mobilização no Estado, mas garantiu que houve um “impacto significativo”. Ele argumentou que não podem ser classificadas como tortura “ações de pulso e firmeza no trato com detentos, exigidas pela atividade e previstas, inclusive no regimento interno”.
Segundo ele, há no estado 17 mil presos e cerca de 1.600 mil agentes penitenciários, incluindo os que estão próximos da aposentadoria e os afastados por licença médica, entre outros motivos. Mário Antônio da Silva disse que somente na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, em Florianópolis, a cada plantão trabalham nove agentes penitenciários que ficam responsáveis por 1.200 presos.
A unidade prisional recebe nesta terça-feira (20) a visita de representantes da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que apura denúncias de tortura de detentos. A polícia investiga se os supostos maus-tratos motivaram a onda de violência no Estado, na última semana.
Uma equipe da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Santa Catarina – além de promotores de Justiça, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil e técnicos do Instituto Geral de Perícia catarinense, também vistoriou a penitenciária na semana passada. Durante dois dias, o grupo ouviu e examinou 69 presos que alegaram ter sido vítimas de maus-tratos no presídio. Um laudo será divulgado pelos peritos que participaram da inspeção.
O diretor do Departamento de Administração Prisional do Estado de Santa Catarina (Deap), Leandro Soares Lima, admitiu que há carência de pessoal no sistema prisional, mas rebateu as denúncias de maus-tratos nos presídios. Ele lembrou que um inquérito policial está em andamento e que presos foram ouvidos e submetidos a exames de corpo de delito. Lima ressaltou que devem ser incluídos relatos de servidores e de diretores do departamento para que o processo não se torne “incipiente”.
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