Cacique baleado em conflito por terras acusa policiais militares de participarem do ataque
PM alega que militares 'intervieram' no confronto; 'minha irmã morreu nos meus braços', diz indígena à ministra Sonia Guajajara
Cidades|Bruna Lima, do R7, em Brasília

O cacique Nailton Muniz Pataxó, baleado durante conflito por terras no sul da Bahia, relatou nesta segunda-feira (22) que policiais militares participaram do ataque junto a fazendeiros. A líder indígena Nega Pataxó, irmã do cacique, morreu durante o atentado. "A Polícia Militar assistiu toda a cena, conversou com eles [fazendeiros] e depois abriu estrada para eles. Já entraram atirando. E a Polícia Militar, alguns também estavam atirando", afirmou Nailton durante visita da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, no hospital onde o líder segue internado.
O R7 acionou a Polícia Militar da Bahia questionando se seria aberta uma apuração interna diante do relato. Na nota recebida pela reportagem, a corporação apenas afirma que "policiais da 8ª CIPM e da Cipe Sudoeste intervieram em um confronto entre fazendeiros e indígenas em uma propriedade rural em Itapetinga" (leia a nota na íntegra abaixo).
O território Caramuru é alvo de disputa de terras desde sábado (20). Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, o ataque contra os os povos originários foi realizado no domingo (21) por fazendeiros do grupo autointitulado "Invasão Zero", na retomada da Fazenda Inhuma, no município de Potiraguá, em área reivindicada pelos Pataxó.
A pasta tenta construir com as lideranças indígenas o Plano de Gestão Territorial e Ambiental e articula com os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Direitos Humanos, do Desenvolvimento Agrário e com a Secretaria de Segurança da Bahia.
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Uma comitiva do Ministério dos Povos Indígenas, liderada por Guajajara, desembarcou na Bahia para "acompanhar de perto a situação e exigir que os responsáveis sejam identificados, e que todas as medidas legais sejam tomadas", como detalhou a ministra. Ela conversou com o cacique, que narrou o episódio e pediu medidas efetivas para impedir novos ataques.
No relato, Nailton Muniz Pataxó afirmou que tentou segurar a irmã após ela ser baleada e que também foi atingido durante o ataque. "Minha irmã morreu nos meus braços. Atiraram nela, ela bambeou. Fui segurar ela e me atiraram também. Caímos juntos", disse.
Precisamos agora ver que maneira a gente pode fazer para essas coisas não voltarem a acontecer e não ficar de graça. O que está acontecendo é uma guerra e com o pensamento de extermínio do nosso povo. Nosso povo precisa viver porque a história do nosso povo enriquece nosso país. Querem acabar com a gente, mas nós não vamos aceitar ser tratados dessa maneira
Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a morte de Nega Pataxó aconteceu em um conflito entre indígenas, policiais militares e fazendeiros. Há relatos também de espancamentos, sendo que uma mulher teve o braço quebrado e outras pessoas foram hospitalizadas sem gravidade. Dois fazendeiros foram presos por porte ilegal de arma.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um dos feridos no chão, cercado por um grupo de homens, supostamente ruralistas, comemorando a ação. Segundo a Apib, policiais teriam participado do ato.
Leia a nota da PM da Bahia na íntegra:
Na tarde de domingo (21), policiais da 8ª CIPM e da Cipe Sudoeste intervieram em um confronto entre fazendeiros e indígenas em uma propriedade rural em Itapetinga.
No local, os PMsencontraram duas pessoas atingidas por disparos de arma de fogo e que foram conduzidas a uma unidade de saúde. Uma delas não resistiu aos ferimentos. Um homem, atingido no braço por uma flecha, também foi socorrido.
Durante as buscas, os PMs localizaram duas pistolas e uma foice. Dois homens, cada um portando um revólver, foram presos. Os suspeitos e todo material apreendido foram apresentados à Polícia Civil.
Posteriormente, chegou ao conhecimento da PM que deram entrada no hospital outras seis pessoas com ferimentos provenientes do embate.
O policiamento na região segue sendo realizado com intuito de prevenir novos confrontos.
A investigação das circunstâncias do fato é empreendida pela Polícia Civil.















