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Análise: não existe bala de prata para lidar com aumento das vítimas fatais no trânsito

Afrouxamento das regras em torno da aquisição da CNH é ‘uma faca de dois gumes muito perigosa’, afirma entrevistado

Cidades|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil registrou um recorde de 1.188 mortes no trânsito em 2025, envolvendo motoristas sem habilitação.
  • O aumento de motociclistas e o afrouxamento das regras para obtenção da CNH são fatores que contribuem para o problema.
  • A formação inadequada dos condutores é vista como um risco, apesar da facilitação do processo para tirar habilitação.
  • A gestão pública é criticada por expor condutores e pedestres a riscos, devido a políticas que permitem altas velocidades nas vias.

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O Brasil bateu o recorde de vítimas fatais no trânsito em acidentes que envolvem motoristas sem habilitação. Ao todo, 1.188 pessoas morreram e mais de 8.300 ficaram feridas em 2025. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal — consultados pelo Portal R7 via Lei de Acesso à Informação — e mostram uma realidade assustadora enfrentada pelo Brasil.

“Para lidar com isso, a gente não tem uma bala de prata. Esse é o problema da segurança viária e do trânsito. A gente precisa de várias medidas, de várias intervenções de política pública para conseguir lidar com esse desafio”, avaliou durante o Conexão Record News desta quarta-feira (05) o diretor de operações do Instituto Cordial, Luis Fernando Meyer.


Vista aérea de uma rodovia onde ocorreu um acidente. Vários profissionais, incluindo bombeiros e paramédicos, estão ao redor de uma ambulância branca, prestando atendimento. Há um caminhão vermelho e dois carros de passeio, um branco e um cinza, estacionados próximos. Algumas pessoas observam a cena, enquanto cones de sinalização estão espalhados pelo local. O fundo é composto por grama e vegetação.
Formação inadequada dos condutores é vista como um risco Reprodução / Record News

Segundo ele, o problema tornou-se ainda maior no contexto pós-pandemia e com o aumento do número de motociclistas no país. Ao mesmo tempo, o afrouxamento das regras em torno da aquisição da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e as mudanças em torno da obrigatoriedade das autoescolas podem ter efeitos negativos, pondera o especialista.

“Essa facilitação para as pessoas tirarem a habilitação pode ser uma faca de dois gumes muito perigosa. [...] A ideia é que mais pessoas tirem a habilitação, tanto reduzindo o custo quanto a complexidade do processo das aulas, mas ao mesmo tempo, você reduz a própria formação dos condutores [...] A CNH em si não é o problema, o problema é a formação do condutor”, analisou o diretor.


Por fim, ele ainda aponta outro responsável pelo resultado mórbido obtido em 2025: a gestão pública. “Se você tem uma via que permite a circulação a 70 km/h, 90 km/h [...] a política pública está expondo muito mais qualquer condutor e pedestre a um risco de uma fatalidade. [...] Um atropelamento a 30 km/h tem 15% de chance de levar a uma fatalidade. [....] A 70 km/h, já chega a quase 100% de chance”.

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