Cidades Caso Miguel: começa o julgamento de Sari Corte Real em Recife (PE)

Caso Miguel: começa o julgamento de Sari Corte Real em Recife (PE)

Ex-primeira-dama de Tamandaré foi denunciada pelo MP por abandono de incapaz com as agravantes de cometimento de crime contra criança 

  • Cidades | Do R7*

Sari Real deixou Miguel sozinho em elevador, pouco depois da tragédia

Sari Real deixou Miguel sozinho em elevador, pouco depois da tragédia

Reprodução

A ex-primeira-dama de Tamandaré (PE) Sari Corte Real está sendo julgada na manhã desta quinta-feira (3) pela morte de Miguel Otávio Santana Silva, garoto de cinco anos que faleceu após cair de uma altura de nove andares.

Seis meses após a morte do garoto, a primeira audiência de instrução e julgamento do processo é comandada pelo juízo da 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente de Recife, e teve início às 9h40 desta quinta. A sessão tem como foco o interrogatório da acusada e a escuta das testemunhas indicadas pelo MP-PE (Ministério Público de Pernambuco) e a defesa da acusada.

Indiciada pela Polícia Civil de Pernambuco, Sari foi denunciada pelo MP por abandono de incapaz com as agravantes de cometimento de crime contra criança e em ocasião de calamidade pública.

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Andamento

Até por volta de 15h, quatro testemunhas de acusação haviam sido ouvidas. Em seguida, falam as testemunhas de Defesa. Por último, acontece o interrogatório da acusada. 

A sessão ouvirá, ao todo, nove testemunhas de acusação, uma delas por videoconferência. e quatro testemunhas de defesa. No entanto, outras quatro testemunhas de defesa se manifestarão por meio de carta precatória - o procedimento usado para ouvir testemunhas ou partes processuais que residem em outra comarca, de cidades ou estados diferentes. Ao todo serão, portanto oito testemunhas de defesa.

Depois da sessão, o MP-PE e a defesa deverão apresentar as alegações finais, para o juízo decidir pela condenação ou pela absolvição Sari Corte Real.

O caso

A morte de Miguel ocorreu em 2 de junho. Mirtes, a mãe do garoto, havia descido para passear com os cachorros da patroa. Para a polícia, o fato de Sari, que é mulher do prefeito de Tamandaré, ter liberado a porta do elevador e apertado o botão da cobertura com a criança sozinha na cabine permitiu a sequência de fatos que resultou na queda e morte do menino.

O delegado Ramon Teixeira chamou atenção para a imagem da câmera que mostra as tentativas de Sari de tirar Miguel do elevador. Depois de tentar por quatro vezes, às 13h10, ela teria pressionado o botão da cobertura do prédio.

Em depoimento na segunda-feira (29), Sari afirmou ter apenas simulado o acionamento. Mas o laudo pericial confirmou que o botão foi pressionado. Na avaliação do delegado, o mais relevante nessa sequência de imagens foi o fato da ex-patroa ter liberado a porta do elevador e deixado Miguel sozinho.

"Independentemente da ação de pressionar ou não, o que nós entendemos de relevante foi que aquela ação omissiva de permitir o fechamento da porta tem valor jurídico penal relevante para a responsabilização penal da investigada", disse o delegado.

Depois de ouvir 21 pessoas no inquérito, que possui mais de 500 páginas, o delegado o concluiu pelo indiciamento. Até então, Sari respondia em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela chegou a pagar uma fiança no valor de R$ 20 mil.

Os últimos passos de Miguel foram reproduzidos pelo perito criminal em vídeo. Duas perícias criminais foram feitas no prédio. A partir dessa análise, foi criada uma animação que mostra quando o garoto sai do elevador no 9º andar, abre a porta corta-fogo e segue pelo corredor.

Ele pula o peitoril da janela, coloca os dois pés na caixa de compressores e, já na área técnica, sobe na grade quando uma peça se solta e ele cai de uma altura de 35 metros.

Com base nas evidências coletadas no local e nas imagens de câmeras de segurança, o laudo pericial apontou que a queda de Miguel foi acidental. "Da saída do 9º andar até a queda, foram 58 segundos, o que elimina a possibilidade de outra pessoa ter participado do evento", explicou o perito criminal André Amaral.

*Com a colaboração de Samara Najjar

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