Ao menos seis presos estão desaparecidos após rebelião em Cascavel, diz defensoria
Hipótese de outras mortes não está descartada; cinco foram assassinados durante motim
Cidades|Ana Cláudia Barros, do R7

A possibilidade de haver corpos nos escombros da PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), onde foi deflagrada uma rebelião que durou cerca de 45 horas e terminou nesta terça-feira (26), não está descartada. Em entrevista ao R7, o defensor Eduardo Abraão, que acompanhou a recontagem de presos, afirmou que uma das alas da unidade prisional, em que funcionava um setor de trabalho, ficou destruída após ser incendiada. Ao menos seis detentos estão desaparecidos, segundo o defensor.
Ao visitar a ala, Abraão diz ter se deparado com um “cenário caótico”.
— O temor é que fosse, ainda não temos esta notícia, encontrada outra vítima nesses escombros.
Ele afirma trabalhar com outras hipóteses para justificar o desaparecimento dos internos: erro na hora da contagem, fuga e que eles pudessem estar escondidos dentro de bueiros ou no telhado da penitenciária.
Abraão enfatiza que o trabalho da Defensoria Pública do Estado do Paraná não foi obstruído pela administração da unidade.
— Quando entrei na unidade ontem de manhã, éramos cinco defensores públicos, e, em nenhum momento, a administração colocou qualquer empecilho para nossa entrada. Isto é importante. Eles quiseram que fôssemos até o fim da galeria, onde começou o motim. E pelo que acompanhamos, o número de mortos era aquele mesmo que já havia sido revelado.
Apenas nove agentes penitenciários trabalhavam em Cascavel no início de rebelião
Além da vistoria na penitenciária, os defensores conversaram com presos.
— Quando saímos da unidade ontem à noite (terça-feira), recebemos uma lista de transferidos e uma dos que ficaram na PEC. Segundo Informações do Departamento Penitenciário, ficaram 224 presos na PEC, na parte que não foi destruída. Conseguiram preservar uma galeria. Foi feita uma seleção. Resolvemos chamar um dos presos que representava os demais. Ele disse que estavam relativamente tranquilos, não tinham sofrido nenhuma opressão, mas que, claro, as celas que sobraram estão com uma carga grande, uma superlotação, porque é um espaço para 44 internos.
Mais superlotação
Outros 851 detentos foram transferidos para unidades prisionais do Estado. Parte deles foi para a PIC (Penitenciária Industrial de Cascavel)
— Fomos até a PIC, que é a penitenciária industrial que fica ao lado e que recebeu uma carga de 276 presos, e conversamos basicamente com todos os 276, explicando quais eram as providências que o departamento penitenciário estava tomando e a defensoria. Depois conversamos com as famílias.
De acordo com o defensor, é preciso tomar “providências imediatas” junto com o Poder Judiciário, já que a unidade, que operava com o limite de sua capacidade, está praticamente com o dobro do número de internos.
— Ela superlotou. Tinha 360 presos, que era a capacidade dela, e hoje tem mais 276. E a PIC é uma penitenciária que funciona muito mais em uma relação de confiança do que segurança. Ela costuma ser uma penitenciária modelo em termos de trabalho. Então, se você dobrar isso nessa unidade, acaba não conseguindo dar o dia a dia dela e talvez segurança suficiente para isso.
Segundo ele, houve uma estratégia na seleção dos detentos deslocados para a PIC.
— Os encaminhados para lá foram os que estavam mais próximos de receber um benefício, como um regime semiaberto, um livramento condicional.
Abraão acrescenta que há chances de uma parte significativa já ter direito a algum benefício e o pedido estar parado na Vara de Execuções Criminais.
— Vamos fazer hoje (quarta-feira) um pedido coletivo para esses presos com pedidos travados e, na medida do possível, o juiz vai conceder. A expectativa é que, com isso, dê uma aliviada na sobrecarga que a PIC recebeu. Hoje, vamos trabalhar basicamente com essa realidade dos presos que estão na PIC.
Assista ao vídeo:














